Granizo no Sul já danificou 4.755 casas no Rio Grande do Sul e atingiu 1.102 em Santa Catarina, e a terça-feira, 29, ainda tem aviso laranja do Inmet para 960 cidades de cinco estados, de Chapecó a Ponta Grossa
Os balanços oficiais desta segunda, 28, mostram o tamanho do estrago do granizo no Sul: mais de 31 mil pessoas afetadas no Rio Grande do Sul e seis cidades em situação de emergência em Santa Catarina. E a terça ainda tem temporal previsto, com aviso laranja do Inmet de Chapecó a Ponta Grossa.
Cobertura furada pelo granizo no Oeste de Santa Catarina. Foto: Coordenadoria Regional de Defesa Civil de Chapecó/Defesa Civil de SC (Divulgação).
No Rio Grande do Sul, o balanço da Defesa Civil estadual até o meio-dia desta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, soma 60 ocorrências em 58 municípios, 31.252 pessoas afetadas e 4.755 casas danificadas. São quatro feridos, 23 desabrigados e 110 desalojados, sem mortes.
Em Santa Catarina, a Defesa Civil estadual contou 17 cidades com danos e 1.102 habitações afetadas depois dos temporais de domingo, 27. Seis municípios do Oeste decretaram situação de emergência.
E ainda não acabou. O Inmet mantém para terça-feira, 29, o aviso laranja 55866, de perigo para tempestade, em 960 municípios do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.
Granizo no Sul: o que a terça-feira reserva
O aviso laranja vale o dia inteiro de terça e prevê chuva de 30 a 60 mm por hora, ventos de 60 a 100 km/h e queda de granizo. Chapecó, Ponta Grossa, Curitiba, Cascavel e Pinhão estão na lista de municípios.
Há ainda o aviso amarelo 55865, de perigo potencial, em 2.900 municípios de dez estados, com Porto Alegre e Florianópolis incluídas. O risco ali é menor: ventos de 40 a 60 km/h e chuva de até 50 mm no dia. As cores estão explicadas em o que significa cada aviso do Inmet.
No RS, a madrugada de terça é a hora mais perigosa
A previsão da Defesa Civil gaúcha aponta risco de tempestades severas principalmente na madrugada e na manhã de terça, com granizo que pode ser grande e rajadas acima de 90 km/h, no Oeste, no Centro e nas Missões, avançando para o Norte à tarde.
A chuva pode passar de 100 mm em 12 horas na madrugada. Entre segunda e terça, os acumulados vão de 80 a 120 mm e podem superar 150 mm em pontos do Oeste, do Centro e das Missões.
Há risco de inundação pequena nos rios Ibirapuitã, em Alegrete, São Sepé, Jacuí, entre Dona Francisca e Cachoeira do Sul, Taquari, a partir de Lajeado, e Caí, a partir de São Sebastião do Caí.
Santiago concentra o estrago no Rio Grande do Sul
Em Santiago, o granizo afetou mais de 20 mil pessoas, deixou 13 desabrigadas e danificou 3 mil residências e 14 escolas, segundo o balanço estadual. É a mesma cidade do temporal de sábado que já tinha atingido Santiago e Alegrete.
O Hospital de Caridade de Santiago teve cerca de 90% da estrutura afetada, segundo a direção. O segundo piso e o bloco cirúrgico foram fechados, o atendimento ficou restrito à urgência e 52 pacientes receberam alta desde domingo.
Em Alegrete, o granizo afetou mais de 2 mil pessoas, feriu uma e danificou 400 residências. Os dez municípios com mais afetados incluem ainda Santana do Livramento, Capão do Cipó, Itaara, Erval Grande, Catuípe, Erechim, São Valentim e Jari.
Santa Catarina: Seara teve cerca de 600 casas atingidas
Decretaram emergência Arabutã, Santiago do Sul, Seara, Ponte Serrada, Ipumirim e São Domingos. Em Seara, o granizo atingiu o município inteiro: cerca de 600 residências, três postos de saúde e dez escolas, com seis pessoas desabrigadas.
Santiago do Sul teve 180 imóveis atingidos, Ponte Serrada, 100, Arabutã, 76, e Ipumirim, 45. Em São Domingos foram 37 casas, cerca de 90 pessoas afetadas e dois aviários danificados. O começo dessa história está na cobertura do granizo em Seara.
Outras 11 cidades registraram ocorrências. Em Quilombo, granizo e vento atingiram 40 propriedades rurais, e árvores caídas fecharam por um tempo a SC-157. Em Brunópolis, o vendaval destelhou 10 casas.
Por que o granizo veio tão grande?
Os meteorologistas da Defesa Civil de SC explicam o domingo pela combinação de calor, umidade e instabilidade na atmosfera, que alimentou as tempestades à tarde e à noite no Grande Oeste. Nesta segunda, o Oeste e o Norte passaram de 30 °C à tarde, o que ajuda as nuvens a crescerem.
Frente fria e ciclone: o motor da semana
O motor da semana é a passagem de uma frente fria, com um ciclone extratropical se formando sobre o mar. A explicação de por que essa parte do país é campeã de pedra de gelo está em por que o Sul é a região com mais granizo.
Quarta e quinta: a trégua chega pelo Paraná
Na quarta, 30, a frente fria avança para o Paraná e a chuva fica persistente no Norte e no Litoral catarinense. O mar volta a ficar agitado da Grande Florianópolis ao Litoral Sul, com ondas de 2,5 metros perto da costa, como mostra a matéria sobre o ciclone em alto-mar.
O aviso amarelo do Inmet para quarta, o 55868, já não inclui nenhum estado do Sul. Entre quinta, 1º de outubro, e sábado, 3, o tempo fica firme em Santa Catarina. Para o domingo de eleição, 4, a Defesa Civil de SC vê tendência de chuva voltar no Oeste e no Norte.
Telha, lona e o que fazer durante o temporal
A Defesa Civil de SC começou a entregar telhas, cumeeiras, colchões e kits de acomodação às cidades que pediram ajuda. No Rio Grande do Sul, o Estado envia lonas e telhas aos municípios mais atingidos.
Durante o temporal, fique em local abrigado, longe de janelas, e não se abrigue perto de árvores, placas, muros e postes. Não atravesse rua alagada. Em SC, o alerta chega por SMS ao enviar o CEP para 40199. Emergências: 199 (Defesa Civil) ou 193 (Bombeiros).



