A jiboia, planta trepadeira presente em quase toda casa e apartamento do Brasil, tem cristais de oxalato de cálcio que irritam a boca de cães e gatos quando a folha é mordida
Nativa do Pacífico e batizada com o mesmo nome popular de uma cobra brasileira, a Epipremnum aureum é uma das plantas ornamentais mais comuns em vasos e apartamentos e está entre as que mais aparecem em relatos de mordida de cão e gato.
Folhas de Epipremnum aureum, a jiboia de vaso, planta comum em casas e apartamentos brasileiros. Foto: Joydeep/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
A jiboia de vaso (Epipremnum aureum) tem cristais de oxalato de cálcio que irritam a boca de cães e gatos quando a folha é mordida. A ASPCA e um caso clínico publicado pelo CRMV-SP mostram os sinais a observar em casa e o momento certo de procurar um veterinário, sem remédio caseiro.
Se o seu cão ou gato mordeu a jiboia da sala, o assunto aqui é a planta Epipremnum aureum, a trepadeira de folhas verdes com manchas amarelas comum em estantes e varandas. Ela não tem relação com a cobra que leva o mesmo nome popular no Brasil.
A planta é vendida em floriculturas e supermercados como espécie de baixa manutenção, que cresce à meia-sombra e tolera esquecimento de rega. Por isso virou item comum em salas e apartamentos, quase sempre ao alcance de cães e gatos que circulam livres pela casa.
Sim, a jiboia faz mal para gato e cachorro. Suas folhas têm cristais de oxalato de cálcio que se cravam na boca do animal ao ser mordida, segundo a ASPCA. O quadro costuma ficar na boca e no estômago, mas pode evoluir, como mostrou um caso do CRMV-SP, por isso o certo é procurar um veterinário.
O que é a jiboia e por que ela está em quase toda casa brasileira
A jiboia de vaso, nome científico Epipremnum aureum, é uma trepadeira de folhas verdes com manchas amarelas ou brancas. É nativa de ilhas do Pacífico e hoje é cultivada como planta de interior no mundo inteiro, também chamada de jiboia-verde no Brasil.
Por crescer rápido e sobreviver bem dentro de casa, a espécie virou presença comum em salas, cozinhas e varandas. Muitas vezes fica em vasos baixos ao alcance de patas e focinhos, o que a torna item recorrente em casos de mordida de pet.
Jiboia planta ou jiboia cobra? O nome é o mesmo, o risco é outro
O nome popular "jiboia" também designa uma cobra da família Boidae encontrada no Brasil, o que confunde quem pesquisa o assunto. Vale reforçar: o risco tratado aqui é o da planta, não o de um encontro com o réptil, que tem outra biologia.
A Epipremnum aureum pertence à família Araceae, a mesma dos filodendros e das copos-de-leite. É um grupo conhecido por reunir espécies com cristais de oxalato de cálcio nas folhas, a substância por trás da irritação na boca do pet.
O que os cristais de oxalato de cálcio fazem na boca do animal
Segundo a ASPCA, as folhas da jiboia contêm oxalatos de cálcio insolúveis: cristais microscópicos em forma de agulha, espalhados pelo tecido da planta. Quando o animal morde a folha, esses cristais se soltam e se cravam na mucosa da boca, da língua e da garganta.
O resultado é dor e ardência imediatas, o que costuma fazer o bicho parar de mastigar antes de engolir muita folha. Como os cristais são insolúveis, eles não entram na corrente sanguínea: o dano fica concentrado na boca e no início do trato digestivo, segundo a mesma fonte.
Quais sinais observar depois que o pet mordeu a folha?
Os sinais mais citados pela ASPCA são salivação excessiva, irritação na boca, nos lábios e na língua, vômito e dificuldade para engolir. Um relato de caso publicado em 2013 pelo CRMV-SP, sobre um filhote de West Highland White Terrier que mordeu a jiboia, registrou vômito, diarreia pastosa, salivação intensa e dor ao toque na barriga.
