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Buraco na camada de ozônio de 2026 cresceu cedo e acima da média: o que isso significa para a recuperação da camada, segundo o Copernicus, que vê outros indicadores perto do normal

O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida passou de 15 milhões de km² no fim de agosto para cerca de 25 milhões em 12 de setembro de 2026, segundo o Copernicus. Isso fica 5 milhões acima da média da época, mas ainda abaixo do pico histórico de 2006.

Mapa de satélite da NASA com o buraco na camada de ozônio em azul e roxo sobre a Antártida, e o gráfico da área do buraco ao fundo

Ozônio total sobre a Antártida em 9 de setembro de 2025 (azul e roxo: pouco ozônio), com a área do buraco ao longo dos anos. É a imagem do ano passado: não há foto do buraco, que é invisível. Imagem: NASA Scientific Visualization Studio, Wikimedia Commons, domínio público.

O buraco de 2026 abriu um pouco mais cedo que a média e depois cresceu mais que o normal, mas a fonte não trata isso como sinal de que a recuperação parou. O Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus (CAMS) diz que outros indicadores seguem perto da média, segundo o comunicado de 16 de setembro.

Os números do buraco na camada de ozônio em 2026

Segundo o CAMS, o buraco chegou a 15 milhões de km² no fim de agosto, mais que a área da Antártida (14,2 milhões de km²). Foi um pouco antes da média e parecido com 2025, que chegou a essa área em 30 de agosto.

Na primeira quinzena de setembro, a área subiu de forma brusca, para cerca de 25 milhões de km² em 12 de setembro. São cerca de 5 milhões de km² acima da média do período, e a previsão do CAMS apontava possível aumento a partir de meados do mês.

MarcoÁrea do buracoObservação
Fim de agosto de 202615 milhões de km²Já maior que a Antártida, de 14,2 milhões
12 de setembro de 2026cerca de 25 milhões de km²Cerca de 5 milhões acima da média da época
Média para a mesma épocacerca de 20 milhões de km²Conta do W&W: 25 menos os 5 milhões acima da média
9 de setembro de 200629,6 milhões de km²Pico histórico dos 47 anos de medição

Arte: Watts & Wild, com dados do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus (CAMS), 16 de setembro de 2026.

Gráfico do CAMS com a área do buraco de ozônio de julho a dezembro, com a linha vermelha de 2026 acima da faixa média até 25 milhões de km² em setembro
Área do buraco de ozônio no Hemisfério Sul: 2026 em vermelho, 2025 e 2024 em azul, faixa cinza com a variação de 1979 a 2023. Gráfico de 12 de setembro de 2026. Crédito: CAMS/ECMWF, Copernicus, uso com atribuição.

O que "cedo" e "acima da média" querem dizer aqui

Os dois termos não descrevem a mesma coisa. "Cedo" vale para agosto: o buraco bateu os 15 milhões de km² ligeiramente antes do normal, num ritmo que o CAMS chama de típico dos últimos 46 anos.

"Acima da média" vale para setembro, quando a área disparou. Em outras palavras, o ano começou comum e ficou acima da média na primeira quinzena do mês, segundo o comunicado, que diz que 2026 segue à frente da média, ao contrário de 2025.

Como o frio da estratosfera abre o buraco

O buraco se forma quando o frio extremo da estratosfera sobre o polo permite nuvens estratosféricas polares. Nelas, com a luz do sol da primavera austral (de agosto a novembro), compostos com halogênios destroem o ozônio.

O CAMS associa o crescimento rápido de 2026 a uma queda súbita da temperatura mínima a cerca de 20 km de altitude sobre o polo Sul. Quanto mais frio, mais nuvens e mais ozônio destruído.

Mapa em cores da estratosfera sobre a Antártida, com o vórtice polar alongado em amarelo e verde, ao centro, em 5 de agosto de 2024
O vórtice polar alongado sobre a Antártida em 5 de agosto de 2024, em mapa de vorticidade. É outro ano, e mostra o vórtice deformado, não o de 2026. Imagem: NASA Earth Observatory, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

O frio fica preso porque, na Antártida, o vórtice polar e os ventos da estratosfera são mais estáveis que no Ártico, o que explica por que a perda de ozônio é maior ali. Segundo a NASA, no inverno os ventos de oeste dão a volta ao polo a cerca de 300 km/h e formam o vórtice.

