O cânion Itaimbezinho, em Cambará do Sul (RS), tem paredões de até 720 metros de profundidade e 5,8 quilômetros de extensão, segundo o Serviço Geológico do Brasil, esculpidos em lava basáltica empilhada e erosão
O cânion Itaimbezinho, em Cambará do Sul (RS): paredões verticais esculpidos em rocha vulcânica ao longo de milhões de anos. Foto: Everson José de Freitas Pereira/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Os paredões do cânion Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, em Cambará do Sul (RS), chegam a 720 metros de profundidade e 5,8 quilômetros de extensão, conforme o Serviço Geológico do Brasil. A rocha, empilhada em derrames de lava basáltica, foi cortada por rios ao longo do tempo. O ICMBio cuida da visitação.
O cânion Itaimbezinho corta o planalto da Serra Geral em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, com paredões verticais que chegam a 720 metros de profundidade ao longo de 5,8 quilômetros de extensão. O dado consta na ficha do geossítio do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o órgão federal que mapeia e cataloga formações geológicas do país.
A fenda faz parte do Parque Nacional de Aparados da Serra, unidade federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A página do parque cuida do acesso e das trilhas, mas não repete a medida dos paredões, hoje registrada na base de geossítios do SGB.
Os paredões do Itaimbezinho batem 720 metros de altura em pelo menos um ponto, segundo o SGB. A cifra vem do Geossit, o banco de geossítios do órgão, que também mede 5,8 quilômetros de extensão para o cânion. O ICMBio, dono do parque, gerencia a visitação sem repetir esse número na própria página.
Onde fica o cânion Itaimbezinho e como chegar até Cambará do Sul (RS)
O Parque Nacional de Aparados da Serra fica na Rodovia RS 427, Km 18, no bairro Itaimbezinho, em Cambará do Sul, na Serra Gaúcha, perto da divisa com Santa Catarina. A unidade soma cerca de 12.966 hectares de área protegida, segundo o ICMBio.
A mesma Serra Gaúcha já foi palco de outro fenômeno natural raro: em janeiro de 2026, pesquisadores associaram um brilho no céu visto na região a uma anomalia no campo magnético sobre o Rio Grande do Sul, parecida com aurora austral. O parque nasceu por decreto federal de 17 de dezembro de 1959, com limites ajustados em 1972.
Os paredões de até 720 metros medidos pelo Serviço Geológico do Brasil
O Geossit, banco de geossítios do SGB, registra paredões de profundidade de até 720 metros ao longo de 5,8 quilômetros de extensão para o cânion Itaimbezinho. A ficha classifica o local como geossítio de relevância internacional, ligado ao Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul.
O mesmo registro atribui ao geossítio valor científico de 320 pontos e valor educativo de 305 pontos, numa escala que o SGB usa para hierarquizar sítios geológicos do país. O risco de degradação aparece como baixo, com nota 115 na mesma ficha.
Como a lava basáltica empilhada em 13 derrames formou as paredes verticais
As paredes do cânion expõem uma pilha de rochas vulcânicas da Formação Serra Geral, do período Cretáceo, segundo a classificação do SGB. O Geossit conta 13 derrames de lava basáltica sobrepostos, cada um com espessura entre 15 e 55 metros, em média 25 metros.
A composição química varia entre basalto da fácies Gramado, mais comum na base, e rochas vulcânicas ácidas, como riolito e riodacito, mais raras no topo da pilha. Outro geossítio talhado em rocha vulcânica e datado pelo SGB é o vulcão extinto de Fernando de Noronha, no litoral de Pernambuco.
A erosão dos rios que abriu a fenda no planalto
O SGB explica que o cânion nasceu da erosão de talvegue fluvial, o caminho que a água segue encaixada no relevo, cortando de forma transversal as escarpas basálticas empilhadas. Ao longo do tempo geológico, os cursos de água aprofundaram esse corte até a fenda atual.
O desgaste continua hoje pela queda de blocos nas paredes e pela dissecação geomorfológica, o recuo lento da rocha pela ação da água e da gravidade. É o mesmo tipo de processo que talha outros cânions do planalto sul-brasileiro.
Por que o Itaimbezinho integra um geoparque de relevância internacional?
O Geossit classifica o cânion Itaimbezinho, junto do vizinho Fortaleza, como parte do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, com relevância internacional. O registro tem o código Sigep nº 050, dentro do Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil, projeto ligado ao SGB.
A nota de valor turístico do geossítio chega a 280 pontos, classificada como relevância nacional pelo próprio SGB. O reconhecimento reforça o papel do cânion como referência de ensino de geologia ao ar livre, além de atração de paisagem.
O cânion Fortaleza, vizinho maior que o Itaimbezinho
A poucos quilômetros dali, dentro do mesmo geossítio, fica o cânion Fortaleza, maior que o Itaimbezinho em extensão. O SGB mede 7,5 quilômetros de comprimento para o Fortaleza, com altitude máxima de 1.157 metros e paredões de até 800 metros de desnível.
Os dois cânions cortam o mesmo pacote de derrames da Formação Serra Geral, mas ficam em parques distintos: o Itaimbezinho no Parque Nacional de Aparados da Serra, e o Fortaleza no Parque Nacional da Serra Geral, também sob gestão do ICMBio.
Como funciona a visitação pelo ICMBio no Parque Nacional de Aparados da Serra
O acesso ao cânion Itaimbezinho acontece pelo Parque Nacional de Aparados da Serra, com dias e horários de visitação definidos pelo ICMBio e cobrança de ingresso. A trilha do Cotovelo, mais curta e plana, fica aberta a todos os públicos nos dias de funcionamento do parque.
Já a trilha do Rio do Boi, que desce ao leito do cânion, só é liberada com condutor credenciado, regra de segurança mantida pelo ICMBio. É a diferença entre observar os paredões de cima e entrar de fato na fenda aberta na rocha.
Reportagens recentes divergem do número exato do SGB
Reportagens de turismo publicadas em 2026 citam números variados para o cânion Itaimbezinho: umas falam em paredões de até 700 metros, outras chegam a mencionar 900 metros de profundidade. Nenhuma delas é a ficha técnica do geossítio.
A página oficial do Parque Nacional de Aparados da Serra, no site do ICMBio, nem chega a citar um número para a profundidade do cânion. Por isso a medida exata usada aqui vem da ficha técnica do SGB, o órgão que mapeia geossítios no Brasil.
O que fica registrado sobre o cânion Itaimbezinho
Para o Serviço Geológico do Brasil, o cânion Itaimbezinho segue como um dos maiores geossítios do país, com paredões de até 720 metros esculpidos em lava basáltica empilhada e cortados pela erosão dos rios ao longo do tempo geológico.
Novas medições podem ajustar esse número no futuro, como já aconteceu com outras paisagens moldadas por processos naturais, caso das lagoas sazonais do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Você já visitou o cânion Itaimbezinho ou outro cânion da Serra Geral? Conte nos comentários.



