Um tamboril gigante ocupa o meio de uma rua em Petrolina há gerações, e a estimativa de um professor coloca a árvore entre 120 e 230 anos
Tamboril gigante em Petrolina tem idade estimada entre 120 e 230 anos por engenheiro florestal. Moradores preservam a árvore.
Um tamboril de grande porte chama atenção em Petrolina e mobiliza moradores que convivem com a árvore. O engenheiro florestal Ricardo Macedo estimou sua idade entre 120 e 230 anos a partir das características avaliadas. O intervalo é uma estimativa técnica, sem estabelecer um ano exato para o nascimento dela.
Tamboril em Petrolina, com idade estimada por engenheiro florestal entre 120 e 230 anos. Reprodução/g1.
No meio da rua Conselheiro Rosa e Silva, no bairro Palhinhas, em Petrolina, um tamboril gigante toma parte da via calçada com paralelepípedo. A árvore é tão grande que já virou o jeito que os moradores explicam onde moram: "a rua da árvore grossa do meio da rua".
Segundo o g1 Petrolina, em reportagem publicada em 21 de setembro de 2026, o tamboril é tratado como testemunha dos 131 anos de emancipação política da cidade, no Sertão de Pernambuco, e acompanha as mudanças do bairro há décadas, segundo quem mora ali há mais tempo.
a idade exata do tamboril de Petrolina não é conhecida, porque ninguém registrou quando ele foi plantado. Um professor do Instituto Federal do Sertão Pernambucano mediu o tronco, 1,84 metro de diâmetro a 1,5 metro do chão, e calculou, pela taxa de crescimento da espécie, uma faixa de 120 a 230 anos.
O tronco de 1,84 metro que intrigou o bairro inteiro
A origem do tamboril da rua Rosa e Silva é incerta até para quem vive na região há mais tempo. Uma vizinha afirma que a árvore foi plantada pela própria mãe, hoje com 91 anos, para dar sombra à casa da família.
Outro morador relata uma versão diferente: a árvore teria sido plantada em outro ponto e transferida. São memórias de moradores apresentadas pelo g1, enquanto o cálculo do professor é uma estimativa pela medida do tronco.
Um professor entrou na conta para calcular a idade real
A pedido do g1, o professor Ricardo Macedo, do Campus Petrolina Zona Rural do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) e especialista em arborização urbana, calculou a idade estimada da árvore.
Ele usou a taxa de crescimento anual do tamboril e o diâmetro medido a 1,5 metro do chão. Segundo o professor, uma árvore da espécie com 1,84 metro de diâmetro tem entre 120 e 230 anos de vida.
A árvore que virou endereço para quem mora na rua
Evanete Castro da Silva, de 56 anos, natural de Senhor do Bonfim, na Bahia, se mudou para Petrolina há dez anos para acompanhar o filho, que foi cursar faculdade na cidade. Ela mora na rua Conselheiro Rosa e Silva e tem o tamboril como referência do próprio endereço.
"Como todos dizem aqui: 'Ah, eu moro naquela rua da árvore grossa do meio da rua'. Aí todo mundo já sabe qual é a árvore", contou Evanete ao g1.
Quantos anos tem o tamboril gigante de Petrolina?
Não existe registro oficial da data de plantio, então a idade exata segue incerta. O que existe é o cálculo do professor Ricardo Macedo, que aponta uma faixa entre 120 e 230 anos, com base no diâmetro do tronco.
Independentemente do número exato, moradores da rua dizem que a curiosidade é constante. "Todo mundo que chega aqui fica perguntando quantos anos a árvore tem. A gente fica com alegria porque mora no bairro", contou o morador José Brito ao g1.
Moradores viram a roça virar rua asfaltada ao redor da árvore
Maria da Luz, de 86 anos, se mudou para o bairro há meio século, quando recebeu do sogro a missão de comprar uma casa em Petrolina. Na época, o tamboril já estava lá, mas o cenário ao redor era outro.
"Petrolina era bem simplesinha, não existia asfalto, era tudo terra de chão", lembrou Maria da Luz. Ela contou ainda que os moradores mais antigos relatavam que ali havia uma casa de taipa onde se faziam forrós.
