Cobra que dá cambalhotas para fugir: a ciência filmou como ela rola em alta velocidade
A cobra que dá cambalhotas pertence ao gênero Pseudorabdion e chega a 3,69 metros por segundo quando rola para escapar. Em média, a velocidade de pico da rolagem é quatro vezes maior que a do rastejar normal, segundo um estudo publicado na Current Biology na segunda-feira (19), relatado pela Live Science.
Imagem: Reprodução/Live Science. Origem: livescience.com.
Para quem mora no Sudeste Asiático, onde essas cobras vivem, o recado é simples. Elas se escondem debaixo de folhas e de outros objetos naturais, por isso quase ninguém as vê. A rolagem aparece às vezes, mas é rara de observar de perto.
Como as Pseudorabdion rolam sem perder a cabeça
O segredo está na cabeça. Quando o corpo gira, a cabeça tende a balançar, e isso atrapalha o animal a ajustar o caminho com os sentidos. Mas essas cobras mantêm a cabeça relativamente parada, muitas vezes erguida do chão.
Os pesquisadores acreditam que essa postura compensa o efeito desestabilizador da rolagem. Em uma pista experimental, as cobras seguiram em linha reta por uma faixa de apenas 20 centímetros de largura. Ao final da manobra, costumam mergulhar debaixo de objetos próximos. Ou seja, continuam atentas ao redor mesmo girando em alta velocidade.
Quem filmou e como foi o estudo
A equipe foi liderada por Yosuke Kojima, pesquisador da Universidade Toho, no Japão. Entre 2019 e 2022, eles filmaram a rolagem várias vezes em três espécies: P. saravacense, P. collaris e P. longiceps. Também estudaram três cobras do gênero Calamaria, que não rolam.
O estudo de 2023 já tinha documentado a rolagem pela primeira vez, em P. longiceps, observada no noroeste da Malásia em 2019. A equipe de Kojima começou a observar o comportamento de forma independente, no estado malaio de Sarawak, na ilha de Bornéu. Kojima disse: "Eu nunca tinha visto nada parecido e logo quis entender melhor."
O que se sabe e o que ainda não se sabe
- O que se sabe: a rolagem é rápida, controlada e apareceu nas três espécies estudadas.
- Onde vivem: no Sudeste Asiático, onde são presas de aves e de outras cobras.
- O que ainda não se sabe: se a rolagem realmente confunde predadores. Os autores do estudo de 2023 levantaram outra hipótese: o movimento deixaria um rastro de cheiro irregular, o que dificultaria a caça pela cobra-rei, que usa cheiro para achar presas. Essas ideias ainda são hipóteses.
A pergunta que fica é como um animal de corpo longo consegue girar sem se perder. A resposta está na cabeça, que fica firme enquanto o resto do corpo gira. Segundo os pesquisadores, a rolagem é uma inovação de comportamento que permite superar limites físicos do corpo.
Fonte: livescience.com.
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