Curiosidades

O canário-da-terra, o bem-te-vi e o quero-quero são as três espécies mais fotografadas em observações verificadas do iNaturalist no Brasil, segundo levantamento do GBIF com mais de 1,5 milhão de registros

Uma consulta na base pública do GBIF, feita em 24 de setembro de 2026, cruza 1,5 milhão de observações do iNaturalist dentro do Brasil e mostra quais espécies os brasileiros mais fotografam e conseguem identificar com confirmação da comunidade do aplicativo.

Canário-da-terra-verdadeiro, um dos bichos mais fotografados no iNaturalist no Brasil, pousado sobre pedra com musgo

Canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola), a espécie com mais observações de grau de pesquisa no iNaturalist Brasil. Foto: Hector Bottai, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Um levantamento na base pública do GBIF (Global Biodiversity Information Facility) mostra quais bichos os brasileiros mais registram com foto e identificação confirmada no aplicativo de ciência cidadã iNaturalist.

A consulta reúne 1.548.273 observações classificadas como grau de pesquisa dentro do território brasileiro, feita em 24 de setembro de 2026 a partir do dataset iNaturalist Research-grade Observations, publicado pelo iNaturalist.org no GBIF.

O canário-da-terra-verdadeiro lidera a lista, com 9.710 observações de grau de pesquisa no Brasil, seguido do bem-te-vi (9.571) e do quero-quero (8.000). Entre as dez primeiras espécies, nove são aves comuns em área urbana ou beira de estrada, e a única exceção é uma aranha colorida de quintal.

Uma consulta na API pública do GBIF, feita em 24 de setembro de 2026 a partir do dataset iNaturalist Research-grade Observations, encontra 1.548.273 observações de bichos no Brasil e aponta o canário-da-terra-verdadeiro, o bem-te-vi e o quero-quero como as três espécies mais fotografadas do país, à frente de mil outras espécies registradas na base

A consulta foi feita direto na API pública do GBIF, filtrando ocorrências dentro do Brasil no dataset iNaturalist Research-grade Observations, o conjunto de fotos já identificadas pela comunidade do aplicativo. No dia 24 de setembro, às 12h48 UTC, o recorte somava 1.548.273 observações.

No topo da lista está o canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola), com 9.710 registros, 0,63% de tudo que foi fotografado no país: um passarinho amarelo comum em quintal, praça e terreno baldio, fácil de flagrar por quem já tem o celular por perto.

O bem-te-vi vem em segundo lugar, a poucos passos do canário-da-terra-verdadeiro, com 9.571 observações

Logo atrás vem o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), com 9.571 observações, uma diferença de só 139 registros para o primeiro colocado. A ave de peito amarelo e cabeça listrada é presença constante em fiação, poste e galho baixo.

O canto forte e repetitivo do bem-te-vi, que lembra o próprio nome, torna o bicho fácil de notar mesmo por quem não presta atenção em passarinho, o que também favorece o registro fotográfico.

Bem-te-vi pousado em galho seco
Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) fotografado no Parque Estadual do Encontro das Águas, no Amazonas: segundo colocado, com 9.571 observações. Foto: Giles Laurent, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O quero-quero fecha o pódio com 8.000 registros, um dos bichos mais fáceis de flagrar em terreno baldio e beira de pista

O quero-quero (Vanellus chilensis) fecha o pódio com 8.000 observações. É um bicho de gramado, beira de estrada e terreno aberto, quase sempre andando no chão em vez de empoleirado.

A ave defende o ninho gritando e voando baixo sobre quem se aproxima, comportamento que chama atenção de pedestre e motorista e deixa o quero-quero entre os bichos mais fáceis de flagrar com a câmera do celular.

Quero-quero em gramado à beira de uma rua
Quero-quero (Vanellus chilensis) fotografado em Franca, no interior de São Paulo: terceiro colocado, com 8.000 observações. Foto: Fernandobrasilien, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Do quarto ao décimo lugar, a lista mistura uma aranha colorida, uma abelha e seis outras aves comuns em área urbana

Do quarto ao décimo lugar, a lista do GBIF mistura seis outras aves com uma aranha e um inseto, todos bichos de encontro fácil: aranha-de-prata, carcará, abelha-do-mel, joão-de-barro, coruja-buraqueira, urubu-de-cabeça-preta e garça-branca-grande, nessa ordem.

