Raio ascendente: o Pico do Jaraguá teve 35 raios em 10 meses, mais que o Empire State num ano
No Pico do Jaraguá, em São Paulo, pesquisadores do Inpe registraram 35 raios em 10 meses de 2012. O Empire State, em Nova York, registra cerca de 22 raios ascendentes por ano, segundo a Agência FAPESP.
Imagem: Helio Milani/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). Origem: commons.wikimedia.org.
Como funciona o raio ascendente do Pico do Jaraguá
O raio que a gente conhece desce das nuvens até o chão. O ascendente faz o caminho oposto. Ele sai de uma estrutura alta, como uma torre ou um para-raios, e sobe em direção às nuvens.
Um estudo de 2019, de Carina Schumann e coautores, analisou 110 raios de 2011 a 2016 em Jaraguá e em Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Esses raios costumam começar depois de um raio descendente que cai a até 60 km de distância. Eles também duram cerca de 40% mais que os descendentes, como mostra a Agência FAPESP.
Os registros de 2012, em números
O primeiro registro no Brasil veio com uma torre de 130 metros, no fim de janeiro e início de março de 2012. A publicação original da FAPESP traz o detalhe. Veja os registros de 2012:(https://agencia.fapesp.br/raios-ascendentes-sao-registrados-pela-primeira-vez-no-brasil/15373).
| Período | Raios | Tempo |
|---|---|---|
| Fim de janeiro de 2012 | 3 | cerca de 6 minutos |
| Início de março de 2012 | 3 | cerca de 7 minutos |
| Outubro de 2012 | 9 | 37 minutos, com incêndio em equipamento do local |
Pela conta da média, 35 raios em 10 meses dão 3,5 por mês. Se esse ritmo continuasse por um ano, seriam 42 raios. Esse número fica acima dos 30 a 40 por ano citados pela FAPESP em 2019, o que mostra que a média muda de um ano para outro.
Os principais marcos:
- 28/03/2012: a FAPESP publica o primeiro registro de raio ascendente no Brasil.
- 04/12/2012: a FAPESP publica os 35 raios de janeiro a outubro.
- 04/10/2019: a FAPESP publica o estudo com 110 raios de 2011 a 2016.
Com 35 raios em 10 meses, o Jaraguá chega a 1,6 vez o total anual do Empire State. Hoje, o Pico do Jaraguá é o segundo local do mundo em número de registros, atrás de uma localidade nos Alpes Suíços.
O que muda para você
Quem mora perto de torre alta ou trabalha com geradores eólicos ganha um motivo para prestar atenção. Marcelo Magalhães Fares Saba, pesquisador do Elat/Inpe e coordenador do projeto, afirma que o padrão de proteção contra raios é voltado aos descendentes. Para ele, o estudo pode indicar riscos para torres altas e geradores eólicos.
O raio ascendente é perigoso para quem está na rua? Segundo a FAPESP, ele não representa risco direto a pessoas, porque parte das pontas das torres.
O próximo passo fica com o Inpe e com quem projeta torres altas: avaliar se o padrão de proteção precisa olhar também para os raios que sobem.
Fonte: ccst.inpe.br.
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