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Cientistas passam sete dias sob ninho de harpia na Bahia para pôr GPS num filhote: o que querem descobrir

Uma equipe liderada pelo professor Áureo Banhos, da Universidade Federal do Espírito Santo, passou sete dias na RPPN Estação Veracel, em Porto Seguro (BA). Quatro deles em silêncio sob um ninho de harpia, à espera da chance de pôr um GPS num filhote e seguir o voo dele por uma floresta cortada em pedaços.

Harpia adulta de frente, com a crista de penas erguida, entre folhagem verde: a harpia na Bahia é monitorada por GPS

Harpia adulta, foto de arquivo (não é a ave da expedição). Foto: Brian Gratwicke, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0, recortada.

A equipe quer saber para onde um filhote de harpia vai quando deixa o ninho na Mata Atlântica baiana. Segundo a Revista Amazônia, de 8 de outubro, o plano era capturar a ave jovem, instalar um dispositivo GPS e registrar os deslocamentos depois que ela saísse da área do ninho.

A espera pedia atenção contínua: qualquer aproximação precisava levar em conta os adultos e a segurança do filhote. O texto descreve a operação como uma chance rara, e não diz se a marcação chegou a ser feita.

Quem foi e onde fica o ninho

A expedição foi ao ninho da Estação Veracel, reserva particular com mais de 6 mil hectares de floresta, que abriga pelo menos outros três ninhos conhecidos de harpia, além de anta e onça-pintada. Banhos levou os veterinários Maria Valdetaro e Paulo Quadros e a bióloga Mylena Kaizer, doutorandos da Ufes, com apoio do guia Jailson Souza e do monitor Sandro Dias.

O trabalho faz parte do Projeto Harpia Mata Atlântica, que acompanha a espécie desde 2005, quando a Veracel registrou o primeiro ninho conhecido em todo o bioma, segundo a própria empresa.

O que o GPS vai mostrar sobre a vida de uma harpia jovem

Rosto de harpia visto de frente, com olhos escuros, bico cinza e a crista de penas abertas atrás da cabeça
Harpia em cativeiro, foto de arquivo de 2016. Foto: Jamile Cesar, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

O foco é a dispersão: a fase em que o jovem deixa o território dos pais e procura onde viver. Numa floresta contínua, isso acontece dentro de uma paisagem ampla. Na Mata Atlântica, o caminho passa por estradas, linhas de transmissão e manchas de mata separadas.

O registro dos trajetos mostraria quais remanescentes o jovem usa e quais obstáculos aparecem entre eles. Também ajudaria a medir a chance de sobrevivência da espécie em floresta fragmentada. Um único animal não retrata a população inteira, e o relato diz isso.

Por que a harpia na Bahia sofre com a floresta em pedaços

A harpia vive em baixa densidade, precisa de território grande e se reproduz devagar. O ninho exige árvores grandes, e o território precisa ter presas para uma ave desse tamanho. Perder uma área, ou isolá-la, pesa por muito tempo.

Segundo Banhos, os principais refúgios com reprodução confirmada na Mata Atlântica ficam no sul da Bahia: a Estação Veracel, os parques nacionais do Pau-Brasil, do Monte Pascoal, do Descobrimento e da Serra das Lontras, a Reserva Biológica de Una e a RPPN Serra Bonita. São ilhas de proteção, não uma floresta única.

Da primeira marcação ao filhote de 2026: a cronologia

Linha do tempo com seis marcos da harpia no sul da Bahia, de 2005 a outubro de 2026
Arte: Watts & Wild, com dados da Veracel, da Veracel (GPS de 2025) e da Revista Amazônia.

A tentativa de agora não é a primeira. Entre 21 e 23 de agosto de 2025, durante o Festival de Aves de Porto Seguro, um macho de cerca de dois anos recebeu um transmissor solar no Parque Nacional do Pau-Brasil, o primeiro caso de harpia da Mata Atlântica rastreada por GPS em tempo real, segundo a Veracel.

Em março, a empresa anunciou o nascimento de um filhote na Estação, o único com ninho conhecido em 2026 no Corredor Central da Mata Atlântica. Os casais vinham só reformando ninhos desde 2018, sem reprodução. A fêmea botou dois ovos em dezembro, e um eclodiu. A Veracel dizia que o monitoramento mais próximo viria aos três meses, e o GPS, talvez, a partir dos seis.

Do início de março a outubro, a conta dá cerca de sete meses. A Revista Amazônia não diz se o filhote da expedição é esse mesmo, então a coincidência de prazo fica como pista, não como fato.

O que a marcação ainda não provou sobre a harpia

O relato fala em tentativa. Não traz o resultado da marcação, a data da captura nem o sexo ou a idade da ave. Enquanto os pesquisadores não divulgarem isso, não há trajeto nenhum para analisar. A Revista Amazônia também lembra que a recolonização de áreas onde a harpia sumiu depende de pesquisa contínua e de proteção do habitat, e não de uma única marcação.

Quem achar uma ave de rapina ferida ou caída pode chamar o Cetas ou o órgão ambiental do estado. Para outro caso de bicho seguido por satélite, veja a tartaruga-de-couro rastreada, e para o que está em jogo na mesma mata, o censo do mico-leão-dourado.

Fontes: Revista Amazônia, 8 de outubro de 2026. Veracel, 17 de março de 2026. Veracel, 8 de setembro de 2025.

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