Tubarão-lanterna novo tem 21,5 cm e vive a 500 m de fundo
Pesquisadores descreveram uma nova espécie de tubarão-lanterna a partir de um único exemplar, uma fêmea de 21,5 cm pescada em 2025 entre 400 e 500 metros de profundidade, perto das Ilhas Maurício. O Etmopterus bulbosus tem focinho largo e dentículos em forma de espinho.
Tubarão-lanterna liso (Etmopterus pusillus), do mesmo grupo da espécie nova, fotografado ao lado de um lápis. Foto de arquivo do Golfo do México: SEFSC Pascagoula Laboratory (NOAA/NMFS), Wikimedia Commons, domínio público, recortada.
O Etmopterus bulbosus é uma espécie nova de tubarão-lanterna, conhecida por um único exemplar de 21,5 cm. Ela foi descrita no Journal of the Ocean Science Foundation, número 47, publicado em 12 de agosto de 2026, por David Ebert, Robin Leslie, Sergey Bogorodsky e outros cinco autores.
O bicho caiu numa rede de arrasto mesopelágica, a que trabalha no meio da coluna de água, a cerca de 400 a 500 metros. A captura foi em 7 de junho de 2025, durante um cruzeiro do navio de pesquisa Dr. Fridtjof Nansen na costa de Maurício, no sudoeste do Oceano Índico.
De onde vem o 21,5 e o 21
O número do título é da foto do animal fresco: no artigo, a legenda da Figura 1 registra uma fêmea de 215 mm de comprimento total. Já o texto de descrição usa 210 mm para o mesmo exemplar, medido depois de preservado.
São 5 milímetros de diferença entre as duas medições. Para ter uma ideia, o tubarão tem pouco mais que a largura de uma folha A4, que mede 21 cm.
Por que é uma espécie nova e não só um tubarão pequeno
O artigo lista três características que separam o bulbosus dos parentes: um focinho grande e bulboso, um trecho de dentículos maiores, parecidos com espinhos, que vai de cima da axila da nadadeira peitoral até depois da primeira nadadeira dorsal, e o desenho das marcas escuras no flanco e na cauda.
O teste genético reforça a diferença. A sequência do gene COI do DNA mitocondrial diverge no mínimo 10,29% das sequências disponíveis de outras espécies do gênero. A parente mais parecida, o Etmopterus sentosus, vive na costa leste da África e em Madagascar, mas não tem o focinho bulboso.
O que o nome tubarão-lanterna quer dizer
O gênero Etmopterus reúne os tubarões-lanterna, pequenos tubarões de mar fundo com fotóforos, pontos na pele que produzem luz. O artigo descreve um padrão de marcas luminescentes na cabeça e na barriga do exemplar, que começam atrás do focinho e seguem pela garganta.
É uma descrição do corpo do bicho, feita a partir de um exemplar capturado. O artigo não traz registro dele vivo, emitindo luz no fundo do mar.
Pequeno entre os parentes do grupo
O bulbosus faz parte do grupo do Etmopterus pusillus, o tubarão-lanterna liso, que aparece na foto desta página. Segundo o artigo, o pusillus chega a 500 mm e o Etmopterus bigelowi, outro do grupo, a 730 mm. O exemplar de Maurício tem 215 mm.
O artigo conta 43 espécies válidas de tubarões-lanterna descritas até hoje. Pelo formato do corpo, os autores sugerem que o bulbosus vive entre o fundo e o meio da coluna de água, ao contrário do sentosus, que ocorre nas encostas do continente e de ilhas.
Mais sobre luz e tubarões no mar
Luz produzida pelo próprio animal é comum no mar fundo, assunto da matéria sobre bioluminescência no mar brasileiro. Outro bicho de corpo curioso do oceano é a salpa, o animal transparente, e sobre tubarões há a matéria de o tubarão que ouve som a 74 metros.
O que ainda não dá para dizer
A espécie é conhecida por um único indivíduo. Os autores escrevem que são necessárias mais coletas para avaliar distribuição, estado da população e possíveis riscos de conservação.
Segundo o artigo, a IUCN avaliou em 2026 quarenta das 43 espécies de tubarões-lanterna: 36 como pouco preocupantes, 3 com dados insuficientes e 1 como vulnerável. O tamanho pequeno e a profundidade, segundo os autores, deixam esses tubarões fora da maior parte da pesca da região.
Fontes: Journal of the Ocean Science Foundation, vol. 47, resumo do artigo. PDF do artigo de Ebert et al. (2026). DOI 10.5281/zenodo.21897531.



