Ciência

A Lua tem fases porque o Sol ilumina sempre metade dela e nós vemos partes diferentes dessa metade ao longo do mês: a NASA explica o ciclo de 29,5 dias, as oito fases e por que a sombra da Terra não entra nessa conta

A Lua nunca muda de forma: é sempre uma bola, com metade acesa pelo Sol. O que muda, num ciclo de cerca de 29,5 dias, é quanto dessa metade chega aos nossos olhos. A NASA conta oito fases nesse caminho, e a sombra da Terra não participa de nenhuma delas.

Lua crescente fina vista da Estação Espacial Internacional sobre o horizonte da Terra no pôr do Sol orbital, a Lua tem fases porque vemos partes diferentes da metade acesa

Lua crescente vista da Estação Espacial Internacional em 6 de dezembro de 2021, durante um pôr do Sol orbital, sobre o Pacífico a leste da Nova Zelândia. Foto: NASA, via Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

A Lua tem fases porque o Sol sempre ilumina metade dela, e a posição da Lua na órbita decide quanto dessa metade fica virada para a Terra. É a explicação da página de fases da Lua da NASA: o formato dela não muda, só o nosso ângulo de visão.

Por que a Lua tem fases: o Sol acende sempre metade

De tudo que existe no Sistema Solar, só o Sol brilha com luz própria, segundo a NASA. O luar que a gente enxerga é luz do Sol refletida na superfície lunar, e ela chega sempre de uma única direção.

Como a Terra, a Lua tem um lado de dia e um lado de noite. O Sol ilumina metade dela o tempo todo, e a outra metade fica escura. O que muda é quanto do lado aceso aparece para quem olha daqui, conforme a Lua percorre a órbita em volta do nosso planeta.

As oito fases, com a hora em que a Lua nasce e se põe

A NASA lista as fases na ordem: nova, crescente, quarto crescente, gibosa crescente, cheia, gibosa minguante, quarto minguante e minguante. Depois da minguante, o ciclo recomeça na nova, mais ou menos uma vez por mês.

Cada fase também tem horário típico de nascer e de se pôr. A tabela abaixo reúne o que a agência descreve para a maioria das latitudes.

FaseNome usado pela NASAA Lua nasceA Lua se põe
Novanew Moonjunto com o Soljunto com o Sol
Crescentewaxing crescentde manhã, com o Sol já no céuà noite, depois do pôr do Sol
Quarto crescentefirst quarterpor volta do meio-diapor volta da meia-noite
Gibosa crescentewaxing gibbousà tarde, antes do pôr do Solde madrugada, antes do nascer do Sol
Cheiafull Moonao pôr do Solao nascer do Sol
Gibosa minguantewaning gibbousà noite, depois do pôr do Solde manhã, depois do nascer do Sol
Quarto minguantethird (last) quarterpor volta da meia-noitepor volta do meio-dia
Minguantewaning crescentde madrugada, antes do nascer do Solà tarde, antes do pôr do Sol

Arte: Watts & Wild, com dados da NASA (Science). Horários aproximados para a maioria das latitudes, segundo a agência.

A regra de bolso: a Lua cheia nasce quando o Sol se põe e se põe quando o Sol nasce, porque está do lado oposto ao Sol no céu. A Lua nova faz o contrário e anda junto com ele.

Quarto crescente não é meia-lua

Lua em quarto crescente, com metade do disco iluminado, acima da curva azul da atmosfera da Terra e de nuvens brancas
Quarto crescente visto da Estação Espacial Internacional em 11 de abril de 2019, sobre o Oceano Pacífico ao sul do Havaí. Foto: NASA, via Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

No quarto crescente, a Lua completou um quarto da volta mensal. Muita gente chama de meia-lua, mas a NASA lembra que isso não é o que se vê: o que aparece é só uma fatia, metade da metade que o Sol ilumina.

Pela mesma lógica, a agência diz que o nome certo de meia-lua, tecnicamente, caberia à Lua cheia, quando enxergamos de frente todo o lado aceso. O quarto minguante, também chamado de terceiro quarto, é a mesma fatia do outro lado do disco.

