Rochas com cara de ruínas de uma cidade no Paraná escondem um debate entre pesquisadores
O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, no Paraná, foi criado em 1953 para proteger esculturas naturais de arenito e as furnas, grandes poços de desabamento. O parque tem 3.122,11 hectares e foi criado pela Lei Estadual nº 1.292, de 12 de outubro de 1953, segundo estudos geológicos sobre a área.
Imagem: Luiz Eduardo Schramm/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). Origem: upload.wikimedia.org.
As formas lembram ruínas de uma cidade, e a explicação envolve rocha antiga e dois processos que os pesquisadores discutem.
Três paisagens num só parque
O parque reúne três sítios vizinhos: os Arenitos, as Furnas e a Lagoa Dourada. Foi tombado em 1966.
As rochas dos Arenitos pertencem ao Arenito Vila Velha, do Grupo Itararé, na Bacia do Paraná, segundo estudos da Universidade Estadual de Ponta Grossa e da Mineropar, o serviço geológico do Paraná. As furnas, os poços de desabamento, se formaram em arenitos de outra unidade, a Formação Furnas.
De onde vem a rocha
O arenito nasceu de camadas sucessivas de areia que se compactaram e endureceram com o tempo. O Grupo Itararé é associado ao período glacial do Paleozoico.
Como a erosão esculpiu as torres
A explicação mais difundida é que o relevo ruiniforme, com cara de ruínas, é fruto da erosão, que esculpe sobretudo os arenitos. Chuva e vento desgastam as partes mais frágeis da rocha e deixam de pé blocos de formatos improváveis.
Outros pesquisadores defendem que a dissolução também trabalha ao lado da erosão mecânica. Estudos da UEPG e da Mineropar apontam que esse processo, nos arenitos do Grupo Itararé e da Formação Furnas, forma um exemplo de relevo cárstico em rochas quartzosas. Em outras palavras, a água não só desgasta, mas também dissolve parte da rocha.
Como ler a paisagem
Quem visita o parque pode observar as três etapas na prática: as torres de arenito, as furnas, que são buracos profundos onde o terreno desabou, e a Lagoa Dourada. O Rota Planeta também mostra outras paisagens esculpidas por rocha e erosão em Itaimbezinho e Fortaleza, dois cânions da serra e nas três trilhas do Cânion Fortaleza. Para planejar a ida, confira horários e regras no site do órgão ambiental do Paraná.
Fonte: parquesnaturais.visitbrasil.com.
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