Do Pantanal de Mato Grosso ao litoral do Rio de Janeiro, o alerta vermelho de onda de calor do Inmet cobre 1.457 municípios em oito estados entre sábado, 26 de setembro, e quarta-feira, 30
O Inmet pôs 1.457 municípios de oito estados sob aviso vermelho de onda de calor, de 26 a 30 de setembro de 2026. Paraná e Mato Grosso do Sul entram inteiros, São Paulo fica a cinco cidades disso, e a previsão oficial fala em máximas de até 41 °C em Cuiabá.
Pedestres usam guarda-chuvas contra o sol numa rua de São Paulo durante forte onda de calor, em 27 de dezembro de 2025, imagem de arquivo. A capital paulista está no aviso vermelho de 26 a 30 de setembro de 2026. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.
Aviso 28332, grau de grande perigo. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu em 24 de setembro de 2026 alerta vermelho de onda de calor para São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás. Vale das 12h de sábado (26) às 18h de quarta (30).
A regra geral aparece em detalhe na explicação sobre o critério dos 5 °C que o Inmet usa no Brasil. O aviso novo acrescenta o grau: vermelho, o topo da escala, com temperatura 5 °C acima da média por mais de cinco dias e risco à saúde.
Leia também: o prognóstico do Inmet para a primavera de 2026, região por região e a maior temperatura já registrada no Brasil, em Araçuaí (MG).
Paraná e Mato Grosso do Sul entram inteiros, e São Paulo perde só cinco cidades
Comparada com a lista oficial de municípios do IBGE, a relação do aviso inclui todos os 399 municípios do Paraná e os 79 de Mato Grosso do Sul. São Paulo aparece com 640 dos seus 645.
Em território paulista, só Aramina, Buritizal, Igarapava, Pedregulho e Rifaina ficam fora do aviso. Os cinco ficam no extremo norte paulista, e o resto do estado, do litoral ao Pontal do Paranapanema, está dentro da área vermelha.
Em Minas, Mato Grosso e no Rio, a área vermelha pega só uma parte do estado
Minas Gerais tem 190 dos seus 853 municípios no aviso, espalhados pelo Sul e Sudoeste de Minas, pelo Oeste de Minas, pelo Campo das Vertentes e pela Zona da Mata, além de uma ponta do Triângulo Mineiro. Entram Passos, Poços de Caldas, Varginha, Lavras e Juiz de Fora.
Mato Grosso soma 66 de 142 municípios, no centro e no sul, com Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres e Poconé, já no Pantanal. No Rio de Janeiro são 47 de 92, da capital e da Baixada Fluminense ao Sul Fluminense e à região de Petrópolis e Teresópolis.
Cinco capitais estão sob o alerta vermelho de onda de calor
São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Campo Grande e Cuiabá aparecem na lista do aviso 28332. Belo Horizonte, Goiânia e Florianópolis, capitais de estados que também constam no alerta, ficam fora da área marcada.
Dentro de uma mesma região, o recorte muda de cidade para cidade. No estado do Rio, por exemplo, Niterói, São Gonçalo e Maricá estão no aviso, enquanto Cabo Frio, Campos dos Goytacazes e Nova Friburgo não aparecem na relação.
Cuiabá pode chegar a 41 °C e Campo Grande a 40 °C, prevê o Inmet
Na nota publicada em 24 de setembro, o Inmet prevê máxima de até 41 °C em Cuiabá no domingo (27) e na segunda-feira (28), e de 40 °C em Campo Grande na segunda. Para a capital paulista, a previsão é de até 32 °C no domingo.
O número absoluto não é o que dispara o aviso vermelho: a conta compara a máxima com a média climatológica de cada lugar. A mesma nota cita Brasília, fora do aviso, com até 32 °C no início da semana.
Nas palavras do instituto, as áreas quentes que ficaram de fora não atendem ao mesmo tempo aos critérios de intensidade e de persistência usados para caracterizar o evento.
Uma baixa pressão entre a Argentina e o Paraguai puxa ar quente para o Sul
Um dos motores do calor, segundo o Inmet, é a Baixa do Noroeste da Argentina, entre o norte argentino e o oeste do Paraguai. Ela começa a se formar na madrugada de sexta (25), com pressão central perto de 1008 hPa (hectopascal, unidade da pressão do ar).
Entre domingo e segunda, o sistema deve se aprofundar rápido e chegar perto de 995 hPa na tarde de segunda-feira (28). No Hemisfério Sul, a baixa pressão gira no sentido horário e, ao ganhar força, transporta ar quente do norte para o Sul do Brasil, o Paraguai e a Argentina.
A até 12 quilômetros de altura, o ar desce, é comprimido e esquenta
Há um segundo fator na alta troposfera, entre cerca de 5 e 12 quilômetros acima do chão. Ali, o Inmet prevê uma circulação anticiclônica anômala sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul, que favorece o movimento do ar de cima para baixo.
Esse movimento se chama subsidência. Durante a descida, o ar é comprimido e se aquece, o que intensifica e mantém as altas temperaturas, sobretudo quando se soma ao ar quente que chega pelos níveis mais baixos, empurrado pela baixa argentina.
O domo de calor dificulta a chegada da frente fria e empurra a umidade para as bordas
Essa alta pressão persistente lá em cima é associada ao chamado domo de calor, explica o Inmet: uma área que mantém uma massa de ar quente parada sobre a região e dificulta a renovação do ar. A mesma circulação atrapalha o avanço das frentes frias.
Um efeito menos lembrado aparece nos mapas do instituto. Com o domo instalado, os maiores valores de umidade relativa do ar tendem a ficar concentrados nas áreas externas à região de influência dele, e o miolo fica quente e seco.
A nota do Inmet fala em seis estados, mas o registro oficial do aviso lista oito
Pela nota de 24 de setembro, o aviso abrange seis estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo inteiros, o centro e o sul de Mato Grosso, o centro, o sul e o oeste do Rio e o sul e o sudeste de Minas.
O registro do aviso 28332 no sistema de avisos do Inmet também traz Santa Catarina e Goiás, com 29 e 7 municípios na borda da área, como Joinville, Mafra, Mineiros e Chapadão do Céu. Quem mora ali deve conferir o próprio município nessa consulta.
A instrução oficial do aviso é procurar a Defesa Civil pelo 199
Grande perigo é o nome do nível vermelho na escala do Inmet, e o campo de riscos do aviso traz uma frase curta: "Risco à saúde". A instrução que acompanha o alerta também é uma só, contatar a Defesa Civil pelo telefone 199.
Previsões podem ser ajustadas quando novos dados entram nos modelos numéricos, alerta o Inmet, que pede que a população acompanhe as atualizações. Na manhã de 25 de setembro, o aviso constava no sistema como não alterado e não encerrado.
Uma frente fria deve mudar o padrão depois de quarta-feira, 30 de setembro
Pela previsão do instituto, o calor acima da média deve durar até quarta-feira (30), dia em que o aviso termina, às 18h. Depois disso, a chegada de uma nova frente fria deve mudar o padrão da atmosfera sobre o Centro-Sul e favorecer a queda das temperaturas.
Até lá, a data a marcar é segunda-feira (28), quando a baixa argentina deve atingir sua maior força e Cuiabá e Campo Grande têm as máximas mais altas previstas pelo Inmet. Sua cidade está entre os 1.457 municípios do aviso?



