O rio Madeira marcou 3,35 metros na régua de Porto Velho em 22 de setembro de 2026, e o Serviço Geológico do Brasil já projeta estabilização do nível nos próximos 15 dias, depois de três semanas de queda
A régua de Porto Velho, no rio Madeira, fechou em 3,35 metros em 22 de setembro de 2026, perto da mediana histórica da data. O Serviço Geológico do Brasil aponta estabilização nos próximos 15 dias, enquanto o governo mantém dragagem contínua para preservar a navegação na hidrovia.
A orla de Porto Velho (RO), às margens do rio Madeira, onde fica a régua fluviométrica usada pelo SGB para medir a cheia e a vazante do rio. Foto: Silva Júnior/Ministério do Turismo (domínio público), via Wikimedia Commons.
O rio Madeira marcou 3,35 metros na régua de Porto Velho, em Rondônia, no boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB) de 22 de setembro de 2026. O valor fica cinco centímetros abaixo da mediana histórica calculada pelo próprio órgão para esta data do ano.
A estação integra o Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira (SAH Madeira), mantido pelo SGB com dados da Rede Hidrometeorológica Nacional, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O mesmo boletim acompanha outras quatro réguas da bacia, entre Rondônia e o Amazonas.
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A cota do rio Madeira ficou estável na régua de Porto Velho na última semana, e o SGB projeta estabilização do nível nos próximos 15 dias. A régua caiu de 4,49 m para 3,35 m ao longo de setembro, mas a previsão mudou de queda para estabilidade no boletim de 22 de setembro de 2026.
A régua de Porto Velho marca 3,35 metros em 22 de setembro
O boletim do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira, do SGB, atualizado com dados colhidos às 7h15 (horário local de Rondônia) de 22 de setembro de 2026, registrou nível de 3,35 metros na régua instalada no rio Madeira, em Porto Velho.
A cota mediana histórica calculada pelo órgão para esta mesma data do ano é de 3,40 metros, o que deixa a leitura atual dentro da faixa considerada normal para o período, segundo o próprio boletim.
A queda de setembro, boletim a boletim
No primeiro boletim do mês, de 1º de setembro, a régua marcava 4,49 metros. Uma semana depois, em 8 de setembro, o nível já havia recuado para 3,72 metros, segundo o SGB.
A queda seguiu em 15 de setembro, quando a régua indicou 3,45 metros, até chegar aos 3,35 metros do boletim mais recente, de 22 de setembro. No total, o recuo medido pelos quatro boletins de setembro passa de 1,14 metro.
Pela primeira vez no mês, o modelo aponta estabilidade, não queda
Os boletins de 1º, 8 e 15 de setembro previam redução contínua do nível em Porto Velho para os 15 dias seguintes, segundo o modelo hidrológico SMAP usado pelo SGB.
O boletim de 22 de setembro mudou o texto da previsão para "estabilizar o nível lentamente". É a primeira vez no mês em que o modelo não aponta queda para a estação de Porto Velho.
A chuva que pode segurar o nível até outubro
A bacia hidrográfica delimitada pela estação de Porto Velho recebeu 7,8 milímetros de chuva na semana encerrada em 22 de setembro, segundo dados de satélite (Merge/Cptec-Inpe) citados no boletim do SGB.
Para os 15 dias seguintes, a média do Ensemble do modelo GEFS/Noaa prevê 5,3 mm na primeira semana e 19,4 mm na segunda. O SGB liga esse volume a cenários que vão da estabilidade à elevação do nível.
Qual é o trecho mais crítico da hidrovia do rio Madeira?
O boletim traz também um perfil do leito do rio Madeira, simulado com o modelo HEC-RAS em parceria com o Dnit, que aponta os trechos mais críticos para a navegação na vazante atual.
O primeiro fica a jusante de Humaitá, no Amazonas, e o segundo cerca de 100 quilômetros a montante de Manicoré, também no Amazonas, segundo a simulação publicada em 22 de setembro de 2026.
A previsão de perda de profundidade encolheu a cada boletim
Em 1º de setembro, o SGB projetava redução média de 0,45 metro na profundidade da lâmina d'água desses trechos críticos ao longo dos 15 dias seguintes. Em 8 de setembro, a estimativa caiu para 0,42 metro.
O recuo projetado voltou a cair em 15 de setembro, para 0,14 metro. No boletim de 22 de setembro, a previsão de nova perda de profundidade nos próximos 15 dias já era de apenas 0,06 metro.
Contrato de R$ 123,6 milhões mantém a dragagem até 2029
O governo federal publicou no Diário Oficial da União de 20 de maio de 2026 o contrato nº 323/2026, de R$ 123,6 milhões, entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o Dnit, para dragagem de manutenção contínua na hidrovia do rio Madeira (HN-117).
O contrato cobre o trecho entre Porto Velho e a foz do rio, no Amazonas, incluindo a travessia da BR-230, e tem vigência até novembro de 2029, segundo reportagens que tiveram acesso à publicação oficial.
As outras quatro réguas do mesmo boletim da bacia do Madeira
O boletim de 22 de setembro também acompanha Guajará-Mirim, no rio Mamoré (6,28 metros, em queda), e Ji-Paraná, no rio Machado (6,54 metros, também em queda), ambas dentro da faixa normal para a data.
Já a estação UHE Jirau Jusante Beni, no rio Madeira em Nova Mamoré (10,51 metros), e a estação Morada Nova, no rio Abunã em Porto Velho (9,22 metros), aparecem acima da faixa de normalidade histórica para este período do ano, segundo o SGB.
Estabilizar não é subir, e o boletim pode mudar de novo
O próprio SGB descreve a estabilização como uma mediana de previsão, não uma certeza: a dispersão dos cenários cresce na segunda metade do horizonte de 15 dias e inclui tanto a estabilidade quanto a elevação do nível, dependendo da chuva real na bacia.
Nenhum dado deste boletim aponta risco de cheia em Porto Velho. A leitura de 3,35 metros segue classificada como dentro da faixa de normalidade histórica para o fim de setembro, segundo o próprio SGB.
Onde acompanhar a próxima leitura da régua de Porto Velho
O SGB costuma publicar um novo boletim da bacia do Rio Madeira a cada semana, com dados e previsões disponíveis em sgb.gov.br/sace/madeira. Para regras de navegação em vigor no trecho, o canal oficial é a Capitania Fluvial de Porto Velho, da Marinha do Brasil.
Nenhuma informação deste texto substitui o aviso vigente desses dois órgãos para quem depende da travessia ou do transporte de carga no rio. Você mora às margens do rio Madeira ou depende da hidrovia para se deslocar? Conte nos comentários.



