Animais e natureza

Sem tanque de oxigênio, o pescador peruano Jonathan Quispe sobe no dorso da baleia presa na própria rede para cortar a malha

Ele entrou na água só com máscara e faca depois de ver o bicho enroscado na rede da própria equipe de pesca, na costa de Tacna, no Peru, e o vídeo do resgate já passou dos 180 mil espectadores somados em três redes.

Pescador sobe no dorso da baleia presa em rede no Peru

Jonathan Quispe sobe no dorso da baleia para alcançar a rede que a prendia, na costa de Tacna. Frame do vídeo. Reprodução/X (@katiuskaflores).

Nos primeiros dias de setembro de 2026, uma equipe de pesca ao largo de Tacna, no extremo sul do Peru, encontrou uma baleia enroscada na própria rede de flutuação que usava no trabalho. Foi Jonathan Quispe, um dos pescadores do barco, quem decidiu entrar na água para tentar soltar o animal, e um colega a bordo filmou a cena inteira.

O vídeo mostra Quispe mergulhando várias vezes, só com máscara e faca, até subir no dorso da baleia para alcançar a parte mais emaranhada da malha e cortá-la, segundo o Infobae Peru, publicada em 11 de setembro de 2026.

O pescador Jonathan Quispe mergulhou sem tanque de oxigênio e subiu no dorso de uma baleia presa na rede da própria equipe, na costa de Tacna, no extremo sul do Peru, segundo o relato dele à TV peruana e a cobertura de veículos locais.

O vídeo que viralizou no X, postado por @katiuskaflores com imagens de Jonathan Quispe. Reprodução/X (@katiuskaflores).
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O mesmo resgate repostado no Instagram, onde passou de 30 mil curtidas. Reprodução/Instagram (@vai_espiando).

A rede da própria equipe prendeu a baleia perto de Tacna, no Peru

A cena aconteceu em alto mar, na costa de Tacna, a região peruana que faz fronteira com o Chile. O barco de Quispe usava uma rede de flutuação para sinalizar o equipamento de pesca, e foi justamente essa rede que enroscou no corpo da baleia, prendendo as nadadeiras e dificultando o movimento do animal. A gravação, com marca d'água de uma conta do TikTok, circulou primeiro entre pescadores da região antes de estourar nas redes grandes.

Foi o perfil @katiuskaflores quem deu o empurrão decisivo no X, repostando o vídeo em 11 de setembro. Dali, ele pulou para o Facebook, para o Instagram e para portais de notícia em vários países, num caminho parecido com o que aconteceu com a onça Manchita, filmada cruzando a fronteira no Iguaçu: uma cena real, gravada por quem estava perto, que ganhou o mundo antes de qualquer jornalista chegar lá.

Sem tanque de oxigênio, o pescador decidiu entrar na água

Não teve preparo de mergulho profissional. Quispe colocou só a máscara, pegou a faca de trabalho e pulou do barco, apneia atrás de apneia. Ele contou ao programa peruano Arriba Mi Gente, da Latina, que a baleia mergulhava toda vez que ele se aproximava, o que forçou várias tentativas seguidas até ele conseguir ficar perto o bastante para agir.

Segundo o relato dele, reproduzido pelo Infobae, o animal fazia barulho, quase um gemido, como se estivesse sentindo dor com o aperto da rede. Foi esse som, segundo Quispe, que o fez insistir mesmo cansado, mergulho após mergulho, até conseguir se posicionar perto o bastante da parte mais presa da malha.

Jonathan Quispe nada em direção à baleia presa na rede, no Peru
Quispe se aproxima do animal usando só máscara e nadadeiras, sem cilindro de oxigênio. Frame do vídeo. Reprodução/X (@katiuskaflores).

Por que ele subiu no dorso da baleia?

Ficar em cima do animal, mesmo por poucos segundos, deu a Quispe uma vantagem que a apneia sozinha não dava: mãos livres, os dois joelhos apoiados e a rede bem na frente do rosto, em vez de ter que cortar às cegas debaixo d'água prendendo a respiração. Foi montado assim, equilibrado no dorso escorregadio, que ele passou a faca na parte da malha que travava a nadadeira.

A cena tem um risco que salta aos olhos: uma baleia adulta pode pesar dezenas de toneladas, e um golpe de cauda por reflexo derruba um barco pequeno, quanto mais uma pessoa na água. Não foi o que aconteceu aqui, mas é exatamente esse risco que separa o que Quispe fez, por conta própria e com experiência acumulada, do procedimento que autoridades de resposta a encalhes recomendam para qualquer outra pessoa.

