Corinthians: Marcelo Paz contou na coletiva o que falou sobre a renovação de Memphis pela manhã, e horas depois o presidente do clube deu outro recado em público
Um dia depois de o Corinthians cair nos pênaltis diante do Estudiantes e se despedir da Libertadores, o diretor executivo de futebol Marcelo Paz encarou a imprensa nesta quinta-feira (17) e contou, com nome e data, a novela dos bastidores da renovação de Memphis.
Marcelo Paz falou por quase meia hora sobre o Memphis, o Fernando Diniz e o dinheiro que o Corinthians deixou de ganhar. Frame do vídeo/Bora Lá Fiel Notícias do Corinthians.
Marcelo Paz convocou a coletiva na quinta-feira (17) no CT Joaquim Grava, um dia depois de o Corinthians perder nos pênaltis para o Estudiantes e ser eliminado da Libertadores nas quartas de final. Ele abriu falando em nome do clube: "é uma frustração do torcedor, mas é uma frustração nossa também", disse, antes de passar quase meia hora respondendo, sem se esquivar, sobre o futuro de Fernando Diniz, o pênalti perdido por Memphis Depay e o rombo financeiro que a queda precoce deixou no caixa do clube.
O vídeo da coletiva, publicado pelo canal Bora Lá Fiel Notícias do Corinthians, passou de 144 mil visualizações em menos de um dia no ar. O assunto que mais rendeu pergunta, segundo o próprio Marcelo Paz admitiu ao microfone, foi um só: Memphis.
Na coletiva, Marcelo Paz revelou que elogiou a renovação de contrato de Memphis numa entrevista pela manhã e, horas depois, no mesmo dia, o presidente do Corinthians discursou dizendo que o clube não tinha condições de bancar o novo vínculo sem parceiros. No dia seguinte, saiu nota oficial encerrando a negociação de vez.
Por que Marcelo Paz disse na coletiva que o pênalti não é só culpa do Memphis
Marcelo Paz foi direto ao ponto quando um repórter perguntou se o clube ia "abraçar" Memphis de um jeito especial depois da pressão da torcida. Ele discordou, na lata, de que seja natural procurar um culpado: disse que o Corinthians jogou quase 200 minutos contra o Estudiantes, entre os dois jogos, e teve chances de resolver antes de chegar aos pênaltis. Para ele, dividir a responsabilidade entre 11 jogadores em campo é o certo, não sobrar tudo para quem bateu a cobrança decisiva.
Ele também contou que Memphis "de imediato, por iniciativa própria, reconheceu que deveria ter feito o gol" e foi acolhido pelo grupo ainda no vestiário, chorando ao lado de companheiros. Marcelo Paz lembrou que o próprio holandês se descreveu como "um cara experiente" que, dessa vez, "infelizmente não conseguiu". Pela lógica de Marcelo Paz, contra o Rosário foi Memphis quem decidiu um jogo e ninguém dividiu aquele mérito individualmente, então também não seria justo fazer isso agora, na derrota. A frase que resumiu a defesa do dirigente, "só perde o pênalti quem vai lá bater", já virou repercussão entre outros veículos que cobrem o Corinthians.
O dia em que a renovação de Memphis virou negociação encerrada em poucas horas
Foi um jornalista do Meu Timão quem trouxe a pergunta mais incômoda da tarde: como explicar que Marcelo Paz, no meio do ano, deu uma declaração otimista sobre a renovação de Memphis no CT, e no mesmo dia, à noite, na inauguração da estátua de São Jorge na Neo Química Arena, o presidente discursou dizendo o oposto, que o clube não tinha como bancar o contrato sem achar parceiros? Dias depois, quando a delegação embarcou para a Argentina, saiu a nota oficial encerrando de vez a negociação.
Marcelo Paz não negou a contradição. Explicou que o Corinthians "tem um regime presidencialista" e que, "em qualquer assunto que seja do clube", a última palavra é do presidente. Segundo ele, sua autonomia vale até o momento em que o presidente decide entrar no assunto, e no caso Memphis "era um assunto muito importante" o bastante para o próprio presidente puxar a decisão final para si, mesmo depois da fala otimista do diretor de futebol horas antes.
Memphis tem tratamento diferente dos outros jogadores do elenco?
Um repórter perguntou de cara se Memphis recebe "tratamento diferenciado" e até onde vai a paciência com Fernando Diniz depois de cinco derrotas seguidas no Brasileirão. Marcelo Paz negou qualquer regalia: disse que todo jogador cumpre os mesmos protocolos, de chegar no horário a usar o uniforme certo, passar por fisioterapia e alimentação controlada, estar na concentração.
Ele foi específico: quando um atleta folga um treino por risco de lesão, isso vale "porque é o Memphis ou não é o Memphis, pode ser qualquer outro jogador, pode ser um jogador que acabou de subir da base". Segundo ele, os protocolos individualizados existem para prevenir lesão, não porque alguém ganha mais ou é mais estrela que o colega ao lado.
