Já tem data o dia em que o Sol vai sumir por 6 minutos e 23 segundos, o eclipse solar mais longo do século, e o mapa mostra quem fica no escuro
Em 2 de agosto de 2027, a Lua vai cobrir o Sol por 6 minutos e 23 segundos, a maior duração de um eclipse solar total em terra firme desde 1991. O fenômeno não vai passar pelo território brasileiro.
Cena do vídeo sobre o caso. Reprodução/YouTube (@MetrópolesTV).
O eclipse solar mais longo do século já tem data marcada: 2 de agosto de 2027. Segundo o CNN Brasil, a totalidade, o momento em que a Lua cobre o Sol por completo, vai durar 6 minutos e 23 segundos, o eclipse mais longo em terra firme desde 1991.
A sombra da Lua nasce sobre o oceano Atlântico e sobe para a Europa e o norte da África, cruzando Espanha, Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália, segundo dados oficiais da NASA. O ponto de maior duração fica perto da cidade de Luxor, no Egito, e o Brasil não entra no caminho nem da totalidade nem do eclipse parcial.
No dia 2 de agosto de 2027, a totalidade do eclipse solar vai durar 6 minutos e 23 segundos, a maior em terra desde 1991, porque a Lua estará perto do perigeu. A sombra cruza oito países da Europa, África e Oriente Médio, mas não passa pelo Brasil.
O eclipse solar mais longo do século já tem data marcada
Anote a data: 2 de agosto de 2027. Nesse dia, a Lua vai passar bem na frente do Sol e apagar a luz do dia por 6 minutos e 23 segundos, num corredor que atravessa o Atlântico, o norte da África e o Oriente Médio. Segundo dados da NASA, é o eclipse solar total mais longo em terra firme desde 1991, e ninguém vai ver outro parecido tão cedo.
O motivo do recorde é simples de entender: a Lua vai estar quase no ponto mais próximo da Terra, o chamado perigeu. "É um evento que é raro, porque vai ser um eclipse muito longo, para os padrões normais", disse o astrônomo Marcelo Rubinho ao Olhar Digital. Some isso ao horário do fenômeno, próximo do meio-dia local em boa parte do trajeto, e o resultado é uma sombra mais longa do que o comum.
Dá para ver esse eclipse solar do Brasil?
A resposta é não. O caminho da totalidade, a faixa estreita onde o dia vira noite por completo, passa longe da América do Sul: ele nasce sobre o oceano Atlântico e sobe direto para a Europa e o norte da África. Quem está no Brasil não vai ver nem o eclipse total nem a versão parcial, porque o Sol já estará baixo no horizonte do outro lado do planeta no horário do fenômeno.
Isso não tira o brasileiro da festa por completo. Assim como aconteceu com a cratera gigante encontrada na Lua, observatórios e canais de astronomia costumam transmitir eclipses ao vivo pela internet, e a cobertura de 2027 já está sendo preparada por instituições ligadas à própria NASA. Quem quiser ver com os próprios olhos vai precisar de outro plano: passagem para a Europa, o norte da África ou o Oriente Médio, que é por onde a sombra da Lua vai passar de verdade.
Por que esse eclipse vai durar quase seis minutos e meio?
Seis minutos e 23 segundos parecem pouco, mas é uma eternidade para um eclipse solar total: a maioria desses fenômenos dura entre 2 e 4 minutos. Na prática, é tempo suficiente para ver o céu escurecer, as estrelas aparecerem e o Sol voltar, tudo isso enquanto você ainda estaria esperando o forno esquentar o almoço.
O segredo está na geometria. "A Lua vai estar praticamente no perigeu", explica Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, da UFRJ, ao Olhar Digital. Some isso ao fato de a Terra estar mais afastada do Sol nessa época do ano, o que deixa o disco solar aparente um pouco menor, e o resultado é um disco lunar maior cobrindo um disco solar menor por mais tempo, a combinação exata que garante o recorde.
O caminho da sombra: os oito países que vão escurecer
A sombra da Lua nasce em pleno oceano Atlântico e segue para o leste, entrando na Europa pela Espanha. Dali, ela desce e cruza o Marrocos, a Argélia, a Líbia e o Egito, numa faixa de 258 quilômetros de largura, segundo a NASA.