O que Jonathan Quispe contou sobre o resgate

"Eu tinha que libertá-la, não tinha outro jeito, porque senão o bicho podia morrer", disse Quispe ao Arriba Mi Gente, repetindo a frase que virou legenda em boa parte dos compartilhamentos. Para ele, a explicação é simples: uma baleia presa por tempo demais pode se afogar, ferir ou morrer de exaustão tentando se soltar sozinha.

Quispe também contou que aquele resgate não foi o primeiro que ele fez no mar: segundo ele, já soltou golfinhos e tartarugas presos em redes em outras saídas de pesca. "Pra mim isso é normal, não é a primeira vez que eu faço isso", disse, tratando o episódio como rotina de quem vive do mar, mesmo sabendo que, para quem assistiu de fora, a cena tinha tudo para não dar certo.

Comentários do público sobre o resgate da baleia no Instagram
O que o público comentou no post. Reprodução/Instagram (@vai_espiando).
Pescador nada perto da baleia enroscada na rede de pesca no Peru
Nos primeiros mergulhos, a baleia se afastava sempre que Quispe se aproximava. Frame do vídeo. Reprodução/X (@katiuskaflores).

O que o público está dizendo

Até a manhã de 17 de setembro, o post de @katiuskaflores somava 97.921 visualizações no X e cerca de 1.900 curtidas, a repostagem no Facebook da página Punto MX passava de 52 mil visualizações, e a versão do Instagram, postada por @vai_espiando, chegava a 30.396 curtidas. Foi esse volume que fez a Record (no quadro Fala Portugal) chamar o resgate de "viralizou" nesta quinta-feira, 17 de setembro.

Nos comentários do Instagram, @esterzinha_moreira escreveu "essa é a maior história de pescador de todas", e @isaquevelloso resumiu o sentimento geral: "esse cara merece um baita reconhecimento". Já @desiree.silva.nunes brincou que "pode se dizer que isso é uma história de pescador, reza a lenda", e não deixa de ter razão: poucas histórias de pesca têm vídeo para provar.

Quantas baleias ficam presas em redes todo ano

Emalhe em equipamento de pesca é uma das maiores ameaças a baleias, golfinhos e tartarugas no mundo todo, e casos como o de Tacna se repetem com frequência em águas de vários países, geralmente sem ninguém para filmar. O que muda de um caso para outro é justamente o desfecho: em muitos episódios, o animal só se solta sozinho, ferido, ou não se solta, um pouco como as bolsas de sereia que uma pesquisadora achou presas em Noronha e que também guardavam pistas sobre o que a vida embaixo d'água enfrenta sem ninguém ver.

É por isso que histórias como a de Quispe circulam tanto: não é raro ver bicho preso em rede, mas é raro ver alguém subir em cima do animal e resolver o problema ali mesmo, sem esperar ajuda. É um pouco do mesmo espanto que rendeu tantas visualizações ao motoboy que entrou num enxame de abelhas para salvar uma menina em Ibirité: gente comum decidindo agir no meio da emergência.

O aplauso vem com um alerta de quem trabalha com isso

Vale separar o que deu certo aqui do que órgãos de proteção marinha recomendam para qualquer pessoa nessa situação. A agência americana NOAA Fisheries, referência mundial em resposta a encalhes, é direta: só equipes treinadas e autorizadas devem se aproximar de uma baleia presa, porque o animal não entende que está sendo ajudado e pode reagir com violência. Segundo a própria agência, pessoas já morreram tentando soltar baleias presas em rede, e barcos já viraram durante tentativas de resgate.

Nada disso apaga o que Quispe fez, ele mesmo disse que já tinha experiência com esse tipo de resgate e conhecia o comportamento do animal. Mas a orientação para quem não é pescador nem treinado continua a mesma: avisar as autoridades locais e manter distância, porque nem toda história de coragem no mar termina como essa.

Jonathan Quispe diz que vai continuar entrando na água quando precisar

Para o pescador peruano, não teve nada de heróico ou fora do comum: foi só mais um dia de trabalho em que apareceu um bicho precisando de ajuda, e ele tinha faca, máscara e experiência para dar conta. É essa naturalidade, mais do que a cena em si, que fez tanta gente compartilhar o vídeo nos últimos dias.

Fica a pergunta que várias pessoas fizeram nos comentários: você entraria na água para tentar soltar um bicho preso desse jeito, ou acha melhor deixar essa parte para quem tem treino? Conta pra gente aqui embaixo.

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