Perseverance bate recorde de distância fora da Terra: 45,22 km
O Perseverance passou de 45 quilômetros rodados em Marte e tirou do Opportunity o título de rover que mais andou fora da Terra, por 60 metros. A virada foi em 11 de outubro, e a NASA diz que mais de 90% do caminho saiu com o rover guiando sozinho.
Marcas das rodas do Perseverance e rochas do terreno de Lac de Charmes, em imagem da câmera de navegação do rover. Imagem: NASA/JPL-Caltech (PIA26812), domínio público.
O Perseverance é, segundo a NASA, o veículo que mais andou em outro mundo: 28,10 milhas, ou 45,22 km, no hodômetro em 11 de outubro. Ele superou os 45,16 km do Opportunity e levou cinco anos e meio para fazer o que o antecessor fez em quase quinze.
A virada veio por 60 metros
A conta é apertada. O Opportunity, que explorou Marte de 2004 a 2018, fechou a vida com 28,06 milhas (45,16 km) rodadas. O Perseverance chegou a 28,10 milhas (45,22 km) no sol 2.006 da missão, o 2.006º dia marciano.
Subtraindo, dá 0,06 km de vantagem, ou 60 metros. Para comparar com a Terra: uma maratona tem 42,195 km, e o Perseverance já passou disso por pouco mais de 3 km.
A NASA anunciou o marco em 12 de outubro, em texto no blog da missão. O número vem do hodômetro do rover, segundo a agência, e a equipe responsável fica no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia.
Cinco anos e meio contra quase quinze
O que mais chama a atenção é o tempo. O Opportunity levou quase 15 anos para juntar 45,16 km. O Perseverance gastou cinco anos e meio, pouco mais de um terço do prazo.
Em dias marcianos a diferença continua gritante. O Opportunity rodou por 5.111 sols, segundo a NASA. O Perseverance está em 2.006. Pela nossa conta, dá uma média de uns 22,5 metros por sol para o mais novo, contra uns 8,8 metros para o veterano.
O Perseverance anda, em média, mais de duas vezes e meia o que o Opportunity andava por dia marciano. Essa média já inclui os dias parados para perfurar rocha, guardar amostras e esperar ordens da Terra, então os dias de estrada valem bem mais.
O robô que pensa enquanto dirige
A explicação está no software de direção autônoma, o AutoNav. Enquanto rola, o rover fotografa o terreno, monta um mapa em 3D dos perigos e traça o caminho entre os pontos que os planejadores na Terra escolheram. A equipe chama isso de pensar enquanto dirige.
Ele faz tudo isso na velocidade máxima ou perto dela. Num único sol, o Perseverance já cobriu até 1.351 pés, ou 412 metros. Isso é cerca de 18 vezes a média diária calculada acima.
Mais de 90% de toda a distância do rover foi dirigida com o AutoNav avaliando o terreno. No Opportunity e no gêmeo Spirit, o primeiro sistema desse tipo em Marte respondeu por cerca de 5% do trajeto.
600 mil pontos a cada olhada
O salto de capacidade aparece num número da NASA. O Sojourner, o primeiro rover de Marte, avaliava o caminho à frente com 20 pontos de medição. O Perseverance processa 600 mil pontos a cada olhada.
Steven Lee, gerente do projeto dos rovers Curiosity e Perseverance no JPL, resumiu o momento assim: “É uma honra trabalhar no Perseverance num momento em que a tecnologia evoluiu a ponto de rodadas como estas serem rotina.”
Quem mais andou fora da Terra, em quilômetros
O infográfico da NASA coloca o Perseverance no topo da lista. Atrás dele vêm o Opportunity, o soviético Lunokhod 2, que rodou 39 km na Lua em 1973, e o Curiosity, com mais de 38 km.
O Curiosity, que pousou na cratera Gale em 2012, segue em operação e ainda soma quilômetros. O texto da NASA registra 38,07 km até agora, e o infográfico traz 38,15 km, uma diferença de menos de 100 metros entre duas peças da mesma publicação.
