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Sarcófago romano guarda homem medieval; identidade segue em aberto

Você pode olhar para o sarcófago romano de Westminster e imaginar que os ossos encontrados nele pertencem ao homem citado na inscrição. Mas a datação aponta para um ocupante medieval, possivelmente um abade, cuja identidade ainda não foi confirmada.

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Imagem: Divulgação/Live Science. Origem: livescience.com.

O que aconteceu: segundo a Live Science, a análise dos restos mortais encontrados na reabertura do caixão de pedra, em 2016, situou o indivíduo entre os anos de 987 e 1052. O recipiente, por sua vez, é do século IV.

Por que importa: o achado ajuda a investigar a comunidade religiosa anterior à igreja gótica que você conhece pelas imagens de Westminster. Segundo a história oficial da abadia, monges beneditinos se estabeleceram no local por volta de 960; a construção da igreja atual começou em 1245.

O que muda para você: ao acompanhar a descoberta, vale separar duas conclusões: o reaproveitamento medieval do sarcófago tem apoio na datação, mas o nome de quem foi sepultado continua sendo uma hipótese.

Sarcófago romano reúne vestígios de duas épocas

O caixão de pedra foi encontrado em 1869. Na lateral, uma inscrição latina homenageia Valerius Amandinus e informa que seus filhos, Valerius Superventor e Marcellus, providenciaram a peça para o pai.

A tampa conta outra parte da história. Nela foi esculpida uma grande cruz anglo-saxônica, atribuída ao século XI. A diferença entre os elementos já sugeria que o objeto havia recebido um novo sepultamento séculos depois de sua fabricação.

Conforme a reportagem da Live Science, o túmulo havia sido saqueado no início do século XIX. Acreditava-se que não restassem ossos no interior.

A abertura para conservação, em 2016, revelou um esqueleto completo, embora desorganizado e com danos antigos. A análise identificou um homem de meia-idade, com sinais de osteoartrite, gota e duas lesões cicatrizadas nas costelas.

O nome gravado na pedra identifica o destinatário romano original, não necessariamente o homem encontrado dentro dela.

Sarcófago romano guarda homem medieval; identidade segue em aberto
Divulgação/Live Science. Fonte original

Dois abades permanecem como candidatos

Você consegue descobrir um nome apenas pela idade dos ossos? Neste caso, a datação permitiu restringir as possibilidades, mas não individualizar o ocupante.

O arqueólogo Warwick Rodwell, consultor da Abadia de Westminster, cruzou o intervalo obtido com a trajetória dos abades do período. A interpretação apresentada na reportagem aponta para um religioso de posição elevada, considerando o sepultamento em pedra e a cruz da tampa.

Três nomes entraram na análise:

Rodwell vê um indício favorável a Ælfwig no fato de ele já ter sido monge de Westminster. Isso, porém, não elimina Wulfnoth.

A investigação chegou a dois candidatos viáveis, sem estabelecer uma identificação definitiva.

A cronologia ajuda a entender o alcance da descoberta

A sequência dos acontecimentos separa a história do objeto da história de seu ocupante:

Essa leitura evita confundir a idade do recipiente com a do sepultamento. Também mostra por que a inscrição não basta para identificar os restos mortais: ela pertence a uma etapa anterior do uso da peça.

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A origem do caixão pode revelar outra história

A pedra usada na fabricação veio de Oxfordshire, no sul da Inglaterra. Mas conhecer a procedência do material não resolve onde ocorreu o primeiro sepultamento.

Rodwell considera a possibilidade de o sarcófago ter sido retirado de um mausoléu romano e transportado posteriormente. Outra hipótese é a existência de uma antiga propriedade romana e de seu cemitério nas proximidades de Westminster, ainda não descobertos.

A inscrição também levantou a possibilidade de Valerius Amandinus ter sido cristão, mas sua trajetória permanece desconhecida.

Assim, há duas investigações ligadas ao mesmo objeto: encontrar o nome do homem medieval e reconstruir o caminho percorrido pelo caixão romano. A segunda pode apontar para um sítio arqueológico que ainda não apareceu.

Fonte: livescience.com.

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Fonte: livescience.com.

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