Museu Goeldi faz 160 anos e leva a ciência da Amazônia ao público
A jiboia mata enrolando o corpo? A sucuri engole um boi? Foram perguntas de visitantes no Parque Zoobotânico, em Belém, na terça-feira (6/10), quando o Goeldi completou 160 anos. Dezenove pesquisadores responderam em trilhas e exposições, e o parque abre de quarta a domingo, com ingresso de R$ 3.
Pavilhão no Parque Zoobotânico do museu, em Belém, em junho de 2012. Foto de arquivo: JLPizzol, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.
O Museu Paraense Emílio Goeldi completou 160 anos em 6 de outubro de 2026 e passou o dia no Parque Zoobotânico, em Belém, conversando com o público. A instituição, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, foi criada em 1866, segundo a Agência Museu Goeldi.
Dezenove cientistas no parque, de crianças a idosos
As atividades foram planejadas pelo Serviço de Educação do museu. Reuniram 19 pesquisadores, graduandos, mestres e doutores de áreas como história, geologia, herpetologia, ictiologia, zoologia, entomologia e arqueologia.
A maioria saiu da própria casa. Houve também jovens cientistas da UFPA e da Uepa. Um grupo de crianças da educação infantil chegou cedo para uma aula diferente, e visitantes de Belém e de outros estados fizeram trilhas e mediações nas exposições.
O que o Museu Goeldi diz de si aos 160 anos
O diretor, Nilson Gabas Júnior, falou aos servidores, bolsistas e terceirizados por canais internos e chamou a data de marco histórico. Destacou as três bases do museu no Pará: o Parque Zoobotânico e o Campus de Pesquisa, em Belém, e a Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã.
Para ele, esses lugares transformam ciência em educação pública, conservação e orgulho da identidade amazônica. Gabas Júnior afirmou que o museu lidera a pesquisa sobre biodiversidade, geodiversidade, línguas e culturas da Pan-Amazônia.
Perguntas que começam pelas cobras
No Aquário Jacques Huber, o herpetólogo Alexandre Missassi respondeu a uma turma perguntadora. Segundo ele, querem saber se tal cobra é venenosa e do que ela se alimenta. Havia animais trocando de pele, e alguém notou a diferença: os outros trocam aos pedaços, a serpente troca tudo de uma vez.
Missassi está no museu desde 2012, fez mestrado e doutorado ali e hoje tem bolsa de pesquisa. Ele lembrou que já esteve do outro lado: um dia foi visitante e perguntava. Para ele, chegar aos 160 anos é resistência, porque a ciência no Brasil nem sempre é valorizada.
Quem se interessa por cobras também pode ler sobre a sucuri-amarela de quase 4 metros filmada na Transpantaneira.
Quem está há décadas na casa
A pesquisadora emérita Lucia Hussak van Velthem entrou como bolsista em 1973 e virou servidora dois anos depois. São 52 anos de vínculo, e ela ainda levantava itens do acervo para a exposição Diversidades no dia da festa.
Suzana Karipuna chegou como estagiária em 1987 e hoje participa de pesquisas e curadorias sobre povos indígenas. Ela é do território karipuna, em Santa Isabel, no Amapá, e disse que o museu entende a importância da guarda da cultura material desses povos.
Onde ver cada exposição
| Espaço | Onde fica | O que o texto do museu registra |
|---|---|---|
| Exposição Diversidades Amazônicas | Térreo do Centro de Exposições Eduardo Galvão | O geólogo Maurício Brito explicou o tempo geológico, os fósseis e a megafauna do pleistoceno |
| Exposição Katxar Kum Neero, nossos lugares verdadeiros | Mezanino do mesmo prédio | Recebeu visitantes com pesquisadores mediadores |
| Exposição Ahetxiê, um tesouro da costa amazônica | Aquário Jacques Huber | Peixes e répteis em conversa com ictiólogos e herpetólogos |
| Coleção viva de fauna e flora | Parque Zoobotânico, Belém | Árvores, aves, vitória-régia e o jacaré-açu Alcino, que viveu no parque e hoje está numa exposição |
Arte: Watts & Wild, com dados da Agência Museu Goeldi de 7 de outubro de 2026.
Como visitar o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi
O parque fica na Avenida Magalhães Barata, 376, no bairro São Braz, em Belém. Abre de quarta a domingo, das 9h às 16h. O ingresso custa R$ 3, com as gratuidades previstas em lei, segundo o museu.
O antropólogo Marco Antonio, de Teresina, que visitava Belém com o filho, contou que foi ao parque justamente porque era aniversário e, segundo ele, a entrada era de graça. Esse é um relato de visitante: o texto do museu não traz a regra do dia.
Quem quer conhecer o acervo científico por trás da visita encontra mais em a coleção de mamíferos do Goeldi, a segunda maior do país. Para a programação de outros eventos, vale ver as atividades do museu na Semana de Museus.
O que a fonte permite afirmar e o que ela não cobre
Os números, as falas e o serviço de visita vêm de um texto do próprio museu, e não de apuração independente. Horário e preço valem na data de publicação, 7 de outubro de 2026, e podem mudar.
O texto não traz o total de visitantes do dia nem a programação dos próximos meses. Confira antes de ir no site do museu, em gov.br/museugoeldi.
Fontes: Agência Museu Goeldi/gov.br, 7 de outubro de 2026.



