Tempo e clima

Da máxima de 38,6 °C, a maior do ano, à volta da chuva: o calor em Manaus e a fumaça de 22 a 25 de setembro nos dados do Inmet e dos sensores do Selva

A estação automática do Inmet em Manaus marcou 38,6 °C às 15h de 22 de setembro de 2026, a maior temperatura do ano no aparelho. A chuva voltou só na noite de 24, com 8,8 milímetros, e na manhã seguinte nenhum sensor ativo do Selva em Manaus passava de 42,6 microgramas por metro cúbico.

Sol vermelho encoberto pela fumaça sobre Manaus, imagem de arquivo que ilustra o calor em Manaus e a fumaça das queimadas

Sol vermelho atrás da fumaça sobre Manaus na manhã de 26 de outubro de 2015, em outro episódio de queimadas na Amazônia. Foto: Wilsa Freire, cedida à Amazônia Real/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O calor em Manaus chegou a 38,6 °C na terça-feira, 22 de setembro de 2026. A marca saiu da estação automática A101 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no registro das 15h, e é a maior temperatura do ano na série horária do aparelho.

Dois dias depois, a capital do Amazonas teve a primeira chuva desde 16 de setembro. Na véspera, a fumaça das queimadas tinha deixado o ar na faixa péssima, com 188,5 microgramas de partículas finas por metro cúbico, segundo a Prefeitura.

Em 48 horas, a cidade foi do dia mais quente do ano a uma noite na casa dos 24 °C, com sensores de fumaça bem mais baixos. Às 8h de 25 de setembro, sete dos 11 sensores ativos do Selva na área urbana marcavam menos de 25 microgramas.

Os 38,6 °C saíram da estação A101, no registro das 15h de 22 de setembro

A tabela pública da estação A101 mostra, para cada hora, a temperatura do momento, a máxima e a mínima daquele intervalo. No registro das 19h UTC de 22 de setembro, que são 15h em Manaus, a coluna da máxima chegou a 38,6 °C.

Às 13h, a máxima da hora já tinha batido 38,2 °C, a primeira passagem do ano acima de 38 °C na estação. Depois do pico das 15h, o valor caiu para 37,8 °C às 16h e para 36,9 °C às 17h.

Estação meteorológica do Inmet cercada por tela em Natal, com abrigo de instrumentos, torre de vento e pluviômetros
Estação meteorológica do Inmet no câmpus da UFRN, em Natal (RN), fotografada em 2021; a rede do instituto inclui estações automáticas como a A101, que mediu os 38,6 °C em Manaus. Foto: Marcos Elias de Oliveira Júnior/Wikimedia Commons (CC0).

Antes de 22 de setembro, a maior marca de 2026 na estação era 37,8 °C

Na série horária de 1º de janeiro a 21 de setembro, o valor mais alto da estação A101 era 37,8 °C, registrado às 14h de 20 de setembro. Em todo o primeiro semestre, a máxima não passou de 35,3 °C, anotada em 4 de março.

Os 37,6 °C de 1º de setembro, citados em reportagens como a marca anterior, aparecem na tabela, mas já tinham sido superados no dia 20. Pela série do Inmet, o salto do dia 22 foi de 0,8 °C sobre a maior temperatura anterior do ano, e não de 1 °C.

O calor em Manaus de 2026 ainda fica abaixo dos 39,2 °C de outubro de 2023

A mesma estação já registrou temperatura maior. Em 2 de outubro de 2023, a máxima chegou a 39,2 °C às 15h, e em 10 de outubro daquele ano bateu 39 °C, conforme a tabela horária do Inmet para a A101.

Reportagens publicadas em 22 de setembro citaram 40 °C em 10 de outubro de 2023 como a maior temperatura já medida em Manaus. Esse valor não aparece na série horária da estação automática A101, cujo máximo naquele dia foi de 39 °C.

Leia também: os 44,8 °C de Araçuaí, a maior temperatura já registrada no Brasil pelo Inmet.

Seis dias seguidos com máxima acima de 37 °C, de 19 a 24 de setembro

O dia 22 não foi um ponto isolado. De 19 a 24 de setembro, todas as máximas diárias da estação A101 passaram de 37 °C: 37,3 °C, 37,8 °C, 37,2 °C, 38,6 °C, 37,9 °C e 37,6 °C, nessa ordem.

