A Geminídeas, chuva de meteoros nascida de um asteroide e não de um cometa, tem pico entre 13 e 14 de dezembro de 2026 e pode ser vista em todo o Brasil sem a interferência forte da Lua
A Geminídeas é considerada pela Nasa a chuva de meteoros mais intensa do calendário, com até 120 riscos de luz por hora no pico sob céu escuro. Diferente da maioria, ela vem de um asteroide, o 3200 Faetonte, não de um cometa, o que deixa os meteoros mais densos e amarelados.

Dezenas de meteoros da Geminídeas riscam o céu sobre o telescópio Mayall, no Kitt Peak National Observatory, no Arizona, em dezembro de 2023. Foto: KPNO/NOIRLab/NSF/AURA/R. Sparks/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
A Geminídeas, uma das chuvas de meteoros mais aguardadas do ano, terá seu pico de atividade na madrugada entre 13 e 14 de dezembro de 2026. O evento é anual e costuma render o maior número de riscos de luz por hora entre todas as chuvas visíveis da Terra.
Ao contrário da imensa maioria das chuvas de meteoros, que nascem de poeira deixada por cometas, a Geminídeas vem de um asteroide, o 3200 Faetonte, segundo a Nasa. Essa origem diferente é o que torna o fenômeno especial entre astrônomos amadores e profissionais.
Resumindo o que importa: o pico cai numa noite de lua bem fina, o que deixa o céu escuro na maior parte da madrugada, segundo o portal de astronomia Star Walk. A Nasa estima até 120 meteoros por hora sob céu limpo, embora o observador comum costume ver bem menos que isso.
Por que a Geminídeas vem de um asteroide, e não de um cometa
A maioria das chuvas de meteoros surge quando a Terra atravessa a trilha de poeira solta por um cometa em degelo. A Geminídeas é diferente: sua origem é o asteroide 3200 Faetonte, que não tem a camada de gelo típica de um cometa.
Os fragmentos do Faetonte são mais densos que a poeira cometária, segundo a Nasa, o que ajuda a explicar por que os meteoros da Geminídeas costumam ser brilhantes e rápidos. Cientistas ainda discutem se o Faetonte é um cometa que perdeu todo o gelo com o tempo.
O asteroide Faetonte e a órbita que cruza a da Terra
O 3200 Faetonte pertence ao grupo Apollo de asteroides, cujas órbitas cruzam a da Terra. Tem cerca de 6 quilômetros de diâmetro e foi descoberto em 1983 por um satélite da Nasa, o IRAS, o primeiro asteroide localizado dessa forma.
A rocha passa relativamente perto do Sol em cada volta, o que aquece sua superfície e ajuda a soltar fragmentos. Esses pedaços se espalham ao longo da órbita e formam a trilha de detritos que a Terra atravessa todo mês de dezembro.

Quando é o pico da chuva em dezembro de 2026
O pico de atividade da Geminídeas em 2026 está previsto para a noite de 13 para 14 de dezembro, segundo o portal de astronomia Star Walk. A atividade mais forte deve se concentrar depois da meia-noite, quando o radiante sobe mais alto no céu.
A chuva tem uma janela longa de atividade, com meteoros visíveis desde o início de dezembro até depois do dia 20, mas é só nessa madrugada de pico que a taxa horária chega perto do máximo estimado pela Nasa.
Por que a Lua deve atrapalhar pouco a observação este ano
Em 2026, a Lua está na fase minguante crescente bem fina na noite do pico, com iluminação em torno de 20%, segundo o Star Walk. Esse fio de Lua se põe cedo, o que deixa o céu escuro durante boa parte da madrugada, justamente na hora de maior atividade.
Anos em que a Lua cheia coincide com o pico costumam apagar os meteoros mais fracos, porque o brilho lunar ofusca o céu. A combinação de pico com Lua fraca é o que faz 2026 ser apontado como um ano favorável para quem quiser observar sem prejuízo do luar.
Por que os meteoros da Geminídeas saem mais amarelados
A Nasa descreve os meteoros da Geminídeas como brilhantes, rápidos e de tom amarelado. A cor vem dos elementos que compõem os fragmentos do Faetonte, queimando na atmosfera em velocidades de dezenas de quilômetros por segundo.
Outras chuvas do calendário, vindas de cometas, tendem a produzir riscos mais esbranquiçados ou azulados, porque a composição da poeira cometária é diferente da rocha densa que forma a trilha da Geminídeas.

Como observar a chuva a olho nu, sem telescópio
A Nasa recomenda observar a Geminídeas a olho nu, sem telescópio nem binóculo, porque esses instrumentos reduzem o campo de visão e fazem perder boa parte dos riscos de luz. O ideal é um local escuro, longe da iluminação da cidade.
Deitar de costas e olhar para o alto do céu amplia bastante o campo de observação, segundo a agência. Os olhos levam de 20 a 30 minutos para se acostumar com o escuro, então vale esperar antes de contar os primeiros meteoros.
Em que direção do céu procurar o radiante?
O radiante da Geminídeas fica na constelação de Gêmeos, de onde a chuva recebe o nome. No Brasil, ela sobe pelo horizonte norte a partir de cerca das 21h ou 22h, ganhando altura ao longo da madrugada.
Mas os meteoros podem aparecer em qualquer parte do céu, não só perto do radiante. Olhar para uma área ampla, um pouco afastada de Gêmeos, costuma aumentar as chances de flagrar os riscos mais longos.
Por que quem está no Hemisfério Sul vê menos meteoros que no Norte
A Geminídeas rende taxas menores no Hemisfério Sul do que no Hemisfério Norte, porque o radiante na constelação de Gêmeos fica mais baixo no céu brasileiro durante boa parte da noite. Quanto mais baixo o radiante, menos meteoros costumam ser vistos.
Mesmo assim, a chuva ainda rende um bom espetáculo no Brasil depois da meia-noite, quando o radiante ganha altura. A taxa exata que cada observador vai enxergar depende do céu local, sem poluição luminosa nem nuvens.
Como esta chuva se diferencia de outros fenômenos já vistos no céu do Brasil
A Geminídeas não deve ser confundida com um bólido isolado ou um superbólido, fenômenos únicos e muito mais raros que já foram registrados por redes brasileiras de observação. Para entender a diferença entre esses termos, o Watts & Wild já explicou o critério que separa meteoro, bólido e meteorito.
Quem gosta de acompanhar fenômenos raros no céu também pode conferir o eclipse solar mais longo do século, já com data marcada, e a curiosidade de que Vênus não tem nenhuma lua, ao contrário da Terra.
Você já separou uma noite de dezembro para tentar ver a Geminídeas neste ano? Conte nos comentários.



