O que é Pantanal Mato-grossense: a maior planície inundável do mundo e o que ainda é mistério
O Pantanal Mato-grossense é o menor dos seis biomas brasileiros e, ao mesmo tempo, a maior planície inundável do mundo. Ele ocupa o oeste de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, e a água que cobre a região muda de nível quase todos os anos.
Imagem: dany13/Flickr (CC BY 2.0). Origem: img.wattsandwild.com.
Entender esse vai e vem ajuda a ler as notícias sobre seca, incêndio e fauna da região.
Onde fica o Pantanal Mato-grossense e quanto ele mede
Não existe um número único para a área. Cada fonte usa um recorte diferente.
| Medida | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Porção brasileira do bioma | cerca de 150 mil km² | IstoÉ |
| Reserva da Biosfera da UNESCO | 251.569 km² | Câmara dos Deputados |
| Reserva da Biosfera segundo o (o)eco | 264.176 km² | (o)eco |
Segundo a IstoÉ, o IBGE estima a parte brasileira do bioma em cerca de 150 mil km². O bioma fica no Centro-Oeste e avança também sobre a Bolívia e o Paraguai, onde recebe o nome de Chaco.
A Reserva da Biosfera, reconhecida pela UNESCO, foi criada em 2000. Ela cobre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e uma pequena parte de Goiás, no Parque Nacional das Emas. Se a notícia fala em "Pantanal" sem dizer o estado, vale checar de qual parte se trata.
Por que o Pantanal enche e seca
Por que a planície enche e seca quase todos os anos? A resposta começa na chuva e no chão. O Pantanal é uma planície baixa e quase plana. As chuvas se concentram no verão, e os rios têm dificuldade para escoar a água.
Um estudo da Unicamp aponta esses dois fatores como base dos ciclos de cheias e secas, o fenômeno hídrico mais importante da região.
A água chega de dois lados. Em fevereiro e março, rios do sul, como Miranda, Aquidauana, Negro e Taquari, inundam a planície. Em abril e maio, a cheia vem do alto rio Paraguai e de seus afluentes.
Um ano só conta como de cheia quando o nível do rio chega ao patamar de alerta. Caso contrário, é ano de seca. Dois anos seguidos de seca marcam o início de um ciclo de seca, segundo a Embrapa. O maior ciclo registrado durou dez anos seguidos, de 1964 a 1973.
E o clima? Uma entrevista ao Correio Braziliense, publicada em setembro de 2024, diz que há uma parte cíclica no fenômeno. Os eventos extremos, porém, aparecem junto com as mudanças climáticas. A mesma entrevista aponta queda geral das chuvas nas cabeceiras dos rios que alimentam o Pantanal. Ela situa a seca atual a partir de 2019, depois de grandes cheias entre 1974 e 2018. Esses dados são de 2024, e a situação pode ter mudado desde então.
Quadro de serviço: o que se sabe e o que ainda não se sabe
- O que se sabe: a planície enche e seca em ciclos anuais e de vários anos, por causa da chuva concentrada no verão e do relevo quase plano.
- De onde vem a água: rios do sul em fevereiro e março; alto rio Paraguai em abril e maio.
- Como se define cheia: o nível do rio acima do patamar de alerta.
- Onde fica: oeste de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul; a reserva da biosfera também tem uma parte em Goiás.
- O que ainda não está claro: quanto da seca atual é ciclo natural e quanto é efeito das mudanças climáticas.
- Onde conferir números: IBGE e UNESCO, porque as estimativas de área divergem entre as fontes.
Quando uma notícia fala em seca longa no Pantanal, ela trata de um padrão que a região já viveu. A diferença, segundo a entrevista, é que agora os eventos extremos aparecem junto com as mudanças climáticas. Quanto cada fator pesa ainda não está claro.
Fonte: oeco.org.br.
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