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Crocodilo sem a ponta do nariz é achado na pedra da Esfinge e ganha nome de deus egípcio

Uma equipe internacional descreveu uma espécie extinta de crocodilo, a Herugavialis cairensis, a partir de fósseis tirados da mesma rocha usada para esculpir a Esfinge de Gizé, no Egito. O crânio está sem a ponta do focinho, como o nariz da estátua. O estudo saiu na Royal Society Open Science.

Gavial de focinho longo e fino com a boca aberta na beira de um rio, parente vivo do crocodilo fóssil Herugavialis cairensis

Gavial vivo (Gavialis gangeticus), fêmea, no rio Chambal, na Índia, em novembro de 2017. É parente próximo do fóssil, que não tem foto de animal inteiro. Foto: Charles J. Sharp, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

O fóssil de crocodilo achado na rocha da Esfinge é uma espécie nova, a Herugavialis cairensis, de cerca de 45 milhões de anos. A equipe, de Reino Unido, Suécia, Alemanha e Egito, foi liderada por Paul Burke, do Museu Sueco de História Natural, em Estocolmo, segundo o comunicado divulgado no EurekAlert.

O nome vem do deus egípcio Heru, ligado à Esfinge. O crânio, bem conservado, perdeu a ponta do focinho, e essa coincidência com o nariz que falta na estátua decidiu a escolha do nome.

Fósseis de 1920 com o nome errado

Na década de 1920, vários fósseis saíram da Formação Mokattam, no Egito, em camadas de 45 milhões de anos. Entre eles havia um crânio quase completo. Na época, os cientistas o classificaram como Tomistoma, por causa da semelhança com o gavial-falso, que ainda vive hoje.

A tomografia mudou isso. Com ela, a equipe olhou dentro do crânio e achou diferenças em relação ao gavial-falso. Para os autores, o material pertence a outra espécie.

O que é um gavial e quantos restam

Gaviais são crocodilos de focinho longo e fino. Hoje vivem só em água doce no subcontinente indiano e no Sudeste Asiático, e restam duas espécies: Gavialis gangeticus e Tomistoma schlegelii, o gavial-falso. Nenhuma delas ocorre no Brasil, onde os crocodilianos são jacarés.

O registro fóssil mostra o contrário do mapa atual. Os gaviais se espalharam por quase o planeta inteiro ao longo de mais de 100 milhões de anos, e muitas espécies viviam em mares rasos.

Perfil da cabeça da Esfinge de Gizé em arenito alaranjado contra o céu azul, com o nariz ausente
Perfil da Esfinge de Gizé, sem o nariz, em dezembro de 2024. Foto: Bilal Detailz, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

Por que o nome Heru

Philip Mannion, professor da University College London e coautor, explicou a escolha no comunicado: "Dada essa coincidência com o nariz famosamente ausente da Grande Esfinge, decidimos batizar o novo crocodilo com o nome do deus egípcio Heru, que possivelmente inspirou esse monumento icônico."

O Egito tinha mais crocodilos

A Herugavialis não vivia sozinha. Os mares rasos que cobriam boa parte da região abrigavam pelo menos outras duas espécies de gavial.

Paul Burke, autor principal, disse que por boa parte dos últimos 50 milhões de anos o Mediterrâneo teve alta diversidade de crocodilos. Ela variou com a temperatura global e o nível do mar. Todos os crocodilos da região sumiram quando o Mediterrâneo secou, há cerca de 6 milhões de anos.

Comparação entre o rótulo antigo e a análise nova

PontoNos anos 1920Na análise nova
Nome dado ao fóssilTomistoma, pela semelhança com o gavial-falsoHerugavialis cairensis, espécie nova
Como foi examinadoAparência do crânioTomografia por dentro do crânio
Idade e lugar45 milhões de anos, Formação MokattamOs mesmos
Gaviais vivosNão constaDuas espécies, na Índia e no Sudeste Asiático

Arte: Watts & Wild, com dados do comunicado da UCL publicado no EurekAlert.

Onde ler o estudo

O artigo se chama "Cranial anatomy of the Middle Eocene Egyptian crocodylian Herugavialis cairensis provides new insights into gavialoid diversity in the Mediterranean region". Está na Royal Society Open Science, DOI 10.1098/rsos.261173.

Quem quiser ver outros achados fósseis recentes pode ler sobre o fóssil argentino parente dos marsupiais, o fóssil de 309 milhões de anos e as pegadas de dinossauros na França.

O que a coincidência com a Esfinge não prova

A ligação com a Esfinge é de nome e de rocha, não de biologia. O comunicado diz que o fóssil veio da mesma rocha usada no monumento e que Heru "possivelmente" inspirou a estátua. Não diz que o crocodilo teve qualquer papel na construção ou na perda do nariz da escultura.

O comunicado também não explica como o focinho do fóssil perdeu a ponta. A foto de capa mostra um gavial vivo, não o Herugavialis. A reconstrução artística do animal, de Karim Zanaty, está no comunicado. Os detalhes vêm do comunicado, e o artigo completo é o lugar para conferir as medidas.

Fontes: University College London e Museu Sueco de História Natural, comunicado no EurekAlert. Burke et al., Royal Society Open Science, DOI 10.1098/rsos.261173.

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