Juntas, essas sete espécies somam 48.696 observações, quase metade do que as três primeiras colocadas acumulam sozinhas nos registros do território brasileiro.

Gráfico de barras com as dez espécies mais fotografadas no iNaturalist no Brasil
Ilustração: gráfico próprio com as dez espécies mais fotografadas no iNaturalist Brasil, feito com dados públicos do GBIF (consulta de 24/09/2026).

A aranha-de-prata é a única espécie fora da classe das aves entre as cinco primeiras posições

A aranha-de-prata (Argiope argentata) soma 7.657 observações e é a única espécie fora da classe das aves entre as cinco primeiras posições da lista inteira.

Ela tece teias grandes e visíveis, geralmente presas entre arbustos de jardim e quintal, com um padrão prateado no corpo que chama atenção mesmo de quem tem medo de aranha.

O carcará e o urubu-de-cabeça-preta, dois rapineiros comuns à beira de rodovia, também aparecem entre os dez primeiros

O carcará (Caracara plancus) aparece na quinta posição, com 7.247 registros. É um falcão de hábito oportunista, comum em pastagem, beira de rodovia e área de lixo a céu aberto.

Já o urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) soma 6.802 observações na nona colocação. Os dois rapineiros dividem o mesmo gosto por carniça e o mesmo hábito de circular perto de estrada movimentada.

A abelha-do-mel é o único inseto do top 10, ao lado do joão-de-barro e da coruja-buraqueira

A abelha-do-mel (Apis mellifera) é o único inseto do top 10, com 7.021 observações. A espécie também é criada em apiários por todo o Brasil, o que multiplica as chances de encontro com gente.

O joão-de-barro (Furnarius rufus) e a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) completam a lista, com 6.899 e 6.818 registros. Ambas constroem ninho perto de gente: o primeiro num barro visível em poste, a segunda em buracos de terreno aberto.

As 30 espécies mais observadas somam só 11,2% do total, e o restante se espalha por milhares de bichos diferentes

As 30 espécies mais observadas do Brasil, segundo o mesmo recorte do GBIF, somam 173.576 registros ao todo. É pouco diante do total geral da base.

Essa soma representa 11,2% das 1.548.273 observações do país. O restante, quase 90% de tudo que foi fotografado, se pulveriza entre milhares de outras espécies de bicho.

Por que "grau de pesquisa" no iNaturalist não é o mesmo que a espécie mais comum na natureza?

Grau de pesquisa é o status que o iNaturalist dá a uma observação com foto, data, local e identificação confirmada por pelo menos duas pessoas da comunidade além de quem tirou a foto original.

Esse critério mede o que as pessoas conseguem fotografar e identificar com facilidade, não a quantidade real de cada bicho solto na natureza. Um estudo de censo populacional, como o que a Associação Mico-Leão-Dourado faz com playback de canto na Mata Atlântica fluminense, mede outra coisa.

O levantamento mede o que as pessoas fotografam perto de casa, não onde os bichos realmente vivem no Brasil

Espécie discreta, noturna ou de mata fechada tem menos chance de virar uma foto com identificação confirmada do que um passarinho colorido pousado num poste. Isso empurra o ranking na direção do bicho urbano, não do bicho raro.

A concentração de usuários do aplicativo em cidades do Sudeste e do Sul também pesa na lista, o mesmo tipo de viés urbano que aparece quando capivaras e jacarés passam a ocupar bairros residenciais à medida que a cidade cresce sobre áreas alagadas.

Os números mudam todo dia, porque o iNaturalist recebe novas observações sem parar

A lista de hoje não deve ser a mesma daqui a um mês, porque o iNaturalist recebe novas observações continuamente e qualquer espécie pode subir ou cair algumas posições de um dia para o outro.

O retrato, porém, dificilmente muda por completo. Quem domina o aplicativo é o bicho comum de quintal, fiação e beira de estrada, o mesmo tipo de encontro que leva tanta gente a fotografar um filhote de ave caído do ninho perto de casa. Qual desses dez bichos você já flagrou no seu bairro? Conte nos comentários.

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