O ponto de maior duração, os 6 minutos e 23 segundos completos, fica perto da cidade de Luxor, no Egito, cercada por templos milenares como o de Karnak. Depois do Egito, a sombra segue para a Arábia Saudita, o Iêmen e termina na Somália, já ao entardecer, antes de sumir no oceano Índico.
Quanto tempo falta para um eclipse assim de novo
Se você é do tipo que não quer perder essa, corre: o próximo eclipse solar total parecido só está previsto para 2114, quase 90 anos depois. Quem está vivo hoje dificilmente vai ter outra chance de ver um fenômeno tão longo quanto esse. Para quem mora na Espanha, a espera é ainda maior: o país só vai ter outro eclipse tão comprido em 2183.
É esse tipo de raridade que faz um evento astronômico entrar no radar antes mesmo de acontecer. Assim como a descoberta do tilcayo, o novo felino encontrado na Bolívia depois de 100 anos sem uma espécie de gato nova, o eclipse de 2027 já virou assunto entre curiosos e cientistas porque é do tipo que só acontece uma vez na vida.
Nos comentários do vídeo, a decepção de sempre já apareceu
O vídeo do Metrópoles que explica o fenômeno já passa de 17 mil visualizações e reuniu dezenas de comentários, e o mais curtido resume o sentimento de quem está no Brasil: "O Brasil e sempre excluido", escreveu @cleitoneduardo2515, com 19 curtidas. É difícil discordar: como mostra o capítulo acima, a rota da sombra nasce no Atlântico e sobe direto para a Europa e o norte da África, sem passar perto da América do Sul.
Teve quem preferisse rir da frustração. @Slump1Wok brincou: "Eu queria tanto que fosse um meteoro caindo e destruindo tudo😢", e @pearceptor_hayvara fez a pergunta que todo mundo fez: "AH MANO DENOVO NÃO VAI DAR PRA VER😭😭😭😭😭". A resposta é não mesmo, pelo menos não a olho nu do território brasileiro, mas dá para acompanhar ao vivo pela internet quando o dia chegar. Já @RONCILIa estranhou o aviso com quase um ano de antecedência: "2027... quanta antecedência de dar a notícia". Faz sentido estranhar, mas é assim que funciona: a mecânica orbital da Lua e da Terra permite calcular a trajetória e a duração exata de um eclipse com décadas, às vezes séculos, de antecedência, o que também garante que a data de 2 de agosto de 2027 não vai mudar.
O detalhe geográfico que tira o Brasil da festa
Esse eclipse não corre risco de não acontecer, isso a NASA já calculou com anos de antecedência. O limite é geográfico: quem vive no Brasil, nas Américas ou na maior parte da Ásia não vai ver nada no céu naquele dia, nem um pedacinho do Sol coberto. Quem quiser ver de verdade precisa estar na rota certa, na hora certa.
Tem outro detalhe que muda tudo: nem toda previsão de ciência é garantida no detalhe fino. Foi assim com os camundongos com cérebro quase humano criados em laboratório, um resultado forte que os próprios cientistas tratam com cautela. Com o eclipse é parecido: a trajetória e a duração estão calculadas com precisão pela NASA, mas o clima do dia 2 de agosto de 2027 ainda é imprevisível, e uma nuvem no momento errado pode estragar a visão de quem está bem debaixo da sombra da Lua.
2 de agosto de 2027 já é a data mais aguardada da astronomia
Faltam menos de um ano para o dia em que boa parte do mundo vai parar para olhar para cima. Cidades como Luxor, no Egito, e regiões da Espanha já se preparam para receber turistas de vários países, num movimento parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos durante o eclipse de 2024, quando cidades inteiras lotaram de visitantes só para ver o Sol sumir por alguns minutos.
Mesmo sem poder ver do Brasil, dá para acompanhar tudo ao vivo pela internet quando o dia chegar. Organizar uma viagem só pra ver o Sol sumir por seis minutos, ou acompanhar tudo de casa, pela tela do celular: você entraria nessa?



