Animais e natureza

Catorze vértebras da cauda achadas em Teruel, na Espanha, foram atribuídas ao Diplodocus, dinossauro de pescoço longo que até agora só tinha registro na América do Norte; o animal media cerca de 25 metros

O fóssil saiu de um sítio no município de El Castellar e foi descrito por paleontólogos da Fundação Dinópolis numa revista científica americana. Veja quais ossos foram achados, como se chegou ao gênero, por que isso fala da abertura do Atlântico e a dúvida que um especialista levantou.

Ilustração de um Diplodocus de pescoço e cauda longos, com listras escuras no corpo, caminhando num alagado do Jurássico com coníferas e samambaias ao fundo

Reconstituição do Diplodocus de El Castellar. Ilustração: Carmelo López, grupo de pesquisa FOCONTUR. Divulgação/Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis.

Paleontólogos espanhóis atribuíram ao Diplodocus um conjunto de 14 vértebras da cauda achado em Teruel, na Espanha. Se a conclusão se confirmar, é o primeiro registro desse dinossauro fora da América do Norte, onde ele era conhecido desde 1878.

O estudo foi publicado em 14 de setembro de 2026 no Journal of Vertebrate Paleontology. Os autores são Sergio Sánchez Fenollosa, Josué García Cobeña e Alberto Cobos, da Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis, que divulgou o achado no dia seguinte.

Quais ossos do Diplodocus foram achados

São 14 vértebras do meio e do fim da cauda e vários chevrons, os ossinhos que se encaixam embaixo das vértebras. Saíram do sítio La Tejería, em El Castellar, de rochas de cerca de 150 milhões de anos, do fim do Jurássico.

Um dos esqueletos mais completos da Europa

Segundo o resumo do artigo, é um dos esqueletos de diplodocídeo mais completos já achados na Europa, mesmo sendo só a cauda.

Prancha com catorze vértebras da cauda do Diplodocus de El Castellar, com escala de 20 centímetros, e o desenho de um esqueleto de Diplodocus com a parte achada destacada em laranja na cauda
As vértebras da cauda do Diplodocus de El Castellar; no desenho, em destaque, a parte do esqueleto que foi achada. Foto: Divulgação/Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis.

Como se chegou ao gênero

A cauda do Diplodocus tem uma assinatura própria, segundo a fundação: grandes cavidades de ar nas vértebras, corpos vertebrais alongados sem cristas laterais, sulcos fundos na face de baixo e chevrons bifurcados, em forma de forquilha.

Duas análises de parentesco, o mesmo resultado

Além da comparação dos ossos, os autores rodaram duas análises de parentesco, uma de parcimônia e outra bayesiana. As duas puseram o fóssil dentro do gênero Diplodocus. A espécie ficou em aberto: o animal foi registrado como Diplodocus sp.

Um gigante de 25 metros

Alberto Cobos, diretor da fundação e coautor, estima que o animal tinha cerca de 25 metros de comprimento. Ele entra para a lista de saurópodes gigantes do Jurássico de Teruel, ao lado de Turiasaurus e Losillasaurus, que têm anatomia bem diferente.

Fileira de ossos originais da cauda do Diplodocus numa vitrine iluminada, abaixo da réplica de um esqueleto de saurópode, no museu de Dinópolis
Os ossos originais (embaixo) expostos no Museu Aragonês de Paleontologia, em Dinópolis, Teruel. Foto: Divulgação/Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis.

O que o achado diz sobre o Atlântico

No fim do Jurássico, o Atlântico Norte ainda se abria e era muito mais estreito do que hoje. Para os autores, o Diplodocus de Teruel é uma das provas mais fortes de que animais cruzaram entre a América do Norte e a península Ibérica em episódios de dispersão.

Os primos da Formação Morrison na península

Ele se soma a outros nomes da famosa Formação Morrison, nos Estados Unidos, que já tinham parentes na península. O paleontólogo Francisco Ortega, da UNED, lembrou ao Science Media Centre España que o Allosaurus fragilis, carnívoro ícone dessa formação, também foi achado em Portugal.

A dúvida de outro especialista

Nem todos acham que a cauda basta. Fabien Knoll, do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha, disse ao mesmo centro que o estudo é de alta qualidade, mas que 14 vértebras e alguns chevrons ainda não permitem afirmar com certeza que o animal é um Diplodocus.

Para ele, ser compatível com o gênero não prova que pertença a ele; o fóssil poderia ser de Supersaurus ou Dinheirosaurus, de outro gênero conhecido ou até de um novo. Já Pedro Mocho, da Universidade de Lisboa, avaliou que a informação basta para a atribuição com razoável segurança.

Outros fósseis no site: o crânio de 9,5 milímetros do Triássico gaúcho, o fóssil de 309 milhões de anos batizado em homenagem às mães e os primeiros vertebrados, que tinham quatro olhos.

Perguntas rápidas

Onde foi achado o Diplodocus na Espanha?

No sítio La Tejería, no município de El Castellar, na província de Teruel, na região de Aragão. Os ossos estão expostos no Museu Aragonês de Paleontologia, no parque Dinópolis, e há réplicas no próprio município.

Qual era o tamanho do Diplodocus de Teruel?

Cerca de 25 metros de comprimento, segundo Alberto Cobos, diretor da Fundação Dinópolis e coautor do estudo. Ele viveu há cerca de 150 milhões de anos, no fim do Jurássico.

É uma espécie nova de Diplodocus?

Não. O fóssil foi classificado como Diplodocus sp., ou seja, do gênero, mas sem espécie definida. Os ossos achados não bastaram para dizer a qual espécie pertencia.

Como um dinossauro americano chegou à Europa?

No fim do Jurássico, o Atlântico Norte ainda estava se abrindo e era bem mais estreito. Para os autores, o achado é uma das provas mais fortes de que bichos atravessaram entre os dois continentes em episódios de dispersão.

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