Emissões de carbono na Amazônia sobem com desmatamento e queimadas, mostra estudo do Inpe
Emissões de carbono na Amazônia são maiores nos anos com mais atividade humana, como desmatamento e queimadas. A conclusão vem de um estudo com 15 anos de medições, liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo a Agência Brasil, o trabalho saiu na revista científica Nature.
Imagem: Agência Brasil. Origem: agenciabrasil.ebc.com.br.
Quanto carbono sai da floresta, e de onde vem essa conta? Os pesquisadores mediram o fluxo de dióxido de carbono (CO₂) e de monóxido de carbono (CO) na região, com dados de 2010 a 2024. Depois, juntaram os anos parecidos em três grupos, conforme o tempo, a intensidade das atividades humanas e as emissões de cada ano.
Para quem vive longe da floresta, a conta básica é esta: nos anos com mais desmatamento e queimadas, mais carbono sai da Amazônia.
Emissões de carbono na Amazônia em três grupos de anos
A média de carbono emitido por ano muda muito de um grupo para outro. O primeiro grupo soltou, em média, 408 milhões de toneladas de CO₂ por ano. O segundo chegou a 1,58 bilhão de toneladas. O terceiro, a 1,80 bilhão.
Os grupos 2 e 3 quase não diferem entre si. Os dois são dominados por atividades humanas: o segundo pelo desmatamento, o terceiro pela queima de biomassa. O estudo diz que "os grupos 2 e 3 não diferem significativamente em emissões de carbono".
O clima também entra na conta, mas com papel menor. A seca não é decisiva para o aumento das emissões. Mesmo assim, ela pode amplificar o volume de carbono liberado pelas atividades humanas.
Clima mais quente e mais seco na Amazônia
Ao ampliar a análise para 46 anos, os pesquisadores encontraram sinais claros. A chuva média anual caiu 8%. No período seco, de agosto a novembro, o volume máximo de chuva caiu 20%.
A temperatura média anual subiu 1,13 °C nesse intervalo. Na estação seca, a alta chegou a 1,81 °C. A energia solar recebida e devolvida à atmosfera não mudou ao longo dos anos. Por isso, segundo o estudo, as atividades humanas diretas são os principais riscos para a Amazônia.
A saída, para os pesquisadores, passa pelo fogo. "A redução drástica dos incêndios é, portanto, essencial para evitar um ponto de inflexão", destacam eles.
Quadro de serviço: o que se sabe e o que ainda não
- O que se sabe: as emissões crescem nos anos com mais desmatamento e queimadas, e a seca pode amplificar esse efeito.
- O que ainda não está claro: quanto a seca pesa no total de cada ano, já que o estudo diz que ela não é decisiva sozinha.
- Quem assina: Luciana Gatti, do Inpe, com outros 32 pesquisadores. É a quarta pesquisa liderada por ela na Nature.
No grupo com as maiores emissões, o carbono liberado chega a 1,80 bilhão de toneladas por ano. Esse valor é mais de quatro vezes a média do grupo com menor emissão. Para quem acompanha o clima, o recado é direto: onde a floresta queima e perde área, o carbono sai junto.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br.
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