No mesmo caso, os exames de sangue do filhote mostraram anemia leve e enzimas do fígado alteradas. Isso levou os veterinários a manter o animal internado para tratamento. Cada animal reage de um jeito, e só um exame clínico diz se o caso é leve ou exige internação.
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Quando a mordida pode virar uma emergência
Na maioria das vezes, o desconforto na boca já convence o animal a soltar a planta, e o quadro melhora sozinho. Mas dificuldade para engolir ou respirar, salivação que não para, recusa de comida e água, ou apatia depois da mordida são sinais de caso mais sério.
Foi esse tipo de evolução que exigiu tratamento mais longo no caso do CRMV-SP: o filhote precisou de proteção gástrica e hepática, troca do antibiótico inicial por metronidazol depois de uma reação adversa, e soro na veia. A alta só veio cinco dias depois.
O que fazer nos primeiros minutos?
A orientação de veterinários da USP, divulgada pelo CRMV-SP, é direta: em caso leve, o corpo do animal tende a eliminar o que foi ingerido pelas fezes ou pelo vômito. Em caso mais sério, o dono deve levar o animal ao veterinário imediatamente, com uma amostra da planta mordida.
Enquanto isso, dá para lavar a boca do pet com água corrente, sem forçar, para retirar pedaços de folha presos, e observar se ele consegue engolir a própria saliva. Anotar o nome científico da planta e levar uma foto da folha também ajuda o atendimento a ser mais rápido.
O que nunca fazer em casa
Não induza vômito, não dê leite, manteiga, azeite ou qualquer remédio de uso humano ao animal. Nenhuma dessas medidas caseiras tem respaldo para esse tipo de intoxicação, e todas podem piorar a irritação que os cristais já causaram na garganta.
Também não vale esperar "para ver se passa" quando o pet já mostra dificuldade de engolir ou respirar. Nesses casos, o tempo entre o sintoma e o atendimento pesa no resultado, e por isso a ASPCA e o CRMV-SP recomendam procurar ajuda profissional assim que possível.
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Como o veterinário trata o caso
Não existe um antídoto específico para o oxalato de cálcio da jiboia. O tratamento descrito no caso do CRMV-SP foi de suporte, focado em aliviar a dor e evitar complicações: antieméticos para o vômito, protetores para o estômago e o fígado, soro na veia e, depois, um antibiótico.
O filhote do caso melhorou de forma gradual: as enzimas do fígado voltaram ao normal e um ultrassom de controle não mostrou mais inflamação no quinto dia de internação. Com atendimento a tempo, a maioria dos casos de mordida em jiboia tende a evoluir bem.
Um detalhe que muda o quadro: cada mordida é um caso
Vale um limite honesto aqui: a gravidade depende de quanto o animal mordeu, do tamanho do pet, e de outras doenças que ele já tenha. No caso do CRMV-SP, o filhote também tinha coccidiose, uma infecção parasitária, o que pode ter agravado o quadro.
Isto não substitui uma avaliação presencial: o texto explica por que a mordida dói e quando procurar ajuda, mas não diz se o seu pet, especificamente, precisa de veterinário agora. Na dúvida, ligar para o profissional é o caminho mais seguro.
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Jiboia em casa com pet: dá para manter, com alguns cuidados
Trocar a jiboia por outra planta não é a única saída: dá para mantê-la pendurada bem alto, em prateleiras fora do alcance de pulo do gato, ou em cômodos que o animal não frequenta. O ideal é longe de sofás e camas que sirvam de trampolim.
Vale reparar se o seu pet tem o hábito de mastigar folhas, comportamento comum em filhotes e gatos jovens explorando o ambiente pela boca, o perfil do caso registrado pelo CRMV-SP. O seu cão ou gato já mordeu alguma planta em casa? Conta aqui nos comentários.



