Animais

October Big Day neste sábado (10): como contar aves migratórias

Basta olhar para o alto, para a árvore da esquina ou para o quintal. No sábado, 10 de outubro, o mundo inteiro conta aves por 24 horas, e dez minutos de atenção já valem uma lista. Sem equipamento, sem diploma e de graça.

Gavião-tesoura pousado no alto de um galho seco contra o céu azul, ave migratória que pode ser registrada no October Big Day

Gavião-tesoura, uma das aves migratórias que passam pelo Brasil. Foto de arquivo tirada na Flórida (EUA), em 2019, por Andrew Cannizzaro, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0, recortada.

Qualquer pessoa pode participar do October Big Day neste sábado (10): é só observar aves, por 10 minutos que seja, e registrar o que viu no eBird ou no Merlin. Os dois aplicativos são gratuitos e usam a mesma conta, segundo a página oficial do evento no eBird.

O dia vale da meia-noite à meia-noite no horário local de cada país.

As listas precisam ser enviadas até 13 de outubro para entrar no resultado oficial. A imprensa brasileira costuma chamar a data de Global Big Day, o nome da edição de maio. A de outubro é o October Big Day, na mesma plataforma.

A data também marca o Dia Mundial das Aves Migratórias, que neste ano tem como tema a ciência cidadã. Segundo a Universidade Federal de Juiz de Fora, são 448 ações previstas no mundo, 11 delas no Brasil.

Três passos para entrar no October Big Day

O primeiro é criar a conta gratuita no eBird ou no Merlin. O segundo é sair para observar no sábado, no parque, na praça ou da janela de casa. O terceiro é registrar as aves antes de 13 de outubro. A organização afirma que não é preciso ser especialista.

Quem já observa aves e quer ajudar a ciência pode ir além do básico: listas completas e com contagem de cada espécie valem mais para os pesquisadores, segundo as dicas do próprio eBird. Várias listas ao longo do dia também contam.

Merlin ou eBird: qual aplicativo usar

O eBird é a plataforma que reúne os registros do mundo todo, pelo site ou pelo aplicativo no celular. O Merlin Bird ID ajuda quem não sabe o nome do bicho: o Sound ID reconhece o canto e o Photo ID reconhece a foto.

No Merlin, depois de identificar a ave, o toque em “This is my bird” guarda a observação do dia. Quem usa os dois aplicativos pode ligar o Merlin ao eBird nas configurações, e assim as identificações entram na contagem global.

O que entra na lista e o que fica de fora

Vale a ave que você ouviu, desde que tenha certeza de qual é. As regras de lista do eBird pedem uma data e um local por lista, e a ave tem de estar solta.

Ave de gaiola, ave morta e contagem zero não entram. Quem anota só o que viu deve marcar a lista como incompleta.

O eBird também lançou um desafio de sons: enviar ao menos uma gravação de canto no sábado. Na edição de outubro do ano passado foram 2.780 gravações. O aplicativo Merlin, com o Sound ID, é o gravador recomendado.

A conta do último Big Day: a América do Sul rende muito por pessoa

O painel do Global Big Day de 9 de maio de 2026 registrou 8.094 espécies no mundo. A redação cruzou os números e achou um padrão: a América do Sul tem 12,2% dos observadores, mas responde por 36,5% das espécies.

Painel do eBird, 9 de maio de 2026MundoAmérica do SulFatia da América do Sul
Espécies registradas8.0942.95736,5%
Listas enviadas209.22440.95519,6%
Observadores (eBirders)84.54210.32612,2%
Listas por observador2,54,0

Arte: Watts & Wild, com dados do painel do Global Big Day do eBird (Laboratório de Ornitologia de Cornell). Fatias e médias calculadas pela redação.

Cada observador sul-americano enviou, em média, 4,0 listas, contra 2,5 na média mundial. Quem observa por aqui tende a repetir a saída, e isso ajuda a explicar o peso do continente na contagem.

Quais aves esperar por aqui em outubro

Águia-pescadora levantando voo da água com asas abertas e respingos, em rio de Uarini, no Amazonas
Águia-pescadora em Uarini (AM), em 2010. Foto: Cláudio Dias Timm, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0, recortada.

Outubro é primavera no Hemisfério Sul, e é quando as aves migratórias chegam. A integrante do projeto Óia Passarinhar Letícia Martins citou ao Jornal Opção a águia-pescadora, que vem da América do Norte e fica no Brasil de outubro a maio, e alguns maçaricos.

Em Juiz de Fora (MG), a UFJF lista o gavião-tesoura, a juruviara, o bem-te-vi-rajado, a tesourinha, o falcão-peregrino e o andorinhão-do-temporal como migratórias totais ou parciais da cidade. Algumas já foram vistas no Jardim Botânico.

Ave de passagem não é a única que vale registrar. Toda espécie vista no dia conta, da mais comum à mais rara, como o bem-te-vi, um dos mais fotografados do Brasil. Quem quer ver mais aves na cidade pode ler o estudo sobre aves e calor extremo em 1.039 cidades.

Onde há passarinhada organizada no sábado

Em Goiânia, o projeto de extensão Óia Passarinhar, da UFG, faz uma passarinhada às 7h na Piscicultura Frutos d’Água, nas Chácaras de Recreio Samambaia. É gratuita, sem inscrição, e os binóculos são emprestados. Participam de crianças a idosos.

Tuiuiú em voo baixo sobre campo no Pantanal, com asas abertas, pescoço preto e papo vermelho
Tuiuiú no Pantanal de Mato Grosso, em 2015. Foto: Andreas Trepte, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

Segundo Letícia, o lugar é aquático e concentra diversidade: dá para ver o tuiuiú e maçaricos de bico longo. Na passarinhada de setembro, 21 pessoas registraram cerca de 61 espécies em duas a três horas, e a expectativa é de 50 a 80 espécies no sábado.

A recomendação do grupo é ir com sapato fechado, calça comprida, camiseta de manga longa com proteção UV, chapéu, protetor solar e água. “A gente leva a palavra do passarinho”, resume Letícia, para quem o objetivo é que as pessoas passem a prestar atenção nas aves da própria cidade.

Em Juiz de Fora, o Jardim Botânico da UFJF recebe atividades nos dias 10 e 11, das 9h30 às 16h30, com observação com binóculos perto do lago, reconhecimento de cantos, exposição de aves taxidermizadas e o curta Pipo. Também é aberto e sem inscrição.

Por que o seu registro serve à ciência

Cada lista enviada amplia a área coberta por quem estuda aves, porque os pesquisadores nem sempre chegam a todos os lugares, explicou Letícia. É o mesmo princípio de outros projetos de ciência cidadã com a NASA, em que o público fornece olhos e tempo.

Quem encontrar um filhote no chão durante a observação deve lembrar que os pais costumam estar por perto, como explica a matéria sobre tocar em filhote de ave.

O que os números de maio não prometem

Os dados da tabela são do evento de maio, de um único dia, e a participação de outubro pode ser diferente. O eBird espera superar os 900.000 participantes da edição de outubro de 2025, mas é uma meta, não um resultado.

Os horários e locais de Goiânia e Juiz de Fora saíram em reportagens de 8 de outubro. Vale confirmar com os organizadores antes de sair de casa, porque chuva ou mudança de última hora pode alterar a programação.

Fontes: eBird, October Big Day 10 Oct 2026. eBird, boas práticas e regras de lista. eBird, painel do Global Big Day de 9 de maio de 2026. Jornal Opção, 8 de outubro de 2026. UFJF, 8 de outubro de 2026.

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