São Paulo pode levar multa de quase R$ 900 mil da Conmebol por cinco minutos de atraso na volta do intervalo, e o clube ainda deve salário e direito de imagem ao elenco
A Conmebol abriu processo contra o São Paulo depois do empate com o Boca Juniors, e o programa Fala a Fonte, da ESPN, foi atrás dos bastidores da crise financeira do clube em 17 de setembro de 2026.
Cena do programa Fala a Fonte, da ESPN Brasil, ao tratar dos bastidores dos salários atrasados no São Paulo. Reprodução/YouTube (@espnbrasil).
O São Paulo empatou em 1 a 1 com o Boca Juniors na terça-feira (15), no Morumbis, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, e a Conmebol abriu um processo disciplinar contra o clube por uma lista de infrações: uso de sinalizadores pela torcida, problema na internet da área de imprensa, atraso de cinco minutos do time para voltar do intervalo e um xingamento de Rafinha ao árbitro Gustavo Tejera. O clube tem até quarta-feira (23) para apresentar defesa, segundo a ESPN.
No mesmo dia em que o caso veio à tona, 17 de setembro, o programa Fala a Fonte, da ESPN Brasil, dedicou um bloco inteiro aos bastidores da crise: não só a multa da Conmebol, mas os salários e direitos de imagem que o clube ainda não pagou em dia. O vídeo passou de 62 mil visualizações em menos de 24 horas.
O São Paulo corre risco de multa milionária da Conmebol e também tem atraso de salário e direito de imagem, mas os dois problemas são processos separados: um é disciplinar, por causa do jogo com o Boca; o outro é financeiro, e vem se arrastando desde o início do ano.
O que a Conmebol abriu contra o São Paulo depois do empate com o Boca
A confederação sul-americana listou quatro pontos no processo: sinalizadores acesos nas arquibancadas e nos arredores do Morumbis, falha na conexão de internet da imprensa, os cinco minutos que o time levou para voltar a campo no segundo tempo e a fala de Rafinha ao árbitro uruguaio Gustavo Tejera na saída para o vestiário, com xingamentos em espanhol e português, segundo a arqtricolor.
Cada item tem um valor próprio de multa, e é aí que a conta cresce. A Conmebol trata separado o que é comportamento da torcida, o que é estrutura do estádio e o que é conduta de atleta e comissão técnica, e todos entram na mesma denúncia porque aconteceram no mesmo jogo, na mesma noite.
Quanto pode custar a multa ao clube e ao técnico Dorival?
Pelo atraso de cinco minutos na volta do intervalo, o regulamento da fase de quartas prevê multa de US$ 20 mil por minuto para o clube, o equivalente a cerca de R$ 100 mil, e US$ 15 mil por minuto para o técnico, cerca de R$ 77 mil. Cinco minutos de atraso, portanto, podem chegar sozinhos a US$ 175 mil, perto de R$ 900 mil, segundo o levantamento da Gazeta Esportiva.
Somando os outros pontos da denúncia, a Conmebol pode aplicar um prejuízo total de mais de R$ 1 milhão ao São Paulo, valor que seria descontado da premiação do clube na Sul-Americana. O clube tem até 23 de setembro para se defender de cada item antes de qualquer punição ser confirmada.
Por que o elenco do São Paulo está reclamando de salário atrasado?
Porque o clube não consegue manter os pagamentos em dia desde o começo do ano. Em setembro, segundo reportagens do ge citadas pelo Goal Brasil, o São Paulo quitou os salários de agosto com três dias de atraso, e a folha de setembro ainda não tem data para sair. Os direitos de imagem estão pelo menos três parcelas atrasados, de junho, julho e agosto, e alguns jogadores recém-contratados ainda não receberam nenhum pagamento desse tipo.
A diretoria do presidente Harry Massis já prometeu duas vezes zerar o atraso: primeiro para o início de agosto, depois para o fim de setembro, usando parte de uma operação de R$ 140 milhões que depende de etapas internas ainda não concluídas. O volante Luciano, que está há oito anos no clube, resumiu à imprensa: "nunca recebi salário em dia aqui", numa referência a jogadores se socorrendo entre si durante a crise.
O que a torcida está comentando no vídeo que bombou
O comentário mais curtido do vídeo, de @tomlima7595, inverte a lógica da multa: "CONMEBOL tinha q pagar ao são Paulo pelo assalto no Morumbi", numa referência à arbitragem do jogo com o Boca. @jecevacontabilidade seguiu na mesma linha: "No jogo só tinha faltas e cartões amarelos para o São Paulo (...) a Comenbol não tem moral nenhuma para multar o São Paulo". É a reação mais comum: questionar a arbitragem antes de discutir os minutos de atraso.
Mas tem gente puxando o fio da bola de neve financeira. @andrecardoso320 escreveu: "Já tem gente saindo por causa dos atrasados, vide o que foi a saída do Alan Franco", e @UelitonMaximo foi direto: "Se não virar SAF logo, vai acabar caindo". É esse segundo grupo de comentário que acerta o ponto real da reportagem: a multa da Conmebol é só mais uma conta em cima de um caixa que já não fecha.
O que muda para o elenco se a crise financeira continuar
A reportagem da ESPN citou o caso do zagueiro Alan Franco, que deixou o clube em meio aos atrasados, e apontou outros dois jogadores, Enzo Díaz e Cédric, afastados por baixo rendimento nos treinos, num momento em que o vestiário discute a falta de pagamento. Comentários do próprio vídeo, como o de @andrecardoso320, ligam as duas coisas: jogador insatisfeito com salário rende menos e pede para sair.
O risco, apontado pela reportagem, é o que os próprios torcedores chamam de "debandada": mais saídas de peças importantes do elenco caso o clube não regularize os pagamentos até o fim do ano, justamente na reta final de temporada em que o São Paulo ainda disputa a Sul-Americana.
O que ainda não dá para cravar sobre a multa
A Conmebol ainda não aplicou punição nenhuma: abriu o processo e deu prazo até 23 de setembro para o São Paulo se defender. O valor de "mais de R$ 1 milhão" é o teto do que pode ser cobrado se todos os itens forem confirmados, não o valor já definido, e o clube pode reduzir ou até zerar a multa dependendo da defesa apresentada.
O mesmo vale para a crise salarial: o clube não confirmou publicamente um novo prazo depois da promessa de fim de setembro, e não há posição oficial do São Paulo sobre os valores exatos em aberto, então não existe ainda um número fechado de dívida total.
São Paulo tem até quarta para se defender, e o caixa do clube não espera
Enquanto a defesa contra a Conmebol não sai, o calendário financeiro do São Paulo segue rodando: a folha de setembro sem data certa, os direitos de imagem batendo na quarta parcela de atraso e a torcida dividida entre cobrar a arbitragem e cobrar a diretoria. As duas frentes, a jurídica e a financeira, se encontram no mesmo lugar: o caixa do clube.
Se você acompanha o São Paulo de perto, fica a pergunta que ficou no ar nos comentários do vídeo: o que pesa mais para o resultado do time até dezembro, o processo aberto pela Conmebol ou a fila de pagamentos atrasados dentro do próprio CT?
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