Pássaros urbanos fogem antes de mulheres do que de homens, e a ciência não sabe por quê
Pássaros urbanos se afastam mais cedo quando uma mulher se aproxima do que quando um homem chega, e os pesquisadores ainda não sabem explicar a diferença. O ScienceDaily relata o estudo, feito em cinco países europeus com 37 espécies de aves.
Imagem: James St. John/Flickr (CC BY 2.0). Origem: sciencedaily.com.
Como os pesquisadores mediram a distância
Pesquisadores caminharam em direção às aves em parques e áreas verdes das cidades. Os participantes, homens e mulheres, tinham altura e roupas parecidas. A medida foi a distância de fuga, ou seja, quão perto a pessoa consegue chegar antes de o pássaro voar.
Em média, os homens conseguiram chegar cerca de um metro mais perto do que as mulheres. O padrão apareceu na Tchéquia, na França, na Alemanha, na Polônia e na Espanha, e nas 37 espécies. Entre elas estão o chapim-real, o pardal, o melro, a pega e o pombo. A pega, que costuma fugir fácil, e o pombo, que costuma deixar as pessoas chegarem bem perto, seguiram o mesmo padrão.
O estudo foi publicado na revista People and Nature, da British Ecological Society. No total, foram 2.701 observações.
Por que ninguém sabe a explicação
O professor Daniel Blumstein, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, diz que confia nos resultados, mas não tem uma explicação. Segundo ele, a análise foi consistente entre cidades e espécies. O que falta é descobrir qual sinal as aves percebem.
As hipóteses em aberto são feromônios, diferenças no formato do corpo e no jeito de andar. O ScienceDaily destaca que essas ideias ainda são especulativas e vão exigir novos experimentos.
O professor Federico Morelli, da Universidade de Turim, afirma que o fenômeno foi identificado, mas a causa não. Para ele, o resultado mostra a capacidade das aves de avaliar o ambiente com muito mais sofisticação do que se imagina.
O que isso muda para quem observa aves
Yanina Benedetti, pesquisadora da Universidade Tcheca de Ciências da Vida, em Praga, disse que se surpreendeu com o resultado. Ela lembra que muitos estudos de comportamento partem do princípio de que o observador é neutro. No caso das aves urbanas, isso não se confirmou.
Para quem fotografa ou conta aves num parque, a lição é prática. A pessoa que se aproxima já faz parte do experimento. Quem registra distâncias deve anotar quem se aproximou, para não misturar dados diferentes.
Quadro de serviço: o que se sabe e o que ainda não se sabe
- O que se sabe: em cinco países e em 37 espécies, as aves fugiram mais cedo de mulheres do que de homens.
- O que ainda não se sabe: qual característica da pessoa as aves percebem.
- O que está em aberto: feromônios, formato do corpo e jeito de andar são hipóteses, sem comprovação.
- O que mudar na sua observação: registre o sexo e a altura de quem se aproxima, porque, no estudo, esse fator mudou a distância de fuga.
Então por que a diferença existe? Ainda não há resposta, e os próprios pesquisadores dizem isso. O que já existe é uma pista forte de que aves das cidades percebem diferenças que a gente nem nota. E isso muda a forma de estudar a vida urbana, porque o observador também faz parte da cena.
Fonte: sciencedaily.com.
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