29,5 dias, e não 27,3: a conta do mês lunar

A Lua leva cerca de 27,3 dias para dar uma volta completa em torno da Terra, segundo o Space Place da NASA. Mas de uma Lua nova até a próxima passam cerca de 29,5 dias, por causa de como a luz do Sol bate na Lua.

A diferença é de 2,2 dias (29,5 menos 27,3). Enquanto a Lua gira em torno da Terra, a Terra também anda em volta do Sol, e a Lua precisa de um tempinho extra para voltar à posição de fase nova.

A sombra da Terra só aparece no eclipse

Um erro comum é achar que a fase é a sombra da Terra cobrindo a Lua. A fase não vem da sombra da Terra. A NASA descreve outra coisa: os eclipses lunares acontecem na fase cheia, quando a Terra fica entre a Lua e o Sol e a sombra do planeta cai sobre o disco lunar.

Já os eclipses solares ocorrem na fase nova, com a Lua entre a Terra e o Sol. Se fosse a sombra da Terra que fizesse as fases, haveria eclipse todo mês. Como a órbita da Lua tem inclinação de cerca de 5 graus, a Lua nova nem sempre passa em linha reta diante do Sol.

Por que a Lua some na fase nova e aparece de dia nas outras

Lua gibosa minguante, quase cheia, com as crateras visíveis, acima do horizonte azul da Terra visto da Estação Espacial
Lua gibosa minguante vista da Estação Espacial Internacional em 21 de abril de 2019, acima do horizonte da Terra. Foto: NASA, via Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

Na fase nova, o lado iluminado fica virado para o Sol e o lado escuro, para nós. A Lua está na mesma região do céu que o Sol, nasce e se põe com ele e não dá para vê-la.

Nas outras fases, a Lua pode aparecer de dia. A NASA lembra que ela não é só visitante da noite: muitas vezes dá para vê-la como uma presença pálida e fraca no céu claro, dependendo da fase, da época do ano e do lugar.

O lado escuro que ainda brilha um pouco

Na foto da capa, a parte escura do disco aparece de leve. A NASA explica que, nas fases crescentes, a luz do Sol refletida pela Terra chega à Lua e ilumina de leve o lado que não recebe sol direto. O efeito se chama earthshine, a luz da Terra na Lua.

Isso acontece porque, visto da Lua, o nosso planeta está quase cheio nessa hora, e a luz que ele reflete é forte o bastante para acender o lado escuro de forma fraca.

Como aplicar isso no céu desta semana

Com a regra dos horários, dá para prever sem aplicativo. Uma Lua minguante sai de madrugada e já está no céu antes do Sol, como no caso da Lua perto de Júpiter na terça, 6 de outubro. Já a cheia sempre aparece ao anoitecer.

O tamanho aparente é outra história, porque não depende de fase. Quem quiser entender a ilusão da Lua grande no horizonte pode ler a explicação da NASA para isso. Para ver uma fase quase cheia em ação, há a noite em que a Lua passa pelas Plêiades, de 27 para 28 de outubro.

Onde a explicação de bolso tem limite

A descrição da NASA para as fases vale como regra geral, não como relógio exato. A própria agência avisa que os horários valem para a maioria das latitudes e manda checar a previsão local para o nascer e o pôr exatos.

Outro ponto: a página da NASA descreve o desenho das fases visto do Hemisfério Norte. No Space Place, por exemplo, a crescente aparece como um traço de luz à direita, e a minguante, à esquerda. O Brasil, no Hemisfério Sul, vê o céu com outra orientação, então esse detalhe não vale por aqui sem conferir.

Por fim, o gráfico das fases da NASA avisa que está fora de escala. Serve para entender a ideia, não para medir distância entre Terra, Lua e Sol.

Fontes: NASA Science, Moon Phases. NASA Space Place, What Are the Moon’s Phases?. NASA Science, Moon Eclipses.

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