NASA prevê entregar rovers ao polo sul da Lua até 2028 para mapear terreno por controle remoto antes da chegada de astronautas
A NASA prevê levar veículos de exploração capazes de transportar astronautas ao polo sul da Lua até 2028, para que comecem a mapear o terreno sob controle da Terra antes das futuras missões tripuladas.
Imagem: Divulgação/NASA. Origem: nasa.gov.
Em atualização divulgada nesta terça-feira, 20 de outubro, a agência informou que Astrolab e Lunar Outpost desenvolvem os rovers e que a Blue Origin ficará responsável pela entrega à superfície lunar.
O que aconteceu: a agência apresentou o andamento dos veículos lunares, chamados de LTVs, e dos testes que antecedem sua fabricação final. A previsão é receber os equipamentos prontos para voo no fim de 2027.
Por que importa: veículos já ampliaram a exploração humana da Lua desde a Apollo 15, em 1971, primeira missão a utilizar um rover. No plano atual, eles também trabalharão sem astronautas a bordo, reunindo informações sobre terreno, iluminação e consumo de energia antes de serem usados pelas tripulações.
O que muda para você: não há efeito imediato anunciado sobre a rotina ou o bolso. Para quem acompanha a exploração espacial, o avanço será medido por testes, revisões de projeto e entregas de equipamentos. O prazo de 2028 se refere ao transporte dos rovers até a Lua, não à conclusão de uma base habitada.
Mapeamento remoto deve anteceder o transporte de astronautas
Os LTVs serão enviados à região do polo sul lunar por meio da iniciativa Commercial Lunar Payload Services, conhecida como CLPS. A Blue Origin recebeu a tarefa de realizar essa entrega até 2028.
Antes da chegada das tripulações que utilizarão os veículos, equipes na Terra deverão operá-los remotamente. A capacidade prevista é de percorrer até 6 quilômetros por dia, coletando dados para produzir mapas de alta resolução.
As operações também servirão para avaliar navegação, iluminação e conservação de energia. Um dos desafios será dirigir entre áreas iluminadas e regiões permanentemente sombreadas, onde a temperatura pode chegar a −203 °C.
Os resultados devem orientar o desenvolvimento de veículos e infraestrutura para permanências mais longas na Lua. Isso inclui entender como os equipamentos respondem ao ambiente antes de depender deles para transportar pessoas.
Quadro de serviço: etapas e capacidades previstas
- Veículos em desenvolvimento: CLV-1, da Astrolab, e Pegasus, da Lunar Outpost.
- Entrega à NASA: equipamentos prontos para voo previstos para o fim de 2027.
- Chegada à Lua: transporte pela Blue Origin previsto até 2028.
- Primeira função: operação remota para reconhecimento do terreno e testes de funcionamento.
- Capacidades anunciadas: até 6 km por dia em operação remota, até 10 km por carga e transporte de até 80 kg de amostras e ferramentas.
- O que ainda depende de validação: desempenho dos veículos completos, resultados dos testes e cumprimento do cronograma até o pouso.
Distância diária e autonomia por carga são medidas diferentes
Os números apresentados pela NASA descrevem aspectos distintos da operação. Percorrer até 6 quilômetros em um dia não é o mesmo que ter autonomia de até 10 quilômetros com uma carga.
A primeira medida se refere ao deslocamento diário previsto durante a operação remota. A segunda indica a distância que o veículo deverá conseguir percorrer usando uma carga da bateria.
Nenhuma delas representa, isoladamente, uma distância segura de afastamento para astronautas. O planejamento de cada percurso terá de considerar as condições da missão e a necessidade de retorno.
Quando houver tripulação na superfície, os LTVs deverão apoiar até três atividades extraveiculares por missão Artemis. Os astronautas poderão dirigir até áreas de interesse geológico e transportar amostras e ferramentas.
Astronautas já avaliaram modelos dos dois veículos
A Astrolab desenvolve o CLV-1 a partir da arquitetura de seu veículo FLEX. A empresa entregou um modelo à Axiom Space, onde astronautas avaliaram o espaço da tripulação, o desenho do rover e as interfaces dos painéis usando modelos dos trajes lunares Artemis.
A Lunar Outpost trabalha no Pegasus, uma evolução mais leve de seu projeto Eagle. Um terceiro modelo estático foi entregue ao Centro Espacial Johnson, depois da construção de duas versões anteriores.
Nesse caso, astronautas usaram trajes pressurizados para avaliar facilidade de uso, conforto e configuração do veículo.
Esses ensaios não equivalem à validação de um rover pronto para operar na Lua. Eles permitem identificar problemas de acesso, alcance dos comandos e acomodação antes da conclusão do equipamento de voo.
Rodas e direção serão testadas em ambiente lunar simulado
Nas próximas semanas, equipes das duas empresas deverão realizar avaliações no Centro de Pesquisa Glenn, da NASA.
A Astrolab testará rodas flexíveis sem ar em uma superfície lunar simulada. A Lunar Outpost avaliará a tração, a mobilidade e a interação de seus pneus de malha de molas com o solo.
Nos meses seguintes, estão previstos testes com modelos dirigíveis e participação de astronautas. A revisão preliminar de projeto da Lunar Outpost está programada para outubro; a da Astrolab, até o fim de dezembro.
Segundo a atualização, ambas mantêm a previsão de entregar os equipamentos prontos para voo no fim de 2027.
VIPER terá missão separada para investigar água
O VIPER integra a preparação para a exploração do polo sul, mas tem função diferente dos veículos de transporte de astronautas. Sua missão robótica está prevista para 2027 e deverá procurar água e outros recursos em crateras permanentemente sombreadas.
O rover está construído e passa por testes finais no Centro Espacial Johnson. Depois, deverá seguir para o Centro Espacial Kennedy, de onde será preparado para o lançamento.
A entrega à superfície está prevista com um módulo Blue Moon Mark 1. O percurso planejado supera 30 quilômetros, com coleta de informações sobre temperatura, iluminação e terreno.
Enquanto os LTVs devem demonstrar como transportar pessoas e equipamentos, o VIPER investigará recursos que poderão apoiar futuras operações. São tarefas complementares, com veículos e cronogramas próprios.
Fonte: nasa.gov.
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Fonte: nasa.gov.
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