O Inmet caracteriza onda de calor quando a máxima fica pelo menos 5°C acima da média por dois dias ou mais, regra usada no alerta vermelho que atingiu o Sul em fevereiro de 2026 e que volta a valer na primavera sob um El Niño que pode ser o mais forte desde 1950
Segundo o Inmet, o aviso de onda de calor é emitido quando a máxima passa 5°C da média por, no mínimo, dois a três dias seguidos, e a gravidade cresce com os dias. O critério pesou no Sul em fevereiro de 2026 e volta a valer na primavera, sob o El Niño forte.
Imagem: painel digital em Porto Alegre (RS) mostra 42°C durante onda de calor registrada na cidade em 11 de fevereiro de 2025 (não é o episódio de fevereiro de 2026 acima citado). Foto: Alex Rocha/Agência Porto Alegre, uso livre com crédito, via Wikimedia Commons.
O Inmet emite aviso de onda de calor quando a temperatura máxima fica pelo menos 5°C acima da média climatológica por, no mínimo, dois a três dias consecutivos, segundo a própria definição publicada pelo instituto.
A regra consta de notas publicadas no portal do Inmet, que também explicam por que a gravidade do aviso, seja amarelo, laranja ou vermelho, depende mais da persistência do calor do que do tamanho do desvio de temperatura.
A regra do Inmet: 5°C acima da média, por dois dias ou mais. O Inmet considera onda de calor quando a máxima fica 5°C ou mais acima da média climatológica por, no mínimo, dois a três dias seguidos. Quanto mais dias o calor persistir, mais grave fica o aviso, podendo chegar ao nível vermelho, o de maior perigo.
O critério oficial: 5°C acima da média, por pelo menos dois dias
O aviso de onda de calor nasce de uma conta simples. O Inmet o emite quando a previsão aponta temperatura máxima 5°C acima da média climatológica da região, por um período de dois a três dias seguidos, segundo nota publicada pelo Inmet.
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O texto do Inmet é direto: a definição vale para as máximas, não para a sensação térmica nem para o número de qualquer aplicativo de previsão. O comparativo é sempre com a climatologia da própria localidade, não com uma média nacional única.
Por que a persistência do calor pesa mais do que o desvio de temperatura
A intensidade do aviso, seja amarelo, laranja ou vermelho, está ligada ao número de dias consecutivos de calor, e não ao tamanho exato do desvio acima da média, afirma o Inmet em nota publicada no próprio portal.
Na prática, dois eventos com o mesmo desvio de 5°C podem receber avisos diferentes: o que durar mais dias tende a subir de nível, porque o efeito à saúde cresce com o tempo de exposição ao calor.
O alerta vermelho que atingiu 511 municípios do Sul em fevereiro de 2026
Em fevereiro de 2026, o Inmet emitiu aviso vermelho de grande perigo para 511 municípios do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, com temperatura cerca de 5°C acima da média entre 3 e 7 de fevereiro.
O aviso classificou o episódio no nível máximo da escala do instituto, o mesmo critério que volta a valer sempre que o calor bate esse patamar de novo, inclusive na primavera que começou nesta semana.
Como o Inmet compara a temperatura: o que é a climatologia de uma região
A climatologia é a média histórica da temperatura de um lugar, calculada a partir de décadas de registros das estações oficiais do Inmet. É esse número, e não a sensação do dia anterior, que serve de referência para o aviso.
Cada estação tem a própria climatologia, porque o clima varia muito entre regiões do Brasil. Por isso, o mesmo termômetro pode configurar onda de calor numa cidade de serra e marcar apenas um dia comum numa capital do Nordeste.
A primavera de 2026 já começa sob um El Niño que pode ser o mais forte desde 1950
O Inmet estima 75% de chance de o El Niño de 2026 ser o mais forte desde 1950, com o Índice Niño 3.4 batendo 1,8°C acima da média em 10 de setembro, segundo boletim já divulgado pelo instituto.
O fenômeno tende a elevar a temperatura média no Centro-Norte do país, o que amplia a chance de mais avisos de onda de calor ao longo da primavera e do início do verão, segundo o próprio Inmet.
O prognóstico de 22 de setembro: calor acima da média em quase todo o país
O Inmet publicou, em 22 de setembro de 2026, prognóstico apontando temperatura acima da média em quase todo o Brasil na primavera, com as maiores anomalias no Norte e em partes do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sudeste.
Nessas áreas, a diferença pode superar 1°C acima da média climatológica do trimestre, segundo o boletim. O documento não cita uma onda de calor específica, apenas a tendência de temperatura para os três meses da estação.
Onde a chuva deve compensar o calor, segundo o Inmet
O mesmo prognóstico prevê chuva acima da média no Centro-Sul do país, incluindo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, o sul do Paraná, o Mato Grosso do Sul e parte do leste do Nordeste. Ali, a chuva pode superar em até 200 milímetros a média histórica do Sul.
Já o Norte, o Mato Grosso e o Matopiba devem ter chuva abaixo da média, com o maior déficit projetado para Roraima, o norte do Amazonas, o norte do Pará e o Amapá, também segundo o Inmet.
Os três níveis de aviso do Inmet: amarelo, laranja e vermelho
A escala de avisos do Inmet tem três cores: amarelo, para perigo potencial, laranja, para perigo, e vermelho, para grande perigo, o nível usado no episódio do Sul em fevereiro de 2026.
Os avisos valem para diferentes fenômenos, da onda de calor à tempestade, como no aviso vermelho de vento e granizo emitido para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná em setembro, e são atualizados conforme a previsão muda.
Termômetro de rua marca 42°C: isso é uma onda de calor oficial?
Um painel digital de rua não é uma estação meteorológica: ele mede o ar perto do próprio equipamento, que pode estar sobre asfalto ou vidro, e costuma marcar mais graus do que a estação oficial da região.
A definição do Inmet usa sempre a estação oficial, não o termômetro de loja, de carro ou de painel de rua. É esse dado, medido por instrumentos calibrados, que entra na conta dos 5°C acima da média.
O critério vale para o Brasil inteiro, mas o aviso muda de cidade e de dia para dia
A regra dos 5°C é nacional, mas o aviso em si é local: o Inmet divide o país em áreas de risco, e uma cidade pode estar em nível vermelho enquanto a vizinha segue sem aviso nenhum.
O mapa também muda de um dia para o outro, conforme os modelos meteorológicos são atualizados, como já aconteceu em um aviso confirmado horas antes de outro episódio recente no Sul, e vale sempre checar a data da última atualização.
Onde consultar o aviso vigente antes de se expor ao calor
O Inmet publica o mapa de avisos em tempo real no site oficial, com o nível de cada município e o período de validade. A decisão de ir à praia, pescar ou viajar cabe sempre ao aviso oficial vigente, nunca a uma regra fixa.
O próximo boletim de prognóstico do Inmet deve atualizar o cenário da primavera até dezembro. Você já sentiu esse calor 5°C acima do normal na sua cidade este ano? Conta pra gente nos comentários.



