Um estaleiro de Santa Catarina entregou um navio de R$ 450 milhões com 92 metros e capacidade para 9 mil toneladas, e a tripulação da viagem inaugural escondia um detalhe raro no setor de petróleo
Batizado no Rio de Janeiro em 17 de setembro, o Starnav Elektra saiu de Itajaí (SC) para operar em plataformas de petróleo da Petrobras.
O Starnav Elektra, batizado no Rio de Janeiro em 17 de setembro. Foto: Starnav/Divulgação.
O Starnav Elektra saiu do Estaleiro Detroit, em Itajaí, depois de um investimento de R$ 450 milhões da Petrobras. Com 92 metros de comprimento e capacidade para quase 9 mil toneladas, o navio vai abastecer plataformas de petróleo. O batismo aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro.
Starnav Elektra é o nome do mais novo navio de apoio a plataformas de petróleo construído no Brasil, batizado em 17 de setembro no Rio de Janeiro depois de sair do Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC).
Segundo o ND Mais, a embarcação custou R$ 450 milhões, tem 92 metros de comprimento e capacidade para quase 9 mil toneladas, e pertence à frota que a Starnav opera para a Petrobras.
O navio saiu de Santa Catarina rumo ao Rio de Janeiro na viagem inaugural, e quem comandou a operação foi uma tripulação formada só por mulheres, 16 ao todo, sob o comando da comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon, um feito raro no setor de apoio marítimo a petróleo.
Estaleiro Detroit entrega o Starnav Elektra, 1º navio do Programa Mar Aberto
O Starnav Elektra saiu do Estaleiro Detroit, em Itajaí, litoral norte de Santa Catarina. Ele é a primeira embarcação entregue dentro do Programa Mar Aberto da Petrobras, a iniciativa da empresa para renovar e ampliar a frota de apoio marítimo.
A Petrobras é a cliente final do navio, mas quem opera a embarcação no dia a dia é a Starnav, empresa de navegação contratada para o transporte de suprimentos até as plataformas.
R$ 450 milhões e 92 metros de comprimento
A construção do Starnav Elektra custou R$ 450 milhões. O valor cobre o casco, os motores, os sistemas de navegação e os equipamentos de carga da embarcação, do início ao fim do projeto.
Com 92 metros de comprimento, o navio equivale a um prédio de mais de 25 andares deitado na água, uma escala comum entre os PSVs que abastecem plataformas na costa brasileira.
Starnav Elektra tem capacidade para quase 9 mil toneladas
O Starnav Elektra tem porte bruto de 8.857 toneladas, o equivalente a quase 9 mil toneladas de carga. É esse peso que define quanto combustível, água e equipamento o navio consegue levar numa única viagem.
Quanto maior a capacidade, menos viagens a plataforma precisa esperar por reposição, o que reduz o tempo parado e o custo da operação para a Petrobras.
O que faz um PSV numa plataforma de petróleo?
PSV é a sigla em inglês para Platform Supply Vessel, ou navio de apoio a plataformas. Na prática, é o caminhão de entrega do mar: leva comida, água, combustível, produtos químicos e peças até as unidades que extraem petróleo mar adentro.
Sem esses navios, uma plataforma isolada no meio do oceano ficaria sem reposição em poucos dias. O Starnav Elektra vai cumprir essa função nas bacias petrolíferas onde a Petrobras opera no Brasil.
Batismo aconteceu no Píer Mauá, no Rio de Janeiro
O batismo do Starnav Elektra aconteceu em 17 de setembro, no Armazém do Porto do Rio, no píer Mauá, no centro do Rio de Janeiro. O evento marcou a entrega oficial da embarcação para a operação comercial.
Antes da cerimônia, o navio já tinha cumprido sua primeira missão: a viagem de Santa Catarina até o Rio de Janeiro, saindo direto do estaleiro que o construiu.
Dezesseis mulheres comandaram a viagem inaugural do navio
A viagem que levou o Starnav Elektra de Santa Catarina ao Rio de Janeiro teve uma tripulação de 16 mulheres, do comando à casa de máquinas. É a primeira vez que uma embarcação desse tipo navega com equipe inteiramente feminina no setor.
O grupo assumiu todas as funções da operação durante a travessia, historicamente ocupadas quase só por homens na navegação de apoio a plataformas de petróleo. É o tipo de história curiosa que rende matéria, como a de uma população de porcos numa ilha remota que virou tesouro para a ciência.
Isabela Teixeira Ponce de Leon foi a comandante da travessia
Quem comandou o Starnav Elektra na viagem inaugural foi Isabela Teixeira Ponce de Leon. Ela liderou a tripulação inteiramente feminina no trajeto entre o estaleiro catarinense e o Rio de Janeiro.
A presença de uma comandante à frente de um navio recém-construído reforça o simbolismo do batismo, que a Petrobras tratou como marco dentro do Programa Mar Aberto.
Banco de baterias e telemetria reduzem o consumo de combustível
O Starnav Elektra chega com sistemas de geração e distribuição de energia modernizados, incluindo bancos de baterias a bordo. Uma telemetria monitora o consumo de combustível em tempo real durante a operação.
O casco também recebeu novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação, que evitam o acúmulo de organismos marinhos e ajudam a reduzir o gasto de combustível e as emissões do navio. Curiosidade de energia à parte: também foi assim que cientistas confirmaram que o T-Rex tinha sangue quente.
A meta de 96 embarcações não é só feita de navios como o Elektra
A Petrobras contratou 48 embarcações até o fim de 2026 dentro do Programa Mar Aberto, segundo a presidente Magda Chambriard. Para 2027, a meta sobe para 96 embarcações entregues.
Esse número maior inclui barcaças e empurradores, não apenas navios de porte como o Starnav Elektra. O PSV catarinense é uma peça dentro de uma frota bem mais variada, do mesmo jeito que uma nova cratera encontrada na Lua é só uma peça dentro de um mapa muito maior do espaço.
Starnav soma 48 contratos com a Petrobras até o fim do ano
Para a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, usar frota própria como o Starnav Elektra tem efeito direto no caixa da empresa. "São projetos que nos trazem mais eficiência e lucro", disse ela no batismo, segundo o Brasil de Fato. "Quando utilizamos nossa própria frota, estamos economizando recursos e valorizando o portfólio", completou.
O Starnav Elektra segue agora para as bacias petrolíferas brasileiras, onde vai operar como apoio às plataformas da Petrobras. Você acha que ver mulheres comandando um navio desse porte deveria virar rotina no setor de petróleo, ou ainda é uma exceção que merece essa festa toda? Deixe sua opinião nos comentários.