Na Lua, os astronautas Gene Cernan e Harrison Schmitt, da Apollo 17, rodaram 35,7 km em 1972 no jipe lunar. O Perseverance passou esse número e o do Lunokhod 2 antes de chegar ao Opportunity.
O rover que pagou a maratona primeiro
O Opportunity chegou a Marte em 2004 com uma missão prevista de 90 sols. Ficou 5.111 sols e completou a primeira maratona fora da Terra em 2015, antes de fixar a marca que o Perseverance acaba de passar.
Seu gêmeo, o Spirit, parou em 2010, vencido pelo inverno marciano, depois de 4,8 milhas (7,7 km). Já o Sojourner, do tamanho de um forno de micro-ondas, andou cerca de 100 metros em 83 sols, em 1997.
A missão previa 20 km e passou de 45
Lee lembrou o plano original: a missão previa, no máximo, 12,4 milhas de estrada, algo como 20 km. O Perseverance já está em mais de duas vezes esse valor, com todos os sistemas de mobilidade funcionando.
Os testes de vida útil feitos em solo também deram resultado favorável, e por isso a equipe espera que o rover amplie a marca “por muitos anos”.
A NASA aprovou a primeira extensão da missão, iniciada em outubro, que leva a exploração da borda da cratera até cerca do fim de 2028.
Onde o rover está e o que procura
No dia do recorde, o Perseverance seguia rumo a uma área chamada Idubi, na região apelidada de Lac de Charmes, a oeste da borda da cratera Jezero. Ali ele estuda o que pode ser um dos terrenos mais antigos já explorados no Sistema Solar.
As rochas são tão velhas que seus equivalentes na Terra foram apagados pela erosão e pelas placas tectônicas, que Marte não tem. Em Idubi, os cientistas esperam achar rastros de sistemas hidrotermais antigos.
Até agora o rover guardou 29 amostras de rocha e solo, do fundo da cratera, de um delta formado por um rio extinto e da borda. Ali ele estuda rochas formadas por impacto, com cerca de 4 bilhões de anos.
Outro achado da mesma região está em a matéria sobre o campo de rochas claras em Marte.
Distância tem propósito, segundo a NASA: com mais fôlego, o rover chega a mais afloramentos e lê mais da história do planeta nas rochas. Esse alcance o levou do antigo leito de um lago, rio acima, até a rocha Cheyava Falls, onde achou um potencial sinal de vida passada, e depois à borda.
O próximo desafio é o sol de frente
Mark Maimone, vice-chefe da equipe de operações robóticas do Perseverance, disse que o rover que quebrou o recorde “tomou suas próprias decisões sobre o caminho” e é hoje um piloto melhor do que o que pousou.
O software mais novo ensina o rover a girar menos as rodas de direção, a rolar mais e a conferir a própria posição com mapas de órbita no meio da rodada.
O limite atual é a luz. O brilho do Sol nas câmeras de navegação faz o rover estacionar no meio da tarde quando dirige na direção do astro. Se ele aprender a enxergar além desses reflexos, afirma Maimone, todo rover que vier depois ganha um dia de trabalho mais longo.
Marte também tem outras histórias de clima e estação. O Curiosity, que ainda roda por lá, aparece em um amanhecer sobre penhascos de vento, e o calendário do planeta rende outro assunto em o ano novo marciano, que dura 687 dias.
O recorde tem 60 metros de margem e a contagem é da NASA
A vantagem de 60 metros é pequena perto de 45 km, e todos os números vêm da contagem da própria NASA e do hodômetro dos rovers. Não conferimos uma lista independente: a agência fala em mais longe que qualquer veículo em outro mundo, e é essa a frase que sustentamos.
O infográfico mostra que a comparação inclui jipes lunares tripulados e rovers soviéticos. Os veículos chineses Yutu e Yutu 2 aparecem nele com 0,1 km estimado, bem abaixo dos demais.
Depois de Lac de Charmes, o rover segue pela borda rumo ao sul, em direção a Rainbow Falls, um bloco de crosta antiga de 100 metros de largura levantado pelo impacto que abriu Jezero. A rota pode ser acompanhada no mapa de localização da missão no site da NASA.
Fonte: NASA Science, blog da missão Perseverance, 12 de outubro de 2026.



