Animais e natureza

Altamira, no Pará, lidera o ranking de 2026 dos 20 municípios brasileiros com mais focos de calor, com 1.255 registros do satélite de referência do INPE entre janeiro e setembro

Um cálculo próprio com dados públicos do INPE, do satélite de referência, mostra que Altamira, no Pará, teve 1.255 focos de calor entre 1º de janeiro e 23 de setembro de 2026, à frente de Lagoa da Confusão (TO) e Apuí (AM). O Brasil somou 65.355 focos no período, 4,2% a menos que em 2025.

Imagem de satélite mostra fumaça dos focos de calor no Brasil em 2026, na Amazônia, no Pará e no Amazonas

Imagem de satélite MODIS mostra fumaça de incêndios florestais sobre a Amazônia, no Pará e no Amazonas, em agosto de 2022, mesmo padrão que os focos de calor de 2026 voltam a produzir na região. Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC / Wikimedia Commons, domínio público (NASA). Capa recortada em 16:9.

Altamira, no Pará, teve 1.255 focos de calor do satélite de referência do INPE entre 1º de janeiro e 23 de setembro de 2026, mais que o triplo dos 412 de 2025. O município lidera o ranking nacional, à frente de Lagoa da Confusão (TO) e Apuí (AM).

O número vem de um cálculo próprio sobre a base de dados abertos do Programa Queimadas do INPE, cruzando os focos do satélite de referência AQUA_M-T por município em todo o país. No mesmo intervalo, o Brasil somou 65.355 focos, 4,2% a menos que em 2025.

Altamira lidera o ranking nacional de focos de calor de 2026, com 1.255 registros do satélite de referência do INPE entre 1º de janeiro e 23 de setembro, alta de 205% sobre 2025. Os 20 municípios do topo somam 13.020 focos, quase 20% do total do país no período.

Os 20 municípios que mais tiveram focos de calor em 2026

A lista abaixo traz os 20 municípios com mais focos de calor do satélite de referência entre 1º de janeiro e 23 de setembro de 2026, com o total do mesmo período de 2025 e o bioma predominante de cada um.

Onze dos vinte ficam na Amazônia e nove no Cerrado, sinal de que as duas frentes de fogo do país cresceram juntas neste ano.

  1. Altamira (PA): 1.255 focos em 2026 (412 em 2025, alta de 205%), bioma Amazônia.
  2. Lagoa da Confusão (TO): 1.033 focos em 2026 (602 em 2025, alta de 72%), bioma Cerrado.
  3. Apuí (AM): 969 focos em 2026 (503 em 2025, alta de 93%), bioma Amazônia.
  4. São Félix do Xingu (PA): 891 focos em 2026 (490 em 2025, alta de 82%), bioma Amazônia.
  5. Itaituba (PA): 848 focos em 2026 (244 em 2025, alta de 248%), bioma Amazônia.
  6. Colniza (MT): 799 focos em 2026 (881 em 2025, queda de 9%), bioma Amazônia.
  7. Novo Aripuanã (AM): 735 focos em 2026 (358 em 2025, alta de 105%), bioma Amazônia.
  8. Jacareacanga (PA): 687 focos em 2026 (229 em 2025, alta de 200%), bioma Amazônia.
  9. Formoso do Araguaia (TO): 659 focos em 2026 (462 em 2025, alta de 43%), bioma Cerrado.
  10. Novo Progresso (PA): 604 focos em 2026 (100 em 2025, alta de 504%), bioma Amazônia.
  11. Mateiros (TO): 550 focos em 2026 (406 em 2025, alta de 35%), bioma Cerrado.
  12. Paranatinga (MT): 505 focos em 2026 (368 em 2025, alta de 37%), bioma Cerrado.
  13. Caracaraí (RR): 484 focos em 2026 (119 em 2025, alta de 307%), bioma Amazônia.
  14. Marcelândia (MT): 466 focos em 2026 (215 em 2025, alta de 117%), bioma Amazônia.
  15. Formosa do Rio Preto (BA): 460 focos em 2026 (444 em 2025, alta de 4%), bioma Cerrado.
  16. Alto Parnaíba (MA): 458 focos em 2026 (570 em 2025, queda de 20%), bioma Cerrado.
  17. Nova Nazaré (MT): 453 focos em 2026 (203 em 2025, alta de 123%), bioma Cerrado.
  18. Lábrea (AM): 407 focos em 2026 (256 em 2025, alta de 59%), bioma Amazônia.
  19. Pium (TO): 391 focos em 2026 (331 em 2025, alta de 18%), bioma Cerrado.
  20. Balsas (MA): 366 focos em 2026 (465 em 2025, queda de 21%), bioma Cerrado.
Gráfico de barras com os 10 municípios brasileiros com mais focos de calor em 2026, coloridos por bioma
Ilustração: gráfico próprio do Watts & Wild com os 10 municípios com mais focos de calor do satélite de referência em 2026, de 1º de janeiro a 23 de setembro, com dados públicos do INPE (Programa Queimadas).

