Cidade-templo do Camboja tem reservatórios que fazem parte de um conjunto único no mundo
Angkor, no norte do Camboja, ocupa cerca de 400 km² e reúne templos, diques, canais e grandes reservatórios de água. Essa área inclui trechos de floresta.
Imagem: Reprodução/res.cloudinary.com. Origem: res.cloudinary.com.
Os restos dessas obras são das capitais do Império Khmer, que existiu entre os séculos IX e XV. Os reservatórios são parte do que a UNESCO considera um conjunto único no mundo.
Por que a área é tão grande
Os 400 km² não são só de templos. Segundo a UNESCO, o parque combina dezenas de templos com estruturas hidráulicas e rotas de comunicação. Ou seja, Angkor foi pensada como um sistema, e não como um punhado de prédios isolados.
Cidades e água também aparecem em outros temas do site, como neste texto sobre aves e calor extremo em 1039 cidades. As capitais também mudaram ao longo dos séculos. Cada uma teve um plano urbano diferente, e o resultado é uma sobreposição de cidades antigas numa mesma paisagem.
Os reservatórios e canais que ainda existem
A UNESCO lista bacias, diques, reservatórios e canais entre as obras do sítio. Os grandes reservatórios são chamados de barays, e a maioria deles, junto com os canais, ainda está de pé. Esse sistema de água é um dos motivos pelos quais o sítio é tão importante.
Obras de água também marcam paisagens brasileiras, como as Cataratas do Iguaçu. Para o órgão, a integridade dessas obras mostra o esplendor das cidades que um dia existiram ali. Do que sobrou da civilização, o que mais chama atenção é esse conjunto de templos de pedra e tijolo ligado às obras de água.
Os templos que chamam mais atenção
Angkor Wat é o mais famoso, mas não está sozinho. No Angkor Thom fica o Bayon, que tem um número enorme de esculturas. A UNESCO também cita Preah Khan e Ta Prohm como exemplos da arquitetura khmer, além de Banteay Srei entre as obras de maior valor artístico.
Preah Khan é considerado pelo órgão uma antiga universidade de medicina. Perto dali, o Neak Poan era um antigo hospital. São detalhes que mostram que o parque tinha uso prático, e não só cerimonial.
Quem ainda mora dentro do parque
Angkor é habitada. A UNESCO diz que mais de 100 mil pessoas vivem em 112 assentamentos históricos espalhados pelo sítio, e algumas aldeias têm raízes no período de Angkor. A principal atividade é a agricultura, sobretudo o cultivo de arroz.
Essa convivência cria pressão. Os moradores buscam ampliar suas casas, e isso mexe com o que precisa ser preservado. Esse tipo de gestão lembra o trabalho de órgãos como o Ministério do Meio Ambiente, que cuida de áreas protegidas no Brasil.
Como a proteção chegou até aqui
Trabalhos de conservação foram feitos entre 1907 e 1992, por instituições como a École Française d'Extrême-Orient. O sítio entrou na Lista do Patrimônio Mundial em 1992. Em 2004, saiu da lista de patrimônio em perigo, depois de um programa de proteção.
Hoje a área é regulada por um decreto de 1994 e por uma lei de 1996. Áreas protegidas também são cuidadas por órgãos como o Ministério do Meio Ambiente, no Brasil. Uma autoridade criada em 1995 cuida da proteção e da gestão da região. Quem pensa em estudar o assunto pode começar pela página oficial da UNESCO sobre o sítio, que traz o texto de valor universal e os critérios de inscrição.
Fonte: whc.unesco.org.
Leia também: Cidade mais austral do mundo cabe em três dias de natureza, pinguins e trem a vapor · Cidade sem litoral entra na Bandeira Azul com prainha de água doce em SC · Talampaya guarda com Ischigualasto o registro fóssil do Triásico mais completo do mundo


