Lagos da Croácia se represam sozinhos, sem comporta nem muro, e ninguém construiu nada
Os lagos de Plitvice, no centro da Croácia, se represam sozinhos. Não existe comporta nem muro. A água que escorre sobre rochas de calcário carrega carbonato de cálcio, e esse mineral se deposita aos poucos, ao longo de milênios.
Imagem: Reprodução/whc.unesco.org. Origem: whc.unesco.org.
O resultado são barreiras naturais, chamadas de barreiras de tufa, que seguram a água e formam uma sequência de lagos ligados por cachoeiras.
O parque tem quase 30 mil hectares de lagos e florestas
Plitvice é o maior parque nacional da Croácia, com quase 30 mil hectares nas partes baixas dos Dinárides, uma região de relevo cárstico. A paisagem mistura florestas e prados, e o sistema de lagos se divide em dois grupos. Os lagos superiores se formam sobre dolomito, têm margens mais suaves e ficam cercados por mata densa. Os inferiores são menores e mais rasos, e ocupam um cânion de calcário com margens mais íngremes.
Como a água vira pedra
Segundo o próprio parque, a formação depende de água muito saturada de carbonato de cálcio. Para que o processo aconteça, o índice de saturação precisa passar de 3, o pH ficar acima de 8,0 e a matéria orgânica dissolvida na água ficar abaixo de 10 mg de carbono por litro. O carbonato de cálcio sai da água e vira pedra. Os cristais minúsculos de calcita se prendem a substâncias que algas e bactérias soltam, e assim a barreira vai crescendo camada por camada.
Por isso a barreira não é só química. O processo se mistura com a vida microscópica, e a UNESCO destaca justamente essa ligação entre a água, o ar, os sedimentos e os organismos.
O musgo e as bactérias trabalham juntos
O musgo é o organismo mais comum sobre as barreiras. Ele cobre as partes mais íngremes, e às vezes as quase verticais. Segundo o parque, a espécie que mais participa da construção do tufa é a Palustriella commutata. Os musgos cobrem as barreiras, e as bactérias e algas ajudam a prender o mineral. Ou seja, o nome do lago não vem de uma represa feita por gente, mas de um trabalho que combina pedra, água e seres vivos pequenos demais para serem vistos a olho nu.
As barreiras continuam crescendo hoje
O parque diz que, até hoje, as barreiras de tufa seguem crescendo. O carbonato de cálcio continua se depositando na água e formando essas paredes naturais. Os lagos, portanto, não são uma paisagem parada no tempo. A UNESCO também descreve o conjunto como algo dinâmico, com muitas cachoeiras e cursos de água que mudam com o tempo.
Quem gosta de água em movimento pode comparar com outro cenário famoso, as Cataratas do Iguaçu, que também mostram o poder da água sobre a paisagem.
Florestas e bichos que dependem do equilíbrio
As florestas do parque abrigam urso-pardo, lobo-cinzento e lince, além de muitas aves raras. Há cerca de 84 hectares de floresta antiga de faia e abeto, que a UNESCO considera essenciais para a continuidade dos processos químicos da água. Pedra e bicho também se cruzam em outros lugares, como no caso dos macacos-prego que preferem pedra já usada.
Se a ideia é ver as barreiras de perto, o próximo passo é checar no site oficial do parque as regras de visitação e os horários antes de sair de casa.
Fonte: whc.unesco.org.
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