De onde vêm estes números e o que um foco de calor não prova

Os dados saem do BDQueimadas, banco de dados abertos do Programa Queimadas do INPE, que publica focos detectados por vários satélites. Para comparar 2026 com 2025 sem viés, usei só os registros do satélite de referência, o AQUA_M-T, mantido pelo INPE desde 2002 para dar série histórica confiável.

Um foco de calor marca um ponto quente detectado do espaço, não o tamanho da área queimada nem o número de incêndios: um incêndio grande pode gerar vários focos no mesmo dia, e nuvem ou fumaça densa podem esconder fogo ativo do satélite.

Itaituba e Novo Progresso, no Pará, tiveram os maiores saltos percentuais

Novo Progresso saltou de 100 focos em 2025 para 604 em 2026, alta de 504%, o maior salto percentual entre os 20 municípios do topo. Itaituba passou de 244 para 848, alta de 248%.

Os dois municípios ficam no oeste do Pará, região que concentra a maior parte do desmatamento e da conversão de floresta em pasto detectada pelo INPE nos últimos anos.

Cerrado aparece com força no Tocantins, no Mato Grosso e na Bahia

Lagoa da Confusão, no Tocantins, é o segundo colocado do ranking nacional, com 1.033 focos em 2026 contra 602 em 2025, alta de 72%. Formoso do Araguaia, também no Tocantins, soma 659 focos.

Paranatinga e Nova Nazaré, no Mato Grosso, e Formosa do Rio Preto, na Bahia, completam a lista de municípios do Cerrado entre os 20 primeiros, todos com alta ante 2025.

Três municípios do topo tiveram queda de focos ante 2025

Nem todo município do topo cresceu. Colniza, no Mato Grosso, caiu de 881 focos em 2025 para 799 em 2026, queda de 9%, mas segue entre os dez primeiros do país.

Alto Parnaíba e Balsas, no Maranhão, também tiveram menos focos que no ano anterior, quedas de 20% e 21%, sinal de que nem toda a fronteira de fogo do país está em expansão neste ano.

A fumaça dos focos na Amazônia já chegou ao ar de Manaus

Boa parte dos focos do topo do ranking fica em municípios do Pará e do Amazonas, estados que também respondem pela fumaça que deixou a qualidade do ar de Manaus péssima em setembro. Apuí, no Amazonas, é o terceiro colocado nacional, com 969 focos.

O rio que banha a capital do Amazonas também sente o efeito da seca que acompanha a temporada de fogo: em setembro, o nível do Rio Negro caiu a 20,66 metros e mira a terceira maior seca já registrada na cidade.

Imagem de satélite mostra longa faixa de fumaça de incêndios sobre rios da Amazônia, no Amazonas e no Pará
Fumaça de incêndios florestais forma uma faixa contínua sobre afluentes do rio Amazonas, entre os estados do Amazonas e do Pará, em imagem de satélite de outubro de 2023, durante a seca extrema que atingiu a região naquele ano. Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC / Wikimedia Commons, domínio público (NASA).

O fogo no Cerrado segue um calendário e uma causa diferentes do Pantanal

Enquanto os municípios do Cerrado no topo do ranking concentram fogo de pastagem e de manejo agrícola, a área queimada do Pantanal de Mato Grosso do Sul quase triplicou em 2026, um bioma vizinho mas com dinâmica própria.

O lobo-guará, animal símbolo do Cerrado, depende da lobeira, fruto que ajuda a espalhar pelo bioma, outro sinal de como o fogo e a vegetação do Cerrado estão interligados além do noticiário das queimadas.

Foco de calor é a mesma coisa que incêndio?

Não. Cada foco marca um ponto quente detectado por satélite; um único incêndio grande pode gerar dezenas de focos no mesmo dia, e nuvem ou fumaça densa podem esconder fogo ativo do satélite, então o número de focos não equivale ao tamanho do incêndio.

Por que usar o satélite de referência e não todos os satélites juntos?

Cada satélite tem sensor e horário de passagem diferentes, o que muda a contagem bruta de um ano para outro. O AQUA_M-T é o satélite de referência do INPE desde 2002, mantido justamente para permitir comparar anos diferentes sem esse viés.

O que vem a seguir: a temporada de fogo no Brasil ainda não fechou

Este recorte vai até 23 de setembro, mas a temporada de fogo no Brasil costuma se estender até outubro e novembro em boa parte do Cerrado e da Amazônia, conforme o próprio calendário do INPE.

O painel oficial do Programa Queimadas atualiza os focos todos os dias, por município, estado e bioma, e deve seguir mostrando se o ritmo de 2026 fica acima ou abaixo de 2025 até o fim da temporada. Qual desses 20 municípios fica mais perto de você? Conte nos comentários.

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