No dia 18, a máxima tinha ficado em 35,5 °C. Foram seis tardes seguidas acima de 37 °C, sem nenhuma chuva no pluviômetro da estação entre 17 e 23 de setembro.

Leia também: a regra dos 5 °C que o Inmet usa para caracterizar uma onda de calor.

Umidade de 32% na tarde mais quente, perto da faixa de aviso do Inmet

Na hora do pico, a umidade relativa do ar desceu a 32% na estação A101. Em 19 de setembro, o mínimo foi de 31%. Na manhã de 25, depois da chuva, o mesmo aparelho marcava entre 83% e 94%.

No aviso amarelo de baixa umidade, o Inmet descreve a umidade relativa variando entre 30% e 20%, com baixo risco de incêndios florestais e à saúde. Manaus ficou de um a dois pontos acima dessa faixa nos dias 19 e 22.

A chuva da noite de 24 derrubou 5,6 °C em uma hora na estação

Às 18h de 24 de setembro, horário de Manaus, a estação A101 marcava 34,3 °C. Uma hora depois, com os primeiros 0,2 milímetro de chuva e rajada de 7,8 metros por segundo, cerca de 28 km/h, a temperatura estava em 28,7 °C.

O volume maior veio mais tarde: 8,6 milímetros no registro das 23h, com rajada de 12,3 metros por segundo, perto de 44 km/h. Nessa hora, a temperatura tinha caído a 24,1 °C e a umidade tinha subido a 94%.

Quanto são 8,8 milímetros de chuva?

Um milímetro de chuva equivale a um litro de água em cada metro quadrado de chão. Na conta do dia 24, a estação somou 8,8 milímetros. Até as 7h de 25 de setembro, vieram mais 1,8 milímetro, num total de 10,6 milímetros desde o começo da chuva.

Foi a primeira chuva medida na A101 desde 16 de setembro, quando o pluviômetro anotou 1,2 milímetro. Para a fumaça, a chuva ajuda porque as gotas arrastam para o chão parte das partículas que estavam suspensas no ar.

Nuvens carregadas de tempestade sobre o rio Negro em frente a Manaus
Tempestade se forma sobre o rio Negro em frente a Manaus, em 23 de janeiro de 2009, imagem de arquivo. Foto: James Martins/Wikimedia Commons (CC BY 3.0).

O que os sensores do Selva mostravam às 8h de 25 de setembro

O Selva, plataforma da Universidade do Estado do Amazonas que reúne sensores de baixo custo, exibia às 8h02 de 25 de setembro leituras de 11 sensores ativos na área urbana de Manaus. Os valores iam de 10,3 a 42,6 microgramas de partículas finas por metro cúbico.

Sete dos 11 marcavam menos de 25 microgramas, o teto da faixa boa na escala usada em Manaus. Na manhã de 24, ainda antes da chuva, o mesmo sistema tinha marcado 148 microgramas no Distrito Industrial I, por volta das 7h30, segundo o ClimaInfo.

Uma manhã de ar mais limpo não encerra a temporada de fumaça

As leituras do Selva são instantâneas e vêm de sensores de baixo custo. Um retrato das 8h mostra aquele momento, e não a média do dia, que pode voltar a subir se a fumaça retornar.

A chuva também não apaga os focos de calor. Enquanto houver queimadas nas áreas de onde, segundo a Prefeitura, vem a fumaça, a melhora de uma manhã não garante as seguintes.

Leia também: o decreto de emergência por estiagem no Amazonas, válido por 180 dias.

Dois avisos amarelos de chuvas intensas do Inmet cobrem Manaus até o fim de 26 de setembro

Manaus está incluída em dois avisos do Inmet de chuvas intensas, no nível de perigo potencial, o amarelo. O primeiro vale até o fim do dia 25 de setembro, e o segundo cobre todo o dia 26.

Os avisos descrevem chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros por dia, com ventos de 40 a 60 km/h. O risco listado é baixo: corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

A tabela horária e o gatilho de 250 microgramas são os números a acompanhar

A tabela da estação A101 é atualizada de hora em hora no site do Inmet, e o Selva mostra as leituras dos sensores quase em tempo real. São as duas vitrines que dizem se o calor e a fumaça voltam depois da chuva.

O decreto estadual de 9 de setembro prevê emergência se o material particulado passar de 250 microgramas por metro cúbico. Na manhã de 25, a leitura mais alta em Manaus estava em 42,6, e a dúvida dos próximos dias é se a chuva dos avisos vai segurar o ar nesse patamar.

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