Dinheiro e cotidiano

Vendedor de 18 anos entrega doces no sinal em Mogi das Cruzes e recebe o Pix depois, num modelo de confiança que, segundo ele, rende cerca de R$ 5 mil por mês

Pedro Henrique Pereira Rocha vende doces em Mogi das Cruzes e deixa o cliente pagar depois pelo Pix. Aos 18 anos, ele afirma faturar cerca de R$ 5 mil por mês e estima que oito em cada dez compradores fazem a transferência. Os valores foram informados pelo vendedor ao g1.

Pedro entrega doces antes de receber em Mogi das Cruzes e diz faturar R$ 5 mil por mês com o Pix da Honestidade.

Pix da Honestidade: vista de Mogi das Cruzes (SP), cidade onde o jovem Pedro Henrique vende doces no sinal

Pedro Henrique e os doces vendidos com pagamento posterior por Pix. Reprodução/g1.

Pedro Henrique Pereira Rocha tem 18 anos e vende balas e paçocas parado num semáforo perto de um shopping em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. Para não perder venda no tempo curto do sinal fechado, ele criou um jeito próprio de cobrar: o Pix da Honestidade.

Pedro contou ao g1, em 20 de setembro, que entrega o doce com um papel que traz um QR Code. O cliente pode pagar depois, evitando que a transferência atrase a saída quando o sinal abre.

o sistema funciona na base da confiança e dá certo na maior parte das vezes. Segundo o próprio Pedro, cerca de 80% dos motoristas fazem o Pix depois de pegar o doce, enquanto os outros 20% saem sem pagar, e mesmo assim o negócio sustenta o jovem no fim do mês.

Como nasceu o Pix da Honestidade

Pedro conheceu o modelo em vídeos de outros vendedores que já recebiam dessa forma. Quando decidiu voltar a vender doces nos semáforos, resolveu adotar o pagamento posterior por QR Code.

O cliente leva o doce e o papel com o QR Code para pagar depois. A proposta é concluir a venda sem prolongar a parada no sinal, deixando a transferência para um momento seguro, com o veículo estacionado.

Cerca de 80% dos clientes pagam depois de levar o doce

Pedro afirma que a maioria cumpre a palavra: aproximadamente 80% dos motoristas fazem o Pix depois de pegar o doce no sinal. Os outros 20% simplesmente não pagam, e ele não tem como cobrar ou identificar quem ficou devendo.

Mesmo com essa margem de calote, a conta fecha no fim do mês. É a diferença entre vender rápido para muita gente, mesmo perdendo uma fatia, e vender devagar para poucos, batendo na janela de cada sinal fechado.

Quanto Pedro fatura por mês no semáforo

Pedro declarou ao g1 um faturamento mensal de cerca de R$ 5 mil. Segundo ele, aproximadamente R$ 1,5 mil são usados para comprar novos produtos e repor as balas e paçocas vendidas.

Depois de descontado o que é reinvestido em mercadoria, sobra um lucro em torno de R$ 3.500 por mês para o jovem, tirado inteiramente da venda no sinal.

Ele já vendia na rua desde os 7 anos, ao lado da mãe

A venda de rua não é novidade para Pedro. Ele começou a acompanhar a mãe nesse tipo de trabalho ainda aos 7 anos de idade, segundo as reportagens.

Ao longo do caminho, a família chegou a abrir dois negócios próprios, mas os dois fecharam, sendo que o segundo encerrou as atividades em 2022, o que empurrou Pedro de volta para a venda ambulante.

Pedro tentou procurar emprego antes de retomar as vendas

Antes de retomar as vendas, Pedro tentou conseguir um emprego. Ao g1, relatou ter pago por um curso acreditando que havia sido contratado e disse que, depois dessa experiência, decidiu voltar às ruas.

O retorno veio acompanhado de uma mudança na cobrança. Pedro passou a entregar os doces antes de receber e adaptou a abordagem para conversar com os clientes durante o tempo do sinal fechado.

Antes do Pix, ele ganhava R$ 30 a R$ 40 por dia

Antes de estruturar o sistema atual, Pedro relatou que chegava a ganhar entre R$ 30 e R$ 40 por dia, trabalhando cerca de seis horas na venda de rua tradicional.

O faturamento atual e os ganhos anteriores são números informados pelo próprio vendedor ao g1. Eles descrevem fases diferentes de seu trabalho, antes e depois da adoção do pagamento posterior.

Pix da Honestidade: semáforo fechado, cenário do tipo de venda que Pedro Henrique faz em Mogi das Cruzes
Semáforo fechado: é nesse intervalo curto que Pedro entrega o doce e o cartão com o QR Code de pagamento. Foto: Astacoid/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0), imagem ilustrativa.

O cartão que carrega a frase de efeito do jovem

No cartão plastificado que acompanha cada doce, além do QR Code, Pedro imprimiu uma frase que resume sua motivação: "criando o caminho para ser um grande empreendedor".

A frase funciona como uma espécie de assinatura do negócio, repetida a cada entrega no sinal, e reforça para o cliente que aquele Pix não é só uma venda avulsa, mas parte de um plano maior do jovem.

Por que o pagamento por QR Code virou solução para vendedor de rua

O Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, dispensa máquina de cartão e troco em espécie, bastando ler um código com o celular. Isso facilita a vida de quem vende em movimento, como ambulantes de sinal, um pouco como o vendedor que viralizou em outra loja por um jeito diferente de atender.

O diferencial de Pedro não é usar o Pix, já comum entre vendedores de rua, mas entregar o produto antes de confirmar o pagamento, apostando na palavra do motorista para fechar a venda dentro do tempo do sinal.

Pix da Honestidade: pagamento por QR Code, mecanismo por trás do sistema criado por Pedro Henrique
Pagamento por QR Code: mecanismo parecido com o que Pedro usa no cartão que entrega junto com o doce. Foto: VulcanSphere/Wikimedia Commons (CC BY 4.0), imagem ilustrativa de terminal de QR Code.

Pedro estima que dois em cada dez clientes não fazem o pagamento

Pedro estima que cerca de 80% dos clientes pagam depois de receber o doce. Os outros 20%, segundo ele, não enviam a transferência, o que faz da confiança uma parte central da venda.

Apesar desses pagamentos não realizados, ele afirma que consegue retirar renda do trabalho. Seu objetivo é ampliar as vendas e juntar dinheiro para abrir uma loja de eletrônicos.

Os planos de Pedro depois do sinal

Mesmo mantendo a venda no semáforo, Pedro tem um objetivo maior: juntar capital para abrir a própria loja de eletrônicos, realizando o que descreve como o sonho de virar empreendedor, parecido com quem hoje busca uma vaga de emprego básico como porta de entrada.

Ele também quer expandir o alcance do Pix da Honestidade, levando o modelo para além do ponto onde vende hoje, segundo o que relatou às reportagens que registraram o caso em Mogi das Cruzes.

Na sua opinião, um sistema de venda baseado na confiança do cliente, como o Pix da Honestidade, poderia funcionar em outras cidades ou é bom só enquanto for novidade? Deixe sua opinião nos comentários.

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