O Inmet publicou em 22 de setembro de 2026 o prognóstico da primavera: chuva acima da média no Sul e em parte do Centro-Oeste e do Sudeste, e abaixo da média na maior parte do Norte e do Nordeste
O Inmet publicou, em 22 de setembro de 2026, o prognóstico climático da primavera: chuva acima da média no Sul e em parte do Centro-Oeste, chuva abaixo da média no Norte e no Nordeste, e temperatura acima da média em quase todo o país, sob El Niño muito forte.
Imagem: mapa da anomalia de chuva sobre a América do Sul feito pela Nasa (este mapa é de 2009, ilustrativo, não é o prognóstico de 2026). Nasa, via Wikimedia Commons, domínio público.
O Inmet publicou, em 22 de setembro de 2026, o prognóstico climático da primavera para o trimestre de outubro a dezembro, com a previsão de chuva e de temperatura para cada região do Brasil.
A tendência de El Niño muito forte já apareceu no Índice Niño 3.4, que chegou a 1,8°C acima da média, como mostrou a cobertura do El Niño que pode ser o mais forte desde 1950. Agora esse cenário ganha o detalhe de como a chuva e o calor devem se comportar em cada região, segundo o Inmet.
O prognóstico é regional, não é uma previsão única para o país inteiro. O Inmet espera chuva acima da média no Sul, no Centro-Oeste e em partes do Sudeste, com exceção do Mato Grosso, e chuva abaixo da média no Norte e no Nordeste. A temperatura deve ficar acima da média em quase todo o Brasil.
Chuva acima da média no Sul, com risco de temporais fortes
Para a Região Sul, o Inmet prevê chuva acima da média nos três estados, com destaque para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o sul e o leste do Paraná. Nesses trechos, a chuva pode superar em até 200 milímetros a média histórica do trimestre, segundo o órgão.
O volume maior de chuva costuma vir acompanhado de temporais, com vento forte e queda de granizo em episódios isolados, um padrão que a própria Região Sul já vinha registrando antes do início oficial da estação.
No Centro-Oeste, a previsão muda dentro do próprio Mato Grosso
Em quase toda a Região Centro-Oeste, o Inmet prevê chuva acima da média para o trimestre. A exceção é o Mato Grosso, onde a previsão aponta chuva abaixo da média, mesmo com o restante da região mais chuvoso.
O estado já vive um trimestre de seca marcante: em setembro, a área queimada no Pantanal mato-grossense já havia triplicado em relação ao ano anterior, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
Sudeste deve ter chuva reforçada em São Paulo, no Rio e no sul de Minas
O Inmet também prevê anomalias positivas de precipitação no centro-sul de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, ou seja, chuva acima da média histórica nesses três estados durante o trimestre.
Norte tem a previsão mais seca, com déficit de até 200 milímetros
A Região Norte concentra o cenário mais seco do país, segundo o Inmet. Em Roraima, no norte e no leste do Amazonas, no norte e no oeste do Pará e no Amapá, o déficit de chuva pode chegar a 200 milímetros no trimestre.
Nem toda a região segue esse padrão: o oeste e o sul da Região Norte devem ter os maiores acumulados de chuva do trimestre, uma diferença que o próprio boletim do Inmet destaca dentro da região.
Nordeste também deve ficar mais seco, com exceção no litoral leste
O Nordeste tem os menores acumulados de chuva previstos entre as cinco regiões, principalmente nos setores leste e norte, de acordo com o Inmet. A tendência acompanha o padrão do Norte na mesma estação.
Já o leste do Nordeste foge da regra: o Inmet prevê anomalias positivas de chuva no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas, com volumes um pouco acima da média nesse trecho do litoral.
Temperatura deve ficar acima da média em quase todo o país
Além da chuva, o boletim traz a previsão de temperatura: acima da média em grande parte do Brasil ao longo do trimestre, um sinal que costuma acompanhar os anos de El Niño mais forte.
As maiores anomalias positivas de temperatura são esperadas na Região Norte, onde a média pode superar em 1°C a média climatológica do trimestre, segundo o Inmet.
Por que o El Niño desloca a chuva para o Sul do Brasil?
O El Niño aquece o Pacífico e muda a circulação de ar sobre a América do Sul, o que costuma levar mais chuva ao Sul do Brasil e reduzir a umidade que chega ao Norte e ao Nordeste, na mesma direção do prognóstico da primavera.
Esse mecanismo já apareceu em El Niños anteriores e é a base do prognóstico trimestral por região, mesmo sem cravar o que vai acontecer em cada cidade a cada dia.
O padrão de chuva forte já apareceu no Rio Grande do Sul
A previsão de chuva acima da média no Sul não é só um número no papel. Em 18 de setembro, antes do início oficial da estação, o Inmet emitiu alerta laranja para 226 municípios de Santa Catarina, com vento de até 100 km/h e risco de granizo.
O episódio, registrado pelo Watts & Wild no dia seguinte ao aviso, mostra o tipo de temporal que o próprio Inmet associa ao padrão de chuva mais forte da Região Sul nesta primavera.
Na Amazônia, a seca do rio Negro segue no mesmo sentido
Enquanto o Sul se prepara para mais chuva, a Amazônia segue o caminho oposto, dentro do mesmo prognóstico. O rio Negro chegou à terceira maior seca da série histórica em Manaus, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
O nível do rio, acompanhado de perto pelo Watts & Wild desde o fim de agosto, é um retrato local do déficit de chuva que o Inmet projeta para boa parte da Região Norte ao longo do trimestre.
A previsão vale para a região inteira, não para uma cidade em um dia certo
A previsão vale para a região inteira, não para uma cidade ou um dia específico. O prognóstico trimestral do Inmet mede a tendência de chuva e de temperatura contra a média histórica.
Ele não é um boletim diário, e não promete o mesmo resultado em cada município. O próprio Inmet recalcula o prognóstico a cada novo boletim, conforme os dados do Pacífico mudam ao longo da estação.
O próximo boletim do Inmet deve sair em outubro, no meio da estação
O prognóstico de primavera de 22 de setembro é o retrato do início da estação. O Inmet também publica boletins quinzenais com a evolução do Índice Niño 3.4, o indicador que baliza a força do El Niño até o fim de 2026.
Para o dia a dia da sua cidade, o caminho é sempre a previsão de curto prazo e os avisos vigentes do Inmet, não este prognóstico de trimestre. Na sua região, a chuva ou o calor já mudaram como o Inmet previu? Conta pra gente nos comentários.



