Índice UV 8, 11 e 14: o que o número da previsão quer dizer e a partir de qual valor você já deve se proteger
A previsão traz a temperatura, a chuva e um número que pouca gente sabe ler: o índice UV. Ele não mede calor, e sim a radiação que queima a pele. A escala do CPTEC e as recomendações da OMS mostram o que fazer a partir do 3, do 8 e do 11.
Banhistas na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, em novembro de 2023. Foto: DiegoL569, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.
O índice UV é o valor máximo de radiação ultravioleta do dia, e a OMS recomenda proteção a partir do 3. Do 8 em diante, a orientação é evitar ficar ao ar livre nas horas do meio do dia, segundo a Organização Mundial da Saúde e o CPTEC/INPE.
O que o índice UV mede, afinal
O CPTEC define o índice como uma medida da intensidade da radiação UV que importa para a pele humana. Ele representa o valor máximo do dia, no período do meio-dia solar, e sai como número inteiro.
A OMS explica que esse pico acontece nas cerca de quatro horas em torno do meio-dia solar. Dependendo do lugar e do horário de verão, o meio-dia solar cai entre meio-dia e 14h.
Da faixa baixa à extrema: o que fazer em cada uma
O CPTEC agrupa os números em cinco categorias, seguindo a OMS. A OMS, por sua vez, resume a conduta em três degraus: de 0 a 2, de 3 a 7 e de 8 para cima.
A tabela junta as duas escalas. A conduta de cada degrau vem da OMS, sem acrescentar recomendação médica além dela.
| Número | Faixa (CPTEC) | O que a OMS recomenda |
|---|---|---|
| 0 a 2 | Baixo | Pode ficar ao ar livre sem cuidado especial |
| 3 a 5 | Moderado | Sombra nas horas do meio do dia, camiseta, protetor solar e chapéu |
| 6 a 7 | Alto | Mesma recomendação do moderado |
| 8 a 10 | Muito alto | Evitar ficar ao ar livre no meio do dia; camiseta, protetor e chapéu são obrigatórios |
| 11 ou mais | Extremo | A OMS não separa outra regra acima de 8: vale a mesma |
Arte: Watts & Wild, com dados do CPTEC/INPE e das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que muda entre o índice UV 8, 11 e 14?
O 8 abre a faixa muito alta. O 11 e o 14 caem na extrema, e para a OMS a conduta é a mesma de qualquer número a partir de 8. O que muda é a pressa: quanto maior o índice, menos tempo a pele leva para sofrer dano.
Um detalhe de conta: cada unidade do índice equivale a 25 mW/m² de energia que queima a pele, segundo o CPTEC. Isso faz o 14 render 350 mW/m², contra 200 do 8: 75% a mais. A escala é linear, e o 11 fica em 275.
A conta das horas: 9h às 15h
O número vale para o pico, mas a radiação não aparece só nele. Segundo o CPTEC, no verão cerca de 20% a 30% da energia UV do dia chega entre 11h e 13h.
Entre 9h e 15h passa de 70% a 80%. Ou seja, a maior parte da dose cabe em seis horas, e é por isso que a OMS fala em sombra no meio do dia.
Dia nublado também queima
O índice sai sempre para céu claro, porque a nuvem muda a cada hora. Nuvens e aerossóis, as partículas em suspensão no ar, reduzem a radiação que chega ao chão, mas o CPTEC lembra que parte dela passa.
Por isso, dia nublado também pode oferecer perigo, principalmente para quem tem pele sensível. A mesma lógica vale para a fumaça: veja como a fumaça de queimada viaja longe do fogo e o que fazer a respeito.
Praia, serra e Equador: onde a radiação pesa mais
Três fatores fazem o mesmo dia render mais ou menos UV. A areia pode refletir até 30% da radiação, enquanto superfícies urbanas devolvem de 3% a 5%, segundo o CPTEC.
Altitude também conta: o ozônio cai cerca de 1% a cada quilômetro, e a energia UV sobe de 6% a 8%. Quanto mais perto do Equador, mais energia solar chega, o que pesa para o Norte do Brasil.
O verão traz mais UV do que a primavera
Perto de 20° de latitude, a irradiância UVB diária sobe cerca de 25% no verão e cai 30% no inverno, em relação à primavera e ao outono, aponta o CPTEC.
Estamos na primavera, então o verão tende a trazer números maiores. O motivo das estações é a inclinação da Terra, como explica a matéria sobre por que existem estações do ano.
O ozônio entra na conta, a temperatura não
O ozônio é o principal absorvedor da radiação UV, e a quantidade dele na coluna de ar é um dado de entrada do cálculo. O que os satélites viram neste ano está em o buraco na camada de ozônio de 2026.
A temperatura não está entre os dados do cálculo. Um dia de calor, como o das capitais nesta semana (veja a previsão de calor até sexta), e um dia fresco podem ter índice parecido, e vice-versa.
Como usar o número no dia a dia
A OMS orienta olhar o índice como se olha a temperatura: antes de planejar o dia. Em muitos países ele sai junto com a previsão em jornais, TV, rádio, internet e aplicativos.
Na prática, se o número passa de 3, planeje sombra, camiseta e chapéu para a janela das 9h às 15h. Se passa de 8, a OMS pede para evitar o meio do dia ao ar livre.
Um número de céu claro, não a dose da sua pele
O índice descreve o pico do dia sem nuvem. Ele não diz quanto tempo cada pessoa aguenta, nem substitui a orientação de um dermatologista sobre fator de proteção ou tipo de pele.
A OMS lembra que, mesmo para pessoas de pele muito clara, o risco abaixo de 2 é limitado. A tabela do CPTEC, do jeito que está escrita, deixa lacunas entre 2 e 3 e entre 10 e 11, e como o índice é inteiro, vale a divisão contínua da OMS.
Fontes: CPTEC/INPE, O que é Índice Ultravioleta (IUV)?. OMS, Radiation: the ultraviolet (UV) index.



