Uma nova espécie de sagui, o Mico schneideri, batizado de sagui-de-schneider, foi descrita pelo Museu Paraense Emílio Goeldi entre os rios Juruena e Teles Pires, no norte do Mato Grosso
O Museu Paraense Emílio Goeldi confirmou a descoberta do sagui-de-schneider (Mico schneideri), primata pequeno encontrado apenas no norte de Mato Grosso. Entenda onde ele vive, por que levou décadas para ser reconhecido como espécie própria e o que isso muda para a Amazônia.
Sagui-de-schneider (Mico schneideri) fotografado no Mato Grosso. Foto: Sidnei Dantas/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O Museu Paraense Emílio Goeldi confirmou a descrição do Mico schneideri, batizado de sagui-de-schneider, primata pequeno que só existe entre os rios Juruena e Teles Pires, no norte do Mato Grosso, numa região conhecida como arco do desmatamento da Amazônia. O nome homenageia o geneticista Horácio Schneider.
A descrição saiu em agosto de 2021 na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, assinada por uma equipe liderada por Rodrigo Costa-Araújo, do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Amazonas.
O trabalho também confirmou outras cinco espécies do gênero Mico que ainda estavam em dúvida na ciência, resultado da tese de doutorado de Costa-Araújo pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
O sagui-de-schneider é uma espécie de primata nova para a ciência, descrita oficialmente em 2021 e batizada em homenagem ao geneticista Horácio Schneider, que vive apenas numa faixa estreita de floresta entre os rios Juruena e Teles Pires, no Mato Grosso.
Quem descreveu o Mico schneideri e onde a equipe fez as expedições
Entre 2015 e 2018, os pesquisadores viajaram várias vezes até a região entre os rios Juruena e Teles Pires, no norte do Mato Grosso, para localizar exemplares vivos da espécie em campo.
A equipe usou trilhas a pé, barcos pelos rios e caixas de som tocando o canto de outras espécies de sagui para atrair os animais e observar suas características de perto.
Por que o nome científico homenageia o geneticista Horácio Schneider
O nome Mico schneideri celebra Horácio Schneider, geneticista brasileiro morto em 2018, professor da Universidade Federal do Pará e pioneiro nos estudos de filogenética molecular de primatas neotropicais.
Em português, o animal ganhou o nome popular de sagui-de-schneider, versão direta do nome científico que a equipe adotou para a divulgação da descoberta ao público brasileiro.
Onde exatamente vive o sagui-de-schneider no Mato Grosso?
A espécie ocorre só numa faixa de floresta entre os rios Juruena e Teles Pires, no norte de Mato Grosso, em municípios como Alta Floresta e Paranaíta, onde foram coletados os primeiros exemplares.
Pesquisadores chamam essa faixa de arco do desmatamento, cinturão da Amazônia marcado por décadas de mudança intensa no uso da terra, segundo o Museu Paraense Emílio Goeldi.
Como é a aparência do sagui-de-schneider
O sagui-de-schneider é pequeno, com cerca de 50 centímetros somando corpo e cauda, e pelagem prateada, com partes em tons de aço, laranja e dourado, segundo o Museu Goeldi.
As orelhas alaranjadas e o rosto claro chamam atenção nas fotos feitas em campo, características que ajudam a diferenciar a espécie no meio da vegetação densa onde ela vive.
Por que a espécie ficou escondida dentro de outro sagui por décadas
Os primeiros exemplares do sagui-de-schneider foram coletados ainda em 1995 e guardados na coleção de mamíferos do Museu Goeldi, mas classificados como Mico emiliae, espécie parecida que vive na mesma região da Amazônia.
A semelhança externa entre as duas espécies confundiu pesquisadores por décadas. A ciência chama esse fenômeno de espécie pseudocríptica: quase idêntica por fora, mas diferente por dentro, no DNA e na genealogia.
Como os cientistas confirmaram que era mesmo uma espécie nova
A equipe cruzou três tipos de dado: a forma e a cor do corpo, o DNA dos animais e o mapa de onde cada população vive, um método chamado de análise integrativa.
Só quando os três resultados bateram juntos os pesquisadores confirmaram que o sagui do arco do desmatamento era mesmo uma linhagem própria, e não apenas uma variação de Mico emiliae.
O que muda quando um animal ganha nome científico oficial
Publicar a descrição formal, revisada por outros cientistas, é o que faz uma espécie existir oficialmente para a ciência, mesmo que já tivesse sido vista antes em campo.
O processo é parecido com o que aconteceu com a Adenomera varcena, rã nova descrita numa floresta alagada do Acre: entenda ali o passo a passo completo de como a ciência batiza um bicho novo.
Quantos saguis a Amazônia tem catalogados depois dessa descoberta
Com o sagui-de-schneider, a Amazônia passa a ter 16 espécies de sagui do gênero Mico descritas pela ciência, segundo a Universidade Federal de Viçosa, uma das instituições que participou do estudo.
Descrever uma espécie de mamífero inteiramente nova segue raro no mundo todo, como mostrou também o tilcayo, primeiro felino novo descrito em cem anos, achado na Bolívia, e o mico-leão-dourado, outro primata brasileiro monitorado de perto na Mata Atlântica.
O que a IUCN diz sobre o risco de extinção do sagui-de-schneider
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica o sagui-de-schneider como em perigo de extinção desde 2022, segundo a organização New England Primate Conservancy.
A espécie já perdeu entre 32% e 38% do habitat nas últimas três gerações, segundo a mesma organização, com o avanço da pecuária, da soja e da extração de madeira.
A fonte técnica é densa, e o resto do texto vem de institutos que divulgaram o estudo
O artigo original saiu na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, um texto técnico e denso, cheio de termos de genética e taxonomia, sem acesso simples para quem não é da área.
As informações desta página vêm do que o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Universidade Federal de Viçosa e a New England Primate Conservancy divulgaram sobre a descoberta e sobre o risco de extinção da espécie.
Qual é a situação do sagui-de-schneider agora
Hoje, o sagui-de-schneider segue restrito à mesma faixa estreita de floresta entre os rios Juruena e Teles Pires, área que continua sob pressão de desmatamento no norte do Mato Grosso.
Cada espécie nova descrita na Amazônia mostra que ainda existe muito a mapear no bioma, mesmo em grupos considerados conhecidos, como os saguis. Você já tinha ouvido falar do sagui-de-schneider? Conte nos comentários.



