NASA testa gotas super-resfriadas gigantes contra gelo em aviões
A NASA contou em 5 de outubro que testou novas sondas no Túnel de Pesquisa de Gelo do Glenn Research Center, em Cleveland, nos Estados Unidos. Elas medem as gotas de água muito frias que seguem líquidas e congelam na asa quando o avião as atravessa.
Sonda de medição coberta de gelo no túnel de gelo do Glenn Research Center, nos testes de 8 a 11 de junho de 2026. Foto: NASA/Quentin Schwinn, nasa.gov, recortada.
As gotas super-resfriadas grandes são gotas de água a menos de 0 °C que seguem líquidas e congelam ao bater no avião. A NASA diz que o problema é raro, mas persistente, e que a agência melhora os equipamentos de teste para ajudar a indústria americana a entendê-lo, segundo o comunicado de 5 de outubro.
O que são as gotas super-resfriadas
A água de uma nuvem pode ficar abaixo de 32 °F, ou 0 °C, e não congelar. Ela só vira gelo quando encontra poeira ou outra partícula minúscula em volta da qual possa formar cristais.
Quando um avião atravessa gotas grandes assim, elas congelam rápido nas superfícies sem proteção contra gelo. É esse o foco do teste.
Do que o avião dá conta e do que não dá
Os aviões são projetados para o gelo típico, com gotas de 2 a 100 mícrons de diâmetro. Um fio de cabelo humano tem cerca de 70 mícrons de largura, compara a NASA.
Em casos mais raros, a nuvem traz gotas de até 2.000 mícrons, ou 2 milímetros. A agência compara com a chuva congelante que molha o chão. Essas gotas grandes podem bater ou espirrar na parte de trás da aeronave, atrás dos sistemas convencionais de proteção contra gelo.
As sondas que medem cada gota
As ferramentas que a indústria usa para projetar aviões funcionam bem em nuvens típicas, diz a NASA. Os engenheiros têm dúvidas sobre se elas descrevem direito a física das gotas grandes.
Para responder, a agência melhora o equipamento que gera e mede nuvens de teste no túnel de Cleveland. Os pesquisadores experimentaram sondas novas que calibram o tamanho das gotas das nuvens do túnel.
Uma sonda enxerga gotas maiores que 45 mícrons e analisa o tamanho em tempo real. Outra mede as menores que 45 mícrons. Juntas, dão o espectro completo de tamanhos.
A NASA vai comparar a medição em tempo real com a técnica antiga, trabalhosa, que processa depois as imagens das gotas. Os testes foram de 8 a 11 de junho de 2026.
Um marco do projeto de voo subsônico
A campanha de testes é um marco do Subsonic Flight Demonstrator, projeto da Diretoria de Missão de Pesquisa e Tecnologia da NASA. A agência liga o trabalho ao programa Integrated Aviation Systems.
Gelo no céu e gelo caindo no Sul
O gelo que preocupa a aviação é outro assunto que o granizo do Sul do Brasil, feito de pedras de gelo. Aqui a gota ainda é líquida quando atinge o avião. Sobre o granizo daqui, veja por que o Sul tem mais granizo.
O que a NASA ainda não mostrou
O comunicado não traz números dos testes. A NASA diz apenas que a análise dos dados continua e que a equipe do projeto vai compartilhar os resultados com a comunidade aeroespacial quando terminar, sem dar data.
Também não é um novo sistema contra gelo: o trabalho melhora a medição das gotas no túnel, que serve para checar as ferramentas de projeto. O texto da agência fala em testes de túnel com a indústria americana, não em voos.
Fonte: NASA, "NASA Testing Aims at Supercooled Large Droplet Aviation Safety", 5 de outubro de 2026.