O que o público está dizendo
Com mais de 200 comentários no vídeo, a torcida corinthiana não poupou a diretoria. "Que presidente que a gente não tem presidente", escreveu @reginaldofrancaamorim7691, com 13 curtidas, resumindo a insatisfação com a condução do clube. Já @LanielFonsecadeSouza foi direto: "Tinha que sair também esse Marcelo Paz", cutucando justamente o dirigente que deu a cara para explicar tudo.
Nem todo mundo concordou em jogar a culpa no camisa 10. @annyquintana3871 saiu em defesa do holandês: "memphis deu tudo dele também, vamos parar de colocar só a culpa nele!", exatamente o argumento que Marcelo Paz tentou construir na coletiva. E @adalbertofernandestamanhao6806 lembrou que a jogada do pênalti começou com um toque de mão do adversário, questionando se o time inteiro, não só Memphis, é quem devia responder pela eliminação.
Fernando Diniz segue no comando, e o motivo não é só resultado
Marcelo Paz contou a história completa do técnico no clube para justificar a permanência: Diniz chegou com o Corinthians em 16º lugar, engatou sete jogos sem sofrer gol, devolveu autoestima ao elenco e fez, nas palavras do dirigente, "uma Libertadores decente", com o time passando em primeiro no grupo e batendo o Rosário sem levar gol. A queda para o Estudiantes, segundo ele, não apaga esse retrospecto.
Ele revelou ainda que o presidente esteve pessoalmente no CT na manhã da coletiva, conversou com Diniz e com o elenco, e reforçou o apoio ao técnico diante dos próprios jogadores. Marcelo Paz garantiu que "não passa pela nossa cabeça qualquer questão de mudança" no comando técnico, apesar da sequência de cinco derrotas seguidas no Brasileirão iniciada justamente na partida contra o Cruzeiro.
Tem política influenciando as decisões do Corinthians nesse fim de ano?
Com a eleição do clube a cerca de dois meses e meio de distância, um jornalista perguntou como Marcelo Paz pretende blindar o futebol da disputa política. Ele foi taxativo: "eu só reporto ao presidente Osmar", disse, negando qualquer influência do vice-presidente eleito Armando Mendonça sobre escalação, contratação ou demissão. Segundo ele, "zero", nunca ninguém chegou para dizer quem contratar ou demitir.
Questionado sobre rumores de atrito entre Armando Mendonça e o próprio Memphis, Marcelo Paz confirmou que existe, sim, "um problema dele com o Memphis", mas garantiu nunca ter presenciado bate boca ou qualquer situação de constrangimento entre os dois dentro da delegação. Para ele, a melhor blindagem contra a política é simples: "o que a gente tem que fazer aqui é ganhar jogo", já que resultado bom reduz qualquer margem para pressão externa, segundo relato da mesma coletiva registrado por outros veículos presentes no CT.
O detalhe que a coletiva não resolveu
Marcelo Paz falou por quase meia hora, mas não respondeu à pergunta mais simples que ficou no ar: por que ele mesmo deu uma declaração otimista sobre a renovação de Memphis horas antes de o presidente dizer o contrário em público. Ele explicou o processo, o regime presidencialista, quem tem a palavra final, mas não disse por que a comunicação interna do clube falhou a ponto de dois dirigentes darem recados opostos no mesmo dia para a mesma torcida.
Fica também sem resposta o que muda, na prática, para Memphis daqui pra frente: o discurso da coletiva foi de acolhimento total, mas a negociação pela renovação já foi oficialmente encerrada. As duas coisas convivem, por enquanto, sem que o clube explique como.
Marcelo Paz aposta a sequência com Diniz e Memphis para tentar salvar o que resta do ano
A eliminação também mexeu no caixa: Marcelo Paz admitiu que o Corinthians perdeu uma "renda muito boa" que viria de um jogo de semifinal, além de possíveis patrocinadores extras que apareceriam numa fase mais avançada da Libertadores. Segundo ele, o planejamento financeiro do clube já previa essa variável, mas agora é preciso "achar outras soluções" para fechar as contas do ano sem esse dinheiro. Veja também como foi o momento do pênalti que decidiu tudo, por que a torcida já chamava Memphis de vilão antes mesmo da coletiva, e o que Flávio Prado disse ao vivo sobre a fase do time.
A missão que sobra, segundo o próprio Marcelo Paz, é classificar o time para a Copa Sul-Americana e sair da zona de rebaixamento do Brasileirão, começando pelo jogo de domingo, antes de uma pausa de 15 dias pela data Fifa. Com Diniz mantido e Memphis "acolhido" pelo grupo, a pergunta que fica para você, torcedor: dá para confiar que o discurso da coletiva vai virar resultado dentro de campo, ou o Corinthians só empurrou o problema pra depois da data Fifa?



