Animais e natureza

Área queimada no Pantanal de Mato Grosso do Sul quase triplica em 2026 e Ibama aponta outubro, novembro e dezembro como o período mais crítico para o fogo no bioma

Um boletim oficial de Mato Grosso do Sul mostra que o fogo já consumiu 113.014 hectares do Pantanal entre 1º de janeiro e 17 de setembro de 2026, quase três vezes mais que no mesmo período de 2025. A superintendente do Ibama no estado avisa que outubro, novembro e dezembro devem ser ainda piores.

Embarcação do Corpo de Bombeiros joga água durante o combate a incêndio na área queimada do Pantanal, em Mato Grosso do Sul

Embarcação apaga foco de incêndio às margens de um rio no Pantanal: registro de 2024, o mesmo tipo de combate ao fogo que o Ibama espera repetir no trimestre mais crítico de 2026. Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0. Capa recortada em 16:9, sem alteração do conteúdo da imagem.

O fogo queimou 113.014 hectares do Pantanal sul-mato-grossense entre 1º de janeiro e 17 de setembro de 2026, alta de 179,7% ante os 40.412 hectares do mesmo intervalo de 2025.

Os números constam no boletim CICOE/PEMIF, divulgado em 18 de setembro pelo Campo Grande News, com dados do Imasul e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, que também registrou salto nas ocorrências de incêndio e nas autorizações de queima controlada.

O fogo no Pantanal de MS já queimou quase três vezes mais área do que no mesmo período de 2025. Com 113.014 hectares atingidos até 17 de setembro, o Ibama classifica outubro, novembro e dezembro como a fase mais perigosa da temporada de queimadas.

O boletim de 18 de setembro mostra a área queimada no Pantanal de MS

Entre 1º de janeiro e 17 de setembro de 2026, o fogo consumiu 113.014 hectares do Pantanal sul-mato-grossense. No mesmo intervalo de 2025, a área queimada tinha sido de 40.412 hectares, uma alta de 179,7%.

O número de ocorrências de incêndio também cresceu: foram 145 registros em 2026 contra 106 no ano anterior, avanço de 36,8%. Já os atos declaratórios, autorizações prévias para queima controlada, saltaram de 41 para 89, alta de 117,1%.

De onde vêm os números: Imasul, Corpo de Bombeiros e o programa Pemif

Os números constam no informativo CICOE/PEMIF, divulgado em 18 de setembro de 2026. A sigla reúne o Centro Integrado de Controle Estadual de Emergências e o Programa Estadual de Manejo Integrado do Fogo, ambos ligados ao governo de Mato Grosso do Sul.

Os dados de área queimada vêm do Imasul e do Corpo de Bombeiros Militar do estado, que cruzam informações de campo com monitoramento de satélite para fechar o balanço da temporada de fogo a cada boletim.

Vegetação carbonizada e solo coberto de cinzas depois de um incêndio no Pantanal, bioma que teve alta de 179% na área queimada em 2026
Vegetação queimada às margens da Transpantaneira: o mesmo tipo de estrago que o boletim de 2026 contabiliza em milhares de hectares no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Foto: Marcella Montenegro / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Incêndios e autorizações de queima controlada também dispararam em 2026

O salto não aparece só na área queimada. As 145 ocorrências de incêndio registradas até 17 de setembro superam em mais de um terço as 106 contabilizadas no mesmo período de 2025, segundo o boletim estadual.

Os atos declaratórios, documento que o produtor rural precisa apresentar antes de qualquer queima controlada e planejada, também subiram: de 41 para 89. Mais que dobrar as autorizações mostra que o uso legal do fogo cresceu junto com o descontrole.

Por que 95% a 98% dos incêndios no Pantanal têm causa humana?

Questionada sobre a origem dos incêndios no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a superintendente do Ibama no estado respondeu que a proporção é de cerca de 95% a 98% causada pela ação humana.

Isso inclui desde fogo posto de propósito até queimadas agrícolas ou de pastagem que escapam do controle em dias secos e ventosos, comuns na estação do fogo no bioma.

Quem é a superintendente do Ibama que soou o alerta em Mato Grosso do Sul

Joanice Lube Battilani é a superintendente do Ibama em Mato Grosso do Sul e concedeu entrevista à Crítica em 15 de setembro de 2026, três dias antes da divulgação do boletim CICOE/PEMIF.

Battilani descreveu o estado em situação de atenção e de alerta, mesmo antes do trimestre que costuma concentrar os piores incêndios do Pantanal sul-mato-grossense.

Outubro, novembro e dezembro: o trimestre que mais preocupa no norte do estado

Segundo Battilani, o período mais crítico é outubro, novembro e dezembro, sobretudo na parte norte de Mato Grosso do Sul, onde a escassez hídrica prevista deve agravar a seca da vegetação.

A previsão citada pela superintendente vem de nota técnica do Cemtec sobre o fenômeno El Niño, que costuma reduzir as chuvas na região Norte do Pantanal justamente nos meses de maior risco de fogo.

Sol avermelhado por trás da fumaça de incêndios florestais no Pantanal, fenômeno que se repete a cada temporada de fogo no bioma
Fumaça de incêndios florestais encobre o sol no Pantanal: a névoa marca a temporada de fogo desde 2020 e volta a preocupar autoridades no trimestre mais crítico de 2026. Foto: José Medeiros/Amazônia Real / Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

O boletim fala de Mato Grosso do Sul, não do Pantanal inteiro

O boletim CICOE/PEMIF descreve o Pantanal na fatia de Mato Grosso do Sul, não o bioma inteiro, que também cobre parte de Mato Grosso e se estende até a Bolívia e o Paraguai.

Comparar esse número com outras contagens do Pantanal exige cuidado: painéis nacionais, como os do Inpe, usam bases e metodologias próprias, que nem sempre fecham com o boletim estadual de Mato Grosso do Sul.

A fauna que o Watts & Wild já mostrou na rota do fogo, na Serra do Amolar

A alta do fogo em 2026 atinge a mesma região onde o Instituto Homem Pantaneiro toca um projeto de censo de onças-pintadas por inteligência artificial, na Serra do Amolar.

Foi também na Serra do Amolar que o Ibama soltou, em maio, uma onça-pintada fêmea capturada na área urbana de Corumbá, distante mais de 200 quilômetros dali.

Bombeiros e Ibama já se preparam para os meses mais críticos no Pantanal

Depois do boletim de 18 de setembro, a expectativa do Ibama e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul é reforçar o efetivo para o trimestre mais crítico da temporada de fogo no Pantanal. O Corpo de Bombeiros já vinha planejando esse reforço em nota ao Diário Online, em março.

Nem todo vídeo de fogo no bioma mostra um crime: uma checagem publicada em setembro mostrou como uma queima controlada de brigadistas do ICMBio já foi confundida com sabotagem. Você mora perto do Pantanal e já sentiu o cheiro de fumaça este ano? Conte nos comentários.

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