O Vale do Pati, na Chapada Diamantina, no interior da Bahia, tem duas travessias oficiais de vários dias reconhecidas pelo ICMBio, gestor do parque, com pernoite em casas de moradores locais
O Parque Nacional da Chapada Diamantina reconhece dois roteiros para cruzar o Vale do Pati a pé: um de quatro dias, entre o distrito de Guiné e Andaraí, e outro de cinco dias, saindo do Vale do Capão. Ambos terminam com pernoite em casas de moradores dentro do vale.

Vale do Pati visto de um dos mirantes da trilha, na Chapada Diamantina (BA), em maio de 2015. Foto: Jardelsliumba / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Capa com recorte técnico, sem alteração do conteúdo da imagem.
O Vale do Pati fica dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na região central da Bahia, entre os municípios de Mucugê, Palmeiras e Andaraí.
Pelo site oficial do ICMBio, órgão federal que administra o parque, o vale reúne cânions, cachoeiras e famílias moradoras, e é a única parte da unidade de conservação com pernoite dentro de casas particulares.
A travessia não tem atalho nem opção de um dia só. O ICMBio reconhece apenas duas rotas para o Vale do Pati, uma de quatro dias e outra de cinco, e recomenda contratar um condutor de visitantes nos trechos mais longos e acidentados, já que resgates dentro do parque são complexos, caros e demorados.
Onde fica o Vale do Pati dentro do parque
O Vale do Pati ocupa uma faixa central do Parque Nacional da Chapada Diamantina, entre serras e paredões de arenito que separam o vale de outras regiões da unidade de conservação, no interior baiano.
As duas travessias oficiais do ICMBio levam a vilarejos vizinhos, Guiné, Vale do Capão e Andaraí, todos usados como ponto de partida ou chegada de quem cruza o vale a pé.
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A travessia de quatro dias, entre Guiné e Andaraí
Pela página oficial do parque, essa travessia começa perto do distrito de Guiné, no município de Mucugê, e percorre cerca de 30 quilômetros, sendo 25 quilômetros dentro dos limites do parque.
No segundo dia da rota, o ICMBio indica a subida ao Morro do Castelo, ponto alto que oferece uma das vistas mais completas de todo o Vale do Pati, segundo o próprio órgão.
A travessia de cinco dias, saindo do Vale do Capão
A segunda rota reconhecida pelo ICMBio parte do Vale do Capão, na mesma Chapada Diamantina, e soma aproximadamente 60 quilômetros, dos quais 55 ficam dentro da área do parque.
Por ser mais longa, essa travessia inclui trechos que a rota de quatro dias não percorre, como o próprio Morro do Castelo e a trilha do Cachoeirão por cima, aponta a página do ICMBio.
Duas descidas diferentes levam ao fundo do vale
Para descer ao Vale do Pati, o ICMBio lista duas opções de caminho: a rampa da ruinha, mais íngreme e rápida, e o arrodeio, um trajeto mais suave e mais longo.
A rampa da ruinha leva cerca de 40 minutos de descida, enquanto o arrodeio, com menos declive, chega a 1 hora e 40 minutos até o fundo do vale, segundo o órgão.
Por que dormir em casa de morador é a exceção do parque
Em quase todo o Parque Nacional da Chapada Diamantina, o pernoite acontece em acampamentos organizados. O Vale do Pati é a exceção: ali, o visitante pode se hospedar dentro da casa de moradores locais.
Essa regra aparece de forma direta no texto oficial do parque, que trata o Pati como um caso à parte dentro das normas gerais de acampamento da unidade de conservação.
O Morro do Castelo marca o segundo dia das duas rotas
O Morro do Castelo aparece nas duas travessias oficiais, tanto na de quatro dias quanto na de cinco, sempre como um dos pontos altos do roteiro dentro do Vale do Pati.
Chegar até lá exige caminhada em terreno acidentado, e o ICMBio volta a recomendar planejamento prévio e cautela para quem decide subir até esse ponto do parque.
As rochas do vale vêm de mais de 1 bilhão de anos atrás
O Parque Nacional da Chapada Diamantina fica sobre rochas da formação geológica Tombador, que o ICMBio data em 1,6 bilhão de anos, entre as mais antigas expostas na superfície do território brasileiro.
Essa idade explica os paredões e cânions que cercam o Vale do Pati, esculpidos ao longo de bilhões de anos pela ação da água e do vento sobre a rocha exposta.
É obrigatório contratar um guia para o Vale do Pati?
Não, segundo o próprio ICMBio: contratar um condutor de visitantes é recomendado, não exigido, para quem percorre as trilhas do parque, incluindo as duas travessias do Vale do Pati.
O órgão descreve o condutor como "essencial em trilhas pouco marcadas, longas e com terreno muito acidentado", justamente a descrição que se aplica às duas rotas até o Pati.
Fogo, lixo e banheiro têm regra própria dentro do parque
Fogueiras são proibidas em todo o Parque Nacional da Chapada Diamantina; o visitante precisa usar fogareiro para cozinhar, inclusive nas noites de travessia até o Vale do Pati, segundo o ICMBio.
O órgão também pede que cada visitante carregue o próprio lixo de volta e evacue a pelo menos 60 metros de rios e trilhas, enterrando o papel higiênico junto com as fezes.
Discussões sobre o acesso a atrativos naturais também apareceram em outras partes do Brasil, como no caso da Cachoeira do Catoá, liberada por decisão da Justiça em outro estado.
Um roteiro oficial não substitui o planejamento de última hora
O ICMBio detalha as duas travessias como planejamento de trilha, não como um raio-x de risco individual: cada visitante decide, sozinho ou com condutor, o próprio preparo físico para dias seguidos de caminhada em terreno acidentado.
Chuva também muda o volume dos rios que a trilha cruza dentro do vale, e a recomendação do próprio parque é sempre confirmar as condições do trajeto pouco antes da descida.
O Vale do Pati segue aberto para quem se planeja com tempo
O Vale do Pati continua como um dos poucos trechos do Parque Nacional da Chapada Diamantina em que o pernoite acontece dentro de casa de morador, e não em acampamento coletivo.
O cuidado com áreas protegidas também apareceu recentemente no caso da onça-pintada Manchita, flagrada sozinha dentro do Parque Nacional do Iguaçu, outro parque nacional brasileiro que monitora de perto sua fauna e seus visitantes.
Você já fez ou pensa em fazer a travessia do Vale do Pati, de quatro ou de cinco dias? Conte sua experiência ou sua dúvida nos comentários.



