Ultrassom flagra filhote de tubarão-tigre de 50 a 70 cm abrindo a boca na barriga da mãe em Noronha
Uma fêmea de tubarão-tigre foi examinada em Fernando de Noronha, e a tela do ultrassom mostrou o que quase ninguém vê: o filhote dentro dela, já grande, abrindo a boca. A imagem é do Projeto Ecotuba, da UFRPE, e ajuda a dizer em que fase está a gestação da fêmea.
Tubarão-tigre adulto nas Bahamas, em abril de 2009, em foto de arquivo que não mostra o animal do exame. Foto: Albert Kok, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0, recortada.
Pesquisadores do Projeto Ecotuba, da UFRPE, registraram por ultrassom um filhote de tubarão-tigre abrindo a boca dentro da mãe, em Fernando de Noronha. A imagem foi feita durante um exame para acompanhar a gestação da fêmea e divulgada pelo G1 Pernambuco na terça-feira (6).
O filhote mede entre 50 e 70 centímetros, segundo a pesquisadora Mariana Rêgo, especialista em reprodução de tubarões e raias. Pelos cálculos dela, a fêmea está na fase final da gestação, que dura cerca de um ano e meio.
O que a pesquisadora viu na tela
“Essa é uma imagem difícil de registrar. O animal está vivo e temos um tempo de segurança para não causar nenhum problema de saúde para o tubarão”, contou Mariana Rêgo ao G1. Para ela, ver o bebê abrir a boca é “muito raro”.
Segundo a pesquisadora, a imagem ajuda a confirmar o estágio da gestação. “Esse é um bebê tubarão desenvolvido”, disse, o que bate com a ideia de que o fim da gestação está perto.
Ninguém registrou um parto de tubarão-tigre em Noronha
Até agora, os pesquisadores não registraram partos de tubarões-tigre em Fernando de Noronha, segundo o G1. Também não capturaram filhotes com marcas que indiquem nascimento recente.
Então o ultrassom vira uma janela rara: mostra o que acontece dentro do animal sem esperar um nascimento que ninguém assistiu. Quando a fêmea vai parir e onde, a reportagem não responde.
Como se faz ultrassom num tubarão que vive solto
Há dois anos, a equipe da UFRPE faz esse exame em tubarões de Noronha. O procedimento, de acordo com Mariana Rêgo, identifica o estágio de maturação “sem a necessidade de coletar sangue ou matar o animal”.
O exame também mostra doenças e deformidades. A UFRPE monitora tubarões na ilha há 12 anos, com expedições de barco para capturar os animais, instalar transmissores e acompanhar os deslocamentos. Outra frente da equipe é a pesquisa sobre as bolsas de sereia de tubarão-lixa achadas em Noronha.
Um filhote de tubarão-tigre já nasce quase pronto
O tubarão-tigre é ovovivíparo: os ovos eclodem dentro da mãe e os filhotes nascem vivos, segundo a Wikipédia em português, que resume a literatura científica. Dentro do útero, eles se alimentam primeiro da gema e depois de um líquido produzido pela fêmea.
A mesma página cita gestações de 12 a 16 meses e ninhadas de 30 a 50 filhotes, que nascem com pouco menos de um metro. Por isso um bebê de 50 a 70 centímetros ainda não está no tamanho de nascimento, mas está perto.
Os números do exame e os da espécie, lado a lado
| Medida | Valor | De onde vem |
|---|---|---|
| Filhote no ultrassom | 50 a 70 cm | Pesquisadora Mariana Rêgo, UFRPE, ao G1 |
| Filhote ao nascer | pouco menos de 1 m | Wikipédia, resumindo a literatura |
| Fêmea madura em Noronha | 267 a 372 cm | Wikipédia, resumindo a literatura |
| Gestação | cerca de 1,5 ano (G1) ou 12 a 16 meses (Wikipédia) | As duas fontes divergem |
| Filhotes por gestação | 30 a 50 em média | Wikipédia, resumindo a literatura |
Quadro: Watts & Wild, com dados do G1 (6 de outubro de 2026) e da Wikipédia. Se o filhote do exame tem 50 a 70 cm e nasce com perto de 1 m, ele está entre metade e 70% do tamanho de nascimento, conta feita pela redação.
Pela mesma página, as fêmeas maduras de Noronha medem entre 2,67 e 3,72 metros, e a espécie costuma ter ciclos reprodutivos de dois ou três anos, com cada fêmea gestando uma vez por ciclo.
Por que ilhas como Noronha importam para a espécie
Segundo a Wikipédia, a espécie não tem berçários bem definidos, mas estudos indicam que ilhas oceânicas têm papel essencial na reprodução dos tubarões-tigre. O monitoramento de 12 anos da UFRPE em Noronha é o que permite acompanhar esses animais de perto.
Para ler sobre como a ilha se formou, vale abrir o texto sobre o vulcão extinto que deu origem a Fernando de Noronha. E sobre como outro tubarão percebe o ambiente ao redor, há a matéria sobre o tubarão que ouve som a 74 metros.
O que o exame ainda não diz
A informação vem de uma reportagem com a pesquisadora, não de um artigo científico. A reportagem não traz a data do exame, o tamanho da mãe nem se havia outros filhotes na barriga dela.
Também há diferença de números: o G1 fala em cerca de um ano e meio de gestação, e a literatura resumida na Wikipédia cita 12 a 16 meses. A foto de capa é de arquivo, de outro animal. Para ver o ultrassom, o caminho é o vídeo da reportagem original.
Fontes: G1 Pernambuco, 6 de outubro de 2026, com a pesquisadora Mariana Rêgo (Projeto Ecotuba, UFRPE). Wikipédia, verbete Tubarão-tigre.



