O rio Paraguai marcou 138 centímetros na régua de Ladário, em Mato Grosso do Sul, em 23 de setembro de 2026, nível 160 centímetros abaixo da mediana histórica usada pelo Serviço Geológico do Brasil para medir a seca do Pantanal
A régua de Ladário, no rio Paraguai, marcou 138 centímetros às 7h de 23 de setembro de 2026, queda de 34 centímetros em duas semanas. O Serviço Geológico do Brasil classifica o nível como dentro da faixa normal para a data, mas bem abaixo da mediana histórica, e projeta 36 centímetros de queda até outubro.
Trecho urbano do rio Paraguai entre Ladário e Corumbá (MS), onde fica a régua de referência da bacia. Foto: Grumpyprincess/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O rio Paraguai marcou 138 centímetros na régua de Ladário, em Mato Grosso do Sul, na leitura das 7h de 23 de setembro de 2026. A cota caiu 17 centímetros em sete dias e 34 centímetros em duas semanas, segundo o mais recente boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
A queda acompanha a mesma estiagem que já quase triplicou a área queimada no Pantanal de Mato Grosso do Sul neste ano. Rio baixo e vegetação seca costumam andar juntos na mesma temporada crítica do Pantanal.
O rio Paraguai está 160 centímetros abaixo da mediana histórica na régua de Ladário. A cota fechou em 138 centímetros em 23 de setembro de 2026, dentro da faixa considerada normal para a data, mas o Serviço Geológico do Brasil prevê mais 36 centímetros de queda até o início de outubro.
A régua de Ladário registrou 138 centímetros às 7h de 23 de setembro
A estação 66825000, mantida pelo Serviço Geológico do Brasil em parceria com a Marinha em Ladário, registrou 138 centímetros às 7h de 23 de setembro de 2026. O valor está dentro do intervalo normal para a data, que vai de 13 a 381 centímetros.
Nas duas semanas anteriores a cota vinha caindo: eram 172 centímetros catorze dias antes, segundo a própria variação publicada no boletim. A queda de 34 centímetros no período mantém o ritmo de recessão observado desde agosto na bacia inteira do rio Paraguai.
O nível está dentro da normalidade, mas 160 centímetros abaixo da mediana
A mesma tabela do boletim traz a mediana histórica calculada para cada estação na data de 23 de setembro: em Ladário, esse valor é de 298 centímetros. Os 138 centímetros medidos neste ano ficam 160 centímetros abaixo dessa referência de décadas.
Um rio pode estar dentro da faixa normal, que é ampla, e ainda assim bem abaixo do que costuma ser comum na mesma data. Mediana histórica é o valor central de todas as leituras já feitas naquele dia do ano, ao longo da série.
Por que a régua de Ladário existe há mais de 120 anos?
A série de medições do rio Paraguai em Ladário começou em 1900, conduzida pela Marinha do Brasil junto à cidade de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, segundo reportagem da Agência Brasil sobre a seca do Pantanal.
Mais de um século de leituras no mesmo ponto transformou a régua de Ladário na principal referência para classificar um ano como de seca ou de cheia em boa parte do Pantanal, muito antes de existir qualquer satélite de monitoramento.
Rio acima e rio abaixo, a mesma tendência de queda no boletim do SGB
O mesmo boletim de 23 de setembro mostra Cáceres, no Mato Grosso, com 78 centímetros e tendência de queda: bem abaixo da mediana histórica de 150 centímetros para a data. Cáceres fica rio acima de Ladário, na cabeceira da bacia.
Rio abaixo, em Porto Murtinho, a cota de 241 centímetros também está em queda e distante da mediana histórica de 469 centímetros. Da cabeceira à foz, o Serviço Geológico do Brasil descreve a mesma direção: descida de nível em quase toda a bacia.
Sete meses de chuva acima da média não seguraram a queda de setembro
Entre fevereiro e agosto de 2026 choveu 18% acima da média histórica de 1998 a 2025 em toda a bacia do rio Paraguai, aponta o boletim do SGB, período que coincidiu com o El Niño de 2026 apontado como o mais forte desde 1950.
Sem chuva prevista para os sete dias seguintes à leitura, segundo o modelo GEFS da agência americana NOAA, a água que sobrou do período úmido segue escoando para jusante. Assim como no rio Negro, que caiu perto da terceira maior seca já registrada em Manaus na mesma janela, a estiagem de 2026 atinge bacias em pontos opostos do Brasil.
O que o boletim do SGB prevê para Ladário até outubro
Para os próximos 28 dias, o boletim projeta queda contínua na régua de Ladário: 117 centímetros em 30 de setembro, 101 centímetros em 7 de outubro, 89 centímetros em 14 de outubro e 80 centímetros em 21 de outubro.
O texto do boletim resume a tendência em outros termos: menos 20 centímetros em sete dias e menos 36 centímetros em catorze dias a partir da cota atual, associados à ausência de chuva prevista para a bacia inteira.
Dentro da normalidade não é a mesma coisa em cada ponto do rio
Classificar Ladário como dentro da normalidade não significa que toda a região esteja no mesmo ponto. Em Porto Esperança, mais perto de Corumbá, a cota de 68 centímetros está 207 centímetros abaixo da própria mediana histórica de 275 centímetros para 23 de setembro.
Em Forte Coimbra, já no extremo sul do Pantanal sul-mato-grossense, a régua marcava só 18 centímetros, 216 centímetros abaixo da mediana de 234 centímetros. O mesmo boletim, a mesma data, mostra pontos bem mais críticos do que Ladário sozinho revela.
O papel do rio Paraguai na navegação e na vida das comunidades ribeirinhas
Barcos cruzam o trecho entre Corumbá e Ladário desde pelo menos o século 18, formando corredor de integração com Bolívia e Paraguai, segundo a Agência Brasil. A régua de Ladário orienta há décadas o calado seguro para embarcações na hidrovia Paraguai-Paraná.
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul já apontou, em nota à Agência Brasil em outubro de 2024, que a queda do rio Paraguai afeta turismo, pesca e o abastecimento de comunidades ribeirinhas ao longo do curso do rio.
Onde acompanhar a próxima leitura da régua de Ladário
O Serviço Geológico do Brasil publica um novo boletim da bacia do rio Paraguai a cada semana, com os dados de todas as estações de Barra do Bugres, no Mato Grosso, até Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul.
Os boletins anteriores e a leitura mais recente da régua de Ladário ficam disponíveis no site do SGB. Quem pesca no rio Paraguai também pode acompanhar, na mesma época, o início da piracema em Mato Grosso.
Você mora perto do rio Paraguai ou já visitou a régua de Ladário durante a seca? Conte nos comentários.



