Ciência

“Ilha” de lavoura no meio do pântano: Landsat mostra o campo mais ao norte de Manitoba mudar de verde a marrom

Em dois quadros do satélite Landsat, tirados com 81 dias de diferença, uma mancha de lavouras no norte de Manitoba, no Canadá, troca o verde de julho pelo bege e marrom de setembro. A NASA publicou o par em 1º de outubro. Ele mostra a colheita avançando num pedaço de terra firme cercado de pântano.

Imagem de satélite Landsat mostra a lavoura no delta do Saskatchewan, Canadá: campos retos cercados por pântanos e lagos

Imagem: NASA Earth Observatory, de Michala Garrison, com dados Landsat do Serviço Geológico dos EUA (USGS), recortada. Landsat 8, 21 de setembro de 2026: a mancha clara no canto inferior esquerdo é a lavoura já colhida. Fonte: NASA.

A área agrícola mais ao norte de Manitoba, no Canadá, passou do verde para o marrom entre 2 de julho e 21 de setembro de 2026, segundo imagens dos satélites Landsat 9 e Landsat 8. O par de imagens saiu em 1º de outubro no Image of the Day do Observatório da Terra da NASA.

Terra firme num delta alagado

O delta do rio Saskatchewan é um grande delta interno entre as províncias canadenses de Saskatchewan e Manitoba. Boa parte dele é úmida demais para agricultura em larga escala, de acordo com a NASA.

Mas, no meio de canais sinuosos, lagos e brejos, aparece uma "ilha" de campos de bordas retas, a oeste da cidade de The Pas. É a lavoura no delta do Saskatchewan que sobressai no mapa: seus cantos retos destoam das curvas da água ao redor.

A lavoura no delta do Saskatchewan passa de 40 mil hectares

A região se chama Carrot River Valley (Pasquia Area Settlement) e fica no município rural de Kelsey. A terra cultivada passa de 40 mil hectares, ou 100 mil acres, entre os rios Carrot e Pasquia, afluentes do Saskatchewan.

Em quilômetros quadrados, a conta da redação dá cerca de 400. Em volta ficam áreas úmidas, entre elas os brejos da Saskeram Wildlife Management Area, ao norte. O próprio município de Kelsey descreve o vale como a área agrícola mais ao norte de Manitoba.

Imagem de satélite de 2 de julho de 2026 mostra os campos retos do delta do Saskatchewan quase todos em verde vivo, cercados de pântano e lagos
Imagem: NASA Earth Observatory, de Michala Garrison, com dados Landsat do Serviço Geológico dos EUA (USGS), recortada. Landsat 9, 2 de julho de 2026: a maior parte das lavouras está verde. Fonte: NASA.

Julho: campos verdes e plantio atrasado

A imagem de 2 de julho, do Landsat 9, mostra lavouras verdes em muitos dos campos. O plantio ali começou mais tarde do que no sul da região noroeste de Manitoba, por causa do solo molhado.

Mesmo assim, a NASA lembra que solo fértil e dias longos de verão em latitude alta ajudam as plantas a crescer rápido.

Setembro: o padrão virou

Na imagem de 21 de setembro, do Landsat 8, o quadro se inverteu: o que era verde ficou bege e marrom. A explicação da NASA é a colheita, mas o avanço dela não foi igual em toda a região.

Em The Pas, a chuva da semana anterior foi de 1,6 milímetro. Em outros pontos do noroeste de Manitoba, chegou a 43,9 milímetros e atrasou o trabalho. Até aquele momento, os agricultores da região tinham colhido cerca de 10% da canola e 50% do trigo de primavera.

O que cresceu e como o satélite ajuda a contar

Os dados do Landsat alimentam o inventário anual de culturas do Departamento de Agricultura e Agroalimentar do Canadá. O de 2026 ainda não tinha saído no fim de setembro.

No mapa de 2025, os produtores do vale plantaram sobretudo canola e trigo de primavera, com pequenas manchas de alpiste (canary seed).

Imagem de satélite de 21 de setembro de 2026 em quadro aberto mostra a ilha de campos, a cidade de The Pas, o rio e um grande lago azul no delta do Saskatchewan
Imagem: NASA Earth Observatory, de Michala Garrison, com dados Landsat do Serviço Geológico dos EUA (USGS), quadro completo. Landsat 8, 21 de setembro de 2026: a cidade de The Pas fica no encontro de estradas e rio, ao lado da ilha de lavouras. Fonte: NASA.

Uma lavoura que depende de dique e bomba

Controlar a água sempre foi o desafio do vale. Um grande projeto de controle de cheias e drenagem começou na década de 1950. Hoje a lavoura ainda depende de diques e bombas para se proteger de alagamentos.

A mesma lógica aparece em outros rios vistos do espaço pela NASA, como no caso do Gandak, no Nepal e na Índia, com diques sob pressão da cheia.

Mais a leste no Canadá, a baía James mostra rios cor de chá nas imagens da agência, e um mapa de satélite também já revelou uma cratera de impacto de 25 km em Quebec.

O que a imagem não diz

As imagens de 2026 não trazem a cultura de cada campo, e o inventário do ano ainda não tinha saído no fim de setembro. As porcentagens de colheita valem para a região noroeste de Manitoba como um todo, não só para o vale.

As datas das imagens são 2 de julho e 21 de setembro, e a matéria da NASA saiu em 1º de outubro. O inventário anual de culturas do Canadá é o dado oficial que vai mostrar o que foi plantado em 2026.

Fontes: NASA Earth Observatory, Image of the Day de 1º de outubro de 2026, por Michala Garrison (imagens) e Kathryn Hansen (texto). Município rural de Kelsey.

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