Araçuaí, cidade do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, registrou 44,8°C em 19 de novembro de 2023, a maior temperatura já registrada por uma estação oficial do Inmet no Brasil
O recorde de maior temperatura já registrada no Brasil pertence a Araçuaí, cidade mineira do Vale do Jequitinhonha, medida pela rede de estações do Inmet durante a oitava onda de calor da primavera de 2023. Antes disso, o topo da tabela era de Bom Jesus, no Piauí, marca que resistiu quase dezoito anos.
Imagem: mapa de anomalia de temperatura do ar sobre a América do Sul em fevereiro de 2025, usado aqui apenas como ilustração de uma onda de calor (não é o episódio de novembro de 2023 em Araçuaí). NASA Earth Observatory, imagem de Michala Garrison, usando dados GEOS-5 do Global Modeling and Assimilation Office.
O termômetro oficial de Araçuaí marcou 44,8°C na tarde de domingo, 19 de novembro de 2023, o valor mais alto que uma estação do Inmet já registrou em solo brasileiro.
A marca surgiu no fim da oitava onda de calor da primavera de 2023, um episódio de doze dias seguidos de temperatura acima da média, mais intenso no Centro-Oeste e no Sudeste do país, segundo nota técnica do Inmet.
Araçuaí, em Minas Gerais, tem a maior temperatura já medida oficialmente no Brasil. O Inmet confirmou 44,8°C na cidade em 19 de novembro de 2023, valor obtido numa estação meteorológica oficial que superou o recorde anterior, de 44,7°C, registrado em Bom Jesus, no Piauí, em 21 de novembro de 2005.
O Inmet confirmou 44,8°C em Araçuaí no fim da oitava onda de calor
A estação de Araçuaí já vinha de um pico de 42,9°C em 13 de novembro quando bateu o novo recorde seis dias depois. O valor de 19 de novembro consta da tabela da nota técnica Eventos Extremos de Novembro de 2023 no Brasil, publicada pelo Inmet em 6 de dezembro daquele ano.
O Balanço da Primavera de 2023, outro relatório do próprio órgão, chama o dia de "o dia mais quente no histórico de medições do Brasil", frase que resume por que os 44,8°C entraram para os livros.
Antes de Araçuaí, o recorde era de Bom Jesus, no Piauí, desde 2005
O recorde anterior era de 44,7°C, em Bom Jesus (PI), medidos em 21 de novembro de 2005. A marca resistiu quase dezoito anos, até a onda de calor de 2023 chegar com mais força ao interior do país.
Segundo o Inmet, citado pela imprensa no dia da confirmação do novo recorde, a diferença entre as duas marcas é de apenas um décimo de grau, o que mostra como o topo da tabela brasileira de temperatura andava disputado.
A oitava onda de calor da primavera durou doze dias e passou de 40°C em vários estados
A onda de calor durou doze dias seguidos, entre 8 e 19 de novembro de 2023, e foi mais ampla e persistente do que a que já tinha batido recorde em setembro daquele ano, segundo o Inmet.
No dia mais intenso, 15 de novembro, a anomalia de temperatura passou de 7°C acima da média em boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste do país.
Outras cidades também bateram temperaturas históricas na mesma semana: São Romão (MG) chegou a 43,4°C em 15 de novembro, Porto Murtinho (MS) também marcou 43,4°C em 16 de novembro, e Corumbá (MS) teve 43,3°C em 14 de novembro.
O El Niño de 2023 ajudou a turbinar o calor daquele novembro
O Inmet atribui o calor extremo de novembro de 2023 ao El Niño, fenômeno que aquece as águas do Pacífico Equatorial acima da média e tende a elevar a temperatura em várias regiões do planeta. O aumento das emissões de gases-estufa também entrou na conta do órgão.
O Brasil enfrenta um novo episódio do fenômeno em 2026: o Inmet estima 75% de chance de este El Niño ser o mais forte desde 1950, o mesmo ano que baliza a comparação histórica usada para o recorde de Araçuaí.
O que faz uma estação do Inmet ser considerada oficial
O abrigo meteorológico protege o termômetro da radiação solar direta. É uma casinha branca sobre estacas, com paredes vazadas que deixam o ar circular livremente. Assim o instrumento em seu interior mede a temperatura real da atmosfera, e não o calor do sol batendo direto nele, descreve publicação do próprio Inmet sobre suas estações.
Esse padrão segue critérios da Organização Meteorológica Mundial, entidade da qual o Inmet é representante no Brasil desde 1950. É o que permite comparar, décadas depois, a leitura de Araçuaí em 2023 com a de Bom Jesus em 2005.
Por que o termômetro de rua ou do carro não vale para bater recorde?
O termômetro de rua fica exposto ao sol e ao asfalto quente, sem o abrigo padronizado que protege o sensor oficial. O painel digital de uma farmácia ou o marcador do painel do carro costuma esquentar mais rápido do que o ar ao redor, e pode marcar vários graus a mais do que a temperatura real.
Por isso, só a leitura das estações da rede do Inmet, automáticas ou convencionais, entra na série histórica usada para falar em recorde nacional. Um termômetro de rua pode dar uma ideia do calor, mas não substitui o dado oficial.
Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, também enfrentava seca na mesma semana
Araçuaí fica no semiárido do Vale do Jequitinhonha, a cerca de 680 km de Belo Horizonte, e já registrava calor acima da média dias antes do recorde, com os 42,9°C do dia 13 de novembro. A mesma nota técnica do Inmet mostra que o calor veio acompanhado de pouca chuva na região.
Itamarandiba, cidade vizinha, teve o novembro mais seco da série histórica, com desvio de -209,9 mm de chuva em relação à média do mês, segundo a mesma nota técnica. Calor extremo e falta de chuva apareceram juntos naquele canto de Minas Gerais.
O recorde vale para o instrumento oficial, não para qualquer termômetro que marcar mais
Nenhum termômetro fora da rede do Inmet muda o recorde nacional, mesmo que mostre um número mais alto. É preciso vir de uma estação homologada, com abrigo e sensor calibrados, para entrar na comparação histórica que aponta Araçuaí como a temperatura mais alta do país.
O valor também é a temperatura do ar à sombra, medida a 1,5 metro do chão, e não a sensação térmica, que soma fatores como umidade e vento e costuma parecer mais alta em dias úmidos.
O Inmet segue de olho em cada nova onda de calor no Brasil
O órgão publica boletins sempre que identifica um novo episódio de calor extremo. Foi o mesmo jeito de agir usado para o alerta vermelho de tempestade para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná e para o aviso de granizo e vendaval no Sul emitido com antecedência.
Se um novo recorde de calor aparecer, será uma dessas estações espalhadas pelo país que vai confirmar o número, não um termômetro de rua. Você já viu o termômetro do carro marcar mais de 45°C num dia quente? Conta pra gente nos comentários.



