Vegetação do Pantanal: por que uma planície alagada reúne plantas de outros biomas
A vegetação do Pantanal é uma mistura de plantas trazidas de outros biomas, como Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Chaco. Para uma planície que fica boa parte do ano debaixo d'água, isso parece estranho. Mas essa mistura é o que define a paisagem.
Imagem: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE/Flickr (CC BY-SA 2.0). Origem: flickr.com.
Como plantas de regiões tão diferentes conseguem viver no mesmo lugar? A resposta passa por três pontos: de onde elas vieram, o papel da água e o papel do fogo.
De onde vêm as plantas do Pantanal
Segundo a Embrapa Pantanal, a flora do bioma veio do Cerrado, da Amazônia, do Chaco e da Mata Atlântica. A camalote-da-meia-noite e a vitória-régia são dois exemplos de plantas vindas da Amazônia. Poucas espécies existem só aqui, as chamadas endêmicas.
Ou seja, o Pantanal abriga sobretudo plantas que chegaram de fora, e poucas são exclusivas dele.
Quantas espécies existem, então? O site Ecycle, citando a Embrapa Pantanal, fala em quase 2 mil espécies de plantas. Outro texto do mesmo site fala em cerca de 2.500. A conta muda conforme o levantamento e a data, por isso vale checar a fonte mais recente antes de citar um número.
Quadro de serviço: formações da vegetação do Pantanal
- Carandazais: formação dominada pela palmeira carandá.
- Buritizais: formação dominada pela palmeira buriti.
- Paratudais: formação dominada pelo paratudo (Tabebuia aurea).
- Matas ciliares: acompanham os rios.
- Campos inundáveis: ficam alagados por parte do ano.
- Vegetação pioneira: ocupa 5.212 km², ou 3,46% do bioma, concentrada no oeste. Dado de estudo da Embrapa de 2010.
- Área do bioma: cerca de 150 mil km² pelo mapa do IBGE de 2004.
- Perda de vegetação natural: entre 2000 e 2018, o bioma perdeu 2.109 km² (1,6%), a menor perda absoluta entre os biomas segundo o IBGE. Cerca de 59% dessa perda virou pastagem. Os dados foram divulgados em 2020, e a situação pode ter mudado desde então.
- O que ainda não se sabe: o número exato de espécies, porque os levantamentos mudam.
Como água e fogo definem quem fica em cada área
A água é o principal filtro. O encharcamento do solo, durante parte do ano, favorece algumas plantas e afasta outras. Por isso matas, cerradões, savanas e campos inundáveis se alternam pelo bioma.
O fogo também entra nessa conta. Reportagem da FAPESP Pesquisa descreve formações monodominantes, áreas de dezenas de quilômetros em que uma só espécie de árvore predomina. Pesquisa citada na mesma reportagem indica que a alternância entre enchentes e incêndios favorece o paratudo sobre outras espécies.
Água e fogo, juntos, ajudam a decidir quem fica em cada área.
Agora dá para entender a mistura. Cada formação fica com as plantas que aguentam as cheias e os incêndios daquele trecho, e as espécies vindas de fora se encaixam nesses espaços.
Fonte: sospantanal.org.br.
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