José Brito viu a árvore desde a infância entre roças cercadas de arame
José Brito, de 62 anos, mora há mais de seis décadas na Conselheiro Rosa e Silva. Quando criança, brincava com os irmãos numa rua de terra, com o tamboril já lá, testemunhando a rotina da família.
"Aqui era uma roça, nós morávamos dentro de uma roça, só tinha uma saída, porque era toda cercada de arame", descreveu José, segurando uma fotografia da época enquanto relembrava a infância ao repórter do g1.
O primeiro nome de Petrolina também veio de uma árvore
O historiador e jornalista Jota Menezes lembra que a própria origem do nome da cidade está ligada à vegetação da região. O primeiro nome de Petrolina foi Passagem do Juazeiro, referência à árvore juazeiro, comum no Vale do São Francisco.
"Uma árvore é um patrimônio vivo de uma cidade. Quando a gente olha esse tamboril aqui no bairro de Palhinhas, a gente pensa no quanto essa árvore serviu não só de sombra, mas de referência para uma comunidade", disse Jota Menezes ao g1.
De vila pequena a terceira maior cidade do estado
Segundo dados do IBGE divulgados em 2025, Petrolina tem hoje uma população estimada em mais de 418 mil pessoas. É a terceira maior população de Pernambuco, atrás apenas de Recife, com 1.588.376 habitantes, e Jaboatão dos Guararapes, com 684.293.
O número de bairros também cresceu ao longo das décadas e hoje chega a cerca de 140. Na infância do marceneiro aposentado João de Aquino, de 85 anos, que chegou à cidade em 1950, vindo de Paulistana, no Piauí, existiam só quatro: Atrás da Banca, Vila Mocó, Ciseiro (hoje Gercino Coelho) e Alto Cheiroso.
Fruticultura irrigada exporta para mais de 50 países
Para Jota Menezes, a vocação para a fruticultura irrigada e a posição geográfica explicam boa parte do crescimento de Petrolina. A cidade fica no caminho de quem viaja entre o Norte e o Sul do Brasil, cruzando a ponte Presidente Dutra.
Jota Menezes destacou a exportação de frutas para mais de 50 países ao explicar o crescimento de Petrolina. Ele também apontou a posição geográfica da cidade como parte de sua importância regional.
Por que o tamboril nunca foi derrubado com o crescimento da cidade?
Maria Madalena Feitosa vive há cinco décadas na rua Rosa e Silva e viu as roças da região virarem bairros cortados por avenidas, prédios e outras construções ao redor da árvore.
"A cidade cresceu e nunca foi tirada esta árvore", destacou Maria Madalena ao g1. Para ela, o tamboril segue como fio condutor entre o passado simples do bairro e o presente urbanizado.
Moradores usam a árvore como referência de endereço
José Brito contou ao g1 que visitantes costumam perguntar a idade da árvore. Para quem mora na rua, essa curiosidade também se transforma em uma maneira de falar da história do bairro.
Evanete Castro da Silva disse que a árvore funciona como referência de endereço. Ao mencionar a rua do tamboril grande, os moradores conseguem indicar um ponto reconhecido por outras pessoas da região.
O que ainda não dá para cravar sobre essa árvore
A idade do tamboril de Petrolina continua sendo uma estimativa, não um fato documentado. O cálculo de 120 a 230 anos do professor Ricardo Macedo parte da taxa de crescimento da espécie e do diâmetro medido, não de um registro de plantio.
As duas versões sobre a origem da árvore, plantada no local ou transferida de outro ponto da rua, também não têm como ser confirmadas com documento. O que fica é o consenso de quem mora ali: a árvore está lá há muito mais tempo do que qualquer um consegue lembrar.
Tamboril segue no centro da rua enquanto Petrolina completa 131 anos
Enquanto a cidade celebra os 131 anos de emancipação política em 2026, o tamboril segue firme no meio da Conselheiro Rosa e Silva, cercado por casas, carros e a rotina do bairro Palhinhas.
Para moradores como Maria da Luz, mudar de endereço está fora de cogitação. "Graças a Deus estamos aqui e a cidade está evoluindo e crescendo bastante", comemorou. Na sua opinião, uma árvore como essa deveria virar patrimônio protegido oficialmente pela cidade? Deixe sua opinião nos comentários.