Por que o buraco abre e fecha todo ano

O buraco depende do sol e do frio, então tem estação. Ele começa a crescer em agosto, no fim do inverno do Sul, e chega ao tamanho máximo em setembro, quando a primavera traz luz para o ozônio ser destruído.

Na curva mediana do gráfico do CAMS, a área volta perto de zero no começo de dezembro. Por isso o mesmo tamanho de buraco em setembro, em outubro ou em novembro conta uma história diferente.

O que é, afinal, um buraco na camada de ozônio

Não é um furo vazio. O CAMS define a área do buraco como a região em que o ozônio fica abaixo de 220 unidades Dobson, a medida de quantas moléculas há numa coluna de ar. Dentro dele, os valores podem cair a menos da metade do normal.

A camada protege a vida porque absorve boa parte da radiação ultravioleta (UV), uma das principais causas de câncer de pele, segundo o CAMS. Por quase meio século, emissões humanas de substâncias que destroem o ozônio a afinaram.

Quanto falta para o pico histórico de 2006

O maior buraco já medido tinha 29,6 milhões de km², em 9 de setembro de 2006. Com 25 milhões em 12 de setembro de 2026, o de agora está cerca de 4,6 milhões de km² abaixo, em datas muito próximas.

Na conta do W&W, 25 milhões de km² equivalem a cerca de 1,8 vez a Antártida, e a cerca de 85% do pico de 2006. O CAMS diz que os últimos anos tiveram buracos menores e de vida mais curta, o que indica recuperação.

O que isso significa para a recuperação da camada

O CAMS lembra que o buraco varia muito de um ano para outro, conforme fatores químicos e atmosféricos. Em 2026, a área cresceu, mas a coluna mínima de ozônio e o déficit de massa ficaram perto da média.

O déficit de massa junta área e profundidade: é a quantidade de ozônio que faltaria para levar a coluna da região a 220 unidades Dobson. Se ele está perto do normal, o buraco é largo, mas não mais fundo que o comum.

E o Brasil, que está longe do polo?

O comunicado trata da Antártida e dos números do polo. Ele não traz medida de radiação UV para o Brasil, e por isso não há aqui estimativa de efeito no índice UV do país. Para isso, o caminho é o INPE e o CPTEC.

Em outros temas, o mesmo céu aparece com outro papel: veja como a atmosfera perdeu poeira desde 2003 e o vórtice polar de Saturno, que tem forma de polígono. Para o clima polar na Terra, há o caso de as geleiras de Svalbard.

Onde acompanhar o buraco dia a dia

A NASA mantém o Ozone Watch, que publica um mapa por dia do ozônio sobre a Antártida. O de 1º de outubro de 2026 estava no ar na noite de 4 de outubro. O CAMS publica o gráfico da área, com previsão de cinco dias.

Nesses mapas, a cor conta a história: azul e roxo marcam pouco ozônio, e verde, amarelo e vermelho marcam mais. É assim que o buraco aparece como uma mancha escura sobre o continente.

O porém: um comunicado de setembro e um ano só

Os números de área citados aqui são de 12 de setembro, a data do comunicado do CAMS de 16 de setembro. O buraco continuou evoluindo depois disso, e o valor final do ano só será conhecido quando a temporada acabar.

Um ano acima da média numa medida não mostra tendência. A leitura de recuperação depende de muitos anos, e o próprio CAMS diz que acompanhar a interação entre causas humanas e naturais é o que importa.

Fontes: Copernicus CAMS, comunicado de 16 de setembro de 2026. CAMS/ECMWF, gráfico da área do buraco de ozônio, 12 de setembro de 2026. NASA Ozone Watch. NASA Earth Observatory, vórtice polar, 5 de agosto de 2024.

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