Animais e natureza

Cachorro-vinagre de até 75 centímetros aparece em áreas protegidas do Sesc Pantanal, e o nome desse animal discreto tem uma explicação que vai além da aparência

Câmeras de monitoramento e pesquisas científicas registraram um dos pequenos canídeos brasileiros em áreas do Cerrado e do Pantanal. O corpo alongado, as pernas curtas e as orelhas arredondadas ajudam a reconhecê-lo. Apesar da dificuldade de observação, a espécie deixa sinais no ambiente e costuma depender do trabalho em grupo.

cachorro-vinagre: Imagem de divulgação do Sesc permite reconhecer o corpo alongado e as orelhas arredondadas da espécie.

Imagem de divulgação do Sesc permite reconhecer o corpo alongado e as orelhas arredondadas da espécie. Foto: Divulgação/Sesc Pantanal.

O cachorro-vinagre foi identificado nas três áreas naturais de conservação do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, em Mato Grosso. Com pernas curtas, corpo alongado e orelhas arredondadas, o animal passa longe da aparência mais familiar dos cães domésticos.

O Sesc Pantanal divulgou os registros em 18 de setembro. A identificação reúne imagens de câmeras remotas e pesquisas científicas no Parque Sesc Serra Azul, na RPPN Sesc Pantanal e no Parque Sesc Baía das Pedras.

O nome vem do odor forte da urina, usado na marcação de território. O animal pode até se apoiar nas patas dianteiras e erguer as traseiras para alcançar superfícies mais altas, como árvores e pedras.

Registro divulgado pelo Sesc Pantanal mostra a passagem do animal pela vegetação. Vídeo: Reprodução/Sesc Pantanal.

Por que o cachorro-vinagre é difícil de ver?

A espécie é furtiva e discreta. O pesquisador Luiz Flamarion, do Museu Nacional, explicou ao Sesc que ela pode ser considerada rara e dificilmente é observada, mesmo vivendo em ambientes com elevada biodiversidade.

As câmeras ajudam porque permanecem no ambiente sem depender da presença de um observador no instante da passagem. Um dos registros no Parque Sesc Serra Azul, em Rosário Oeste, também foi mostrado pelo Página1.

O tamanho pequeno não impede a caça em grupo

O Sesc informa que o animal mede entre 57 e 75 centímetros. A cooperação é uma estratégia importante na caça, pois permite ao grupo capturar presas maiores do que seria esperado ao olhar um indivíduo isoladamente.

Entre os animais citados como presas estão tatus, cutias, pacas e catetos. O comportamento ajuda a entender sua função na cadeia alimentar e mostra que tamanho, sozinho, não descreve a capacidade desse predador.

Frame do vídeo divulgado pelo Sesc mostra o cachorro-vinagre parcialmente encoberto pela vegetação.
Frame do vídeo divulgado pelo Sesc mostra o cachorro-vinagre parcialmente encoberto pela vegetação. Foto: Divulgação/Sesc Pantanal.

O que explica a posição curiosa para marcar território?

Ao sustentar o corpo nas patas dianteiras e levantar as traseiras, o animal consegue direcionar a urina para pontos mais altos. A postura chama atenção, mas está ligada à marcação do ambiente.

O cheiro associado ao nome popular entra nessa comunicação. A aparência engraçada do movimento não muda sua função: deixar sinais em superfícies que fazem parte do espaço utilizado pela espécie.

Os registros atravessam dois biomas brasileiros

O Parque Sesc Serra Azul fica no Cerrado e protege cerca de 5 mil hectares em Rosário Oeste. As outras duas áreas citadas nos registros estão no Pantanal mato-grossense.

As três unidades somam 117 mil hectares, segundo o Sesc. A presença do animal em áreas diferentes reforça o interesse de pesquisadores em compreender sua ocorrência e as condições necessárias para mantê-lo em vida livre.

Registro de câmera de monitoramento divulgado pelo Sesc Pantanal.
Registro de câmera de monitoramento divulgado pelo Sesc Pantanal. Foto: Divulgação/Sesc Pantanal.

Pesquisadores participaram da identificação da espécie

Um estudo citado pelo Sesc teve participação de pesquisadores ligados à Fiocruz, ao Instituto Oswaldo Cruz e ao Museu Nacional. O trabalho foi publicado na revista Notas sobre Mamíferos Sudamericanos.

Para o gestor Vinicius Almeida, a ocorrência no Parque Sesc Serra Azul é um indicador da qualidade ambiental da área. A avaliação relaciona a presença do canídeo à conservação do espaço onde ele vive.

O grupo também importa na vida fora da caça

A espécie costuma se deslocar em grupos, embora um indivíduo possa aparecer sozinho em um registro. O Sesc descreve ainda um repertório vocal variado e a participação do macho nos cuidados com os filhotes.

Conhecer esses comportamentos evita reduzir o animal a uma aparência incomum. A mesma atenção aos detalhes ajuda a distinguir catetos e queixadas e a reconhecer o furão encontrado na Amazônia.

A presença registrada não elimina o risco para a espécie

O cachorro-vinagre é considerado vulnerável pelo ICMBio, conforme a divulgação do Sesc. A dificuldade de observá-lo também torna mais trabalhoso conhecer suas populações no ambiente natural.

Registrar o animal é uma parte da conservação. As imagens ampliam o conhecimento sobre onde ele ocorre, mas não significam, por si sós, que a espécie deixou de enfrentar ameaças ou que suas populações estejam aumentando.

As câmeras revelam um morador discreto das áreas protegidas

O acompanhamento reúne informação científica e cenas de um animal que muitos brasileiros nunca viram. Outros encontros com fauna em áreas naturais, como o da onça Manchita em Iguaçu, também dependem desse olhar atento.

Se esse bicho aparecesse diante de você, reconheceria um canídeo pelas orelhas e pelo focinho ou teria outra impressão? O nome ou o jeito de marcar território surpreendeu mais? Deixe sua opinião nos comentários.

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