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Sergipe tem a 2ª maior área de desova da tartaruga-oliva no Atlântico

A tartaruga-oliva é a menor das tartarugas marinhas que desovam no Brasil e fica com a maior parte da areia de Sergipe. Entre setembro e março, a equipe do Projeto Tamar protege quase 8 mil desovas por temporada, e a temporada de agora já está em curso.

Tartaruga-oliva sozinha na areia ao pôr do sol, com outras tartarugas ao fundo, na desova da tartaruga-oliva em praia do México

Foto de arquivo: tartarugas-oliva desovando na praia de Escobilla, em Oaxaca (México), em 2010. Não é Sergipe. Foto: Claudio Giovenzana, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0, recortada.

O litoral de Sergipe faz parte da segunda maior área de desova da tartaruga-oliva no Atlântico. A conclusão vem de um estudo do Projeto Tamar com dados de 1991 a 2019, que estimou entre 13.873 e 17.885 fêmeas na região, segundo o Brasil 247 de 7 de outubro de 2026.

O Tamar descreve a mesma faixa em sua ficha da espécie: as áreas de desova vão do sul de Alagoas ao litoral norte da Bahia, passando por Sergipe, onde está a maior densidade de ninhos. A temporada principal vai de setembro a março.

Uma faixa de areia entre Alagoas e Bahia

A tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) mede até 72 cm de carapaça e pesa até 50 kg, segundo a ficha do Projeto Tamar. É a menor das tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, segundo o Tamar.

A ficha estima cerca de 10.500 ninhos da espécie por temporada no Brasil. O Tamar também classifica a oliva como vulnerável, tanto na lista da IUCN quanto na do Ministério do Meio Ambiente.

Quem é o bicho que sobe a praia de noite

A oliva é carnívora e come salpas, peixes, moluscos, crustáceos e águas-vivas, segundo o Tamar. As salpas são aqueles bichos transparentes que parecem alienígenas e fazem parte do cardápio.

Entre as espécies que desovam no litoral brasileiro, ela divide a areia com a de pente, a cabeçuda, a verde e a de couro. Quem quiser o passo a passo da postura encontra o ciclo completo em outra matéria do site.

A conta de Sergipe: 150 km de praia e quase 8 mil desovas

Em Sergipe, a Fundação Projeto Tamar monitora 150 km de praias e protege quase 8.000 desovas e 600 mil filhotes a cada temporada reprodutiva. Cerca de 80% são de oliva, segundo a página do Centro de Visitantes de Aracaju.

O trabalho começou no início dos anos 1980: a primeira base do Brasil foi instalada em Pirambu, em 1982. Hoje são três bases de pesquisa, Ponta dos Mangues, Pirambu e Abaís, e o centro de visitantes na capital.

NúmeroValorDe onde vem
Ninhos de tartaruga-oliva no Brasil por temporadacerca de 10.500Ficha da espécie, Projeto Tamar
Desovas de todas as espécies protegidas em Sergipe por temporadaquase 8.000Centro de Visitantes de Aracaju, Projeto Tamar
Parcela da oliva nessas desovascerca de 80%Mesma página do Tamar
Ninhos de oliva em Sergipe (conta da redação)cerca de 6.40080% de 8.000
Fatia de Sergipe nos ninhos de oliva do país (conta da redação)perto de 6 em cada 106.400 de 10.500

Arte: Watts & Wild, com dados do Projeto Tamar. As duas últimas linhas são contas aproximadas da redação, feitas com números de páginas diferentes do Tamar.

O que o estudo conta sobre a desova da tartaruga-oliva

O estudo do Tamar citado pelo Brasil 247 saiu na revista Herpetological Conservation and Biology e usou dados de 1991 a 2019. A região do São Francisco ao norte da Bahia é a segunda maior área de desova da espécie no Atlântico, com 13.873 a 17.885 fêmeas estimadas.

Na temporada 2018/2019, as bases de Sergipe e a de Sítio do Conde, na Bahia, registraram mais de 16 mil ocorrências reprodutivas, 13.869 delas desovas, segundo o Tamar. O litoral norte baiano e Sergipe concentram quase dois terços das desovas de tartarugas marinhas do país.

A temporada já começou, e o ninho agora é o ano todo

O Tamar registra que o número de ninhos de oliva na região vem crescendo nas últimas décadas, com desovas em todos os meses. Antes, elas se concentravam nos meses quentes, de setembro a março.

Uma pesquisa do Tamar reforça o tom otimista: a fundação reuniu quatro estudos científicos com mais de 15 anos de dados e viu tendência de recuperação em quatro das cinco espécies do país, entre elas a oliva. Todas seguem ameaçadas.

O que ameaça o ninho na areia

Tartaruga marinha com a cabeça fora da água num tanque do Oceanário de Aracaju, com reflexos do sol na superfície azul
Tartaruga marinha num tanque do Oceanário de Aracaju (SE), em março de 2018. A espécie do animal não consta na legenda do Ministério do Turismo. Foto: Cleverton Ribeiro/MTur, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

Segundo a página de ameaças do Tamar, nas praias de desova pesam a ocupação desordenada do litoral, a iluminação artificial, o trânsito de veículos, o sombreamento e a predação. No mar, entram a pesca acidental, a poluição e as mudanças do clima.

A caça de fêmeas e a coleta de ovos, que interrompiam o ciclo até os anos 80, são hoje muito raras, diz o Tamar. O que sobra é o efeito, às vezes involuntário, de quem frequenta a praia.

Como ver tartarugas sem atrapalhar

A forma mais segura de ver tartarugas de perto é o Oceanário de Aracaju, centro de visitantes do Tamar na orla de Atalaia. Abre de terça a domingo, das 10h às 17h, e o ingresso custa R$ 44 (meia, R$ 22), segundo a página oficial. Confirme antes de ir.

Nas praias, a pista vem da lista de ameaças: luz e veículos atrapalham. O cuidado lógico é não acender lanterna ou flash sobre a fêmea e não passar de carro ou moto perto dos ninhos.

Vale respeitar também as estacas numeradas que marcam ninhos protegidos pelo Tamar. Essa lógica é leitura da redação, não regra publicada pelo Projeto Tamar.

Mexer em ovo ou em fêmea é crime: a Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998) pune coleta de ovos e distúrbio do habitat da fauna silvestre, e a Portaria Sudepe nº 5, de 1986, já proibia molestar as cinco espécies, de acordo com a página de legislação do Tamar.

O que os números ainda não respondem

As duas últimas contas da tabela somam números de páginas diferentes do Tamar, de anos diferentes, e valem como ordem de grandeza. O estudo da revista não foi aberto pela redação: os números dele vêm do Brasil 247, que cita o Tamar.

O porquê de a oliva preferir justamente esse trecho de litoral não está nas páginas consultadas do Projeto Tamar.

Para acompanhar a temporada, o canal é o site da Fundação Projeto Tamar. Quem passar por Aracaju pode ligar para o Oceanário, no (79) 3243-3214, antes de ir. Para os bichos de outras áreas, há também a tartaruga-de-couro rastreada por satélite e o ninho de tartaruga-verde em Cuba.

Fontes: Projeto Tamar, ficha da tartaruga-oliva. Projeto Tamar, Centro de Visitantes de Aracaju. Projeto Tamar, ameaças de extinção. Projeto Tamar, legislação. Projeto Tamar, resultados. Brasil 247, 7 de outubro de 2026.

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