Gol anulado do Grêmio contra o Botafogo tirou o empate por 1 centímetro, e a diretoria chamou a decisão do VAR de vergonha depois de outros erros seguidos contra o time
Aos 45 do segundo tempo em Botafogo 3 x 2 Grêmio, no Nilton Santos, o gol de Carlos Vinícius foi anulado por impedimento medido em centímetro. O vídeo da análise já passa de 150 mil visualizações somadas em menos de 24 horas.
Replay do lance no quadro Troca de Passes, do SporTV, com a linha do impedimento marcada. Reprodução/YouTube (@GremioINFO).
O gol anulado do Grêmio contra o Botafogo aconteceu na noite de quarta-feira, 16 de setembro de 2026, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, em jogo atrasado da 21ª rodada do Brasileirão. O Botafogo venceu por 3 a 2, com dois gols de Danilo e um de Álvaro Montoro, enquanto Jovane Cabral e Gustavo Martins descontaram para o Grêmio, segundo o Lance.
No lance mais discutido da partida, aos 45 minutos do segundo tempo, Carlos Vinícius balançou a rede para o Grêmio, mas o gol foi anulado pelo VAR por impedimento. A CBF confirmou a marcação e disse que o sistema semiautomático de rastreamento flagrou o atacante um centímetro à frente da última linha de defesa do Botafogo, conforme apurou a CNN Brasil.
O gol existiu, a bola entrou, mas a linha do impedimento colocou Carlos Vinícius alguns milímetros à frente da defesa do Botafogo no instante do passe. A CBF confirmou o centímetro pelo sistema semiautomático, e o resultado ficou mesmo em 3 a 2 para o Botafogo, sem revisão posterior.
Como foi o lance do gol anulado do Grêmio contra o Botafogo
A jogada nasceu de um passe entre linhas para Carlos Vinícius, que recebeu livre e bateu para o gol de Gabriel Batista, goleiro do Botafogo, no fim da partida. Na hora da comemoração, o juiz de vídeo pediu a checagem, e o telão do Nilton Santos mostrou a linha vermelha cortando o corpo do atacante gremista fração de segundo antes do passe sair.
O sistema usado pela CBF na Série A já não depende só do olho do árbitro assistente: câmeras espalhadas pelo estádio calculam a posição de cada jogador várias vezes por segundo e traçam a linha na tela sozinhas. Foi essa tecnologia que apontou o centímetro a mais de Carlos Vinícius, e é justamente esse detalhe minúsculo que fez o vídeo da análise decolar nas redes horas depois do apito final.
O que a CBF disse sobre o centímetro que tirou o gol do Grêmio?
A CBF confirmou publicamente a marcação e afirmou que a distância entre o corpo do atacante e a linha defensiva do Botafogo era de apenas um centímetro, medida pelo sistema semiautomático de impedimento. Não houve recuo na decisão nem qualquer nota posterior revendo o lance.
Para quem cresceu vendo bandeirinha decidir impedimento no olho, um centímetro soa quase impossível de enxergar ao vivo, e é exatamente esse contraste entre o corpo apertado do jogador e uma régua digital invisível que motiva boa parte da desconfiança do torcedor com o VAR hoje em dia.
Por que a diretoria do Grêmio chamou a decisão do VAR de vergonha?
Rafael Lima, vice de futebol do Grêmio, foi ao público logo depois do jogo para contestar o lance. Segundo ele, em declaração reproduzida pelo Terra, "as imagens deixam claro que, no mínimo, aquele lance é inconclusivo. E o lance inconclusivo, mesma linha no impedimento, sempre foi a favor do ataque".
O dirigente foi além e chamou o episódio de uma vergonha, falando em pontos retirados do Grêmio de forma sistemática e cobrando igualdade de tratamento da CBF, citando outras partidas, contra Bragantino e Vitória, em que a confederação reconheceu erros de arbitragem depois do apito final. É o tipo de fala que pega mal justo numa semana de briga direta contra o rebaixamento.
O que a torcida está comentando nos vídeos do lance
Com mais de 94 mil visualizações e 167 comentários no vídeo do canal Grêmio INFO, a análise virou debate por conta própria. O comentário mais curtido, de @SM-2023 (39 curtidas), resume a indignação: "Imagem totalmente inconclusiva. Então, não serve para ANULAR um gol que pode decidir o futuro do time no campeonato. Erro de direito."
Tem gente batendo direto na tecnologia, como @silvioramos517: "Semi automático da shoop", e quem propõe mudar a própria regra, como @jeansantos9608: "Para ser gol a bola tem que passar toda, mas para impedimento 1mm já é impedimento. Deveria ser a mesma ideia." Faz sentido reclamar do critério, mas vale lembrar: a regra do impedimento por qualquer parte do corpo já existe há anos, não foi inventada agora para prejudicar o Grêmio especificamente, ela só ficou mais precisa (e mais implacável) com a câmera.
Não é a primeira vez que o Grêmio reclama do VAR essa temporada
Rafael Lima não citou só o lance do Botafogo: ele lembrou publicamente episódios recentes contra Bragantino e Vitória em que a própria CBF admitiu falha de arbitragem depois da partida já encerrada, quando o resultado já não tinha mais volta. É a mesma lógica de outras polêmicas do VAR nesta Série A, como o pênalti de Depay que salvou o Corinthians na Libertadores ou a expulsão questionada em Jorginho e Alcívar: o replay chega, mas o ponto já foi embora.
O padrão incomoda porque o calendário não espera. Faltando rodadas decisivas para o fim do Brasileirão, cada erro reconhecido tarde demais vira estatística de "se tivesse sido diferente", e é justamente esse tipo de contagem que times na briga contra o descenso, como aconteceu recentemente em Atlético-MG x Santos na Sul-Americana, não têm mais tempo de esperar.
Antes de sair chamando de roubo, um detalhe que muda a conversa
Vale separar duas coisas que o calor do momento mistura: uma coisa é achar a régua de um centímetro exagerada para uma modalidade decidida em décimos de segundo, outra é chamar a marcação de erro comprovado. Nenhuma fonte oficial, nem a CBF nem a arbitragem, reconheceu falha técnica nesse lance específico: a queixa do Grêmio é sobre o critério e o histórico recente, não sobre uma correção posterior admitida pela confederação.
Isso não invalida a crítica de Rafael Lima, até porque os casos de Bragantino e Vitória que ele citou são reais e documentados. Mas ajuda a entender por que a CBF mantém o resultado: para a confederação, o centímetro é dado técnico, não opinião, e até agora não apareceu nenhuma nota contradizendo essa leitura.
Grêmio sai de campo sem o gol, mas o assunto segue rendendo corte
O apito final não encerrou a polêmica: o vídeo com a análise do lance continua ganhando visualizações e comentários por hora, e a fala de Rafael Lima repercutiu em outros canais de torcida, incluindo o do jornalista JB Filho, que também mediu forte audiência tratando do posicionamento da CBF sobre o caso.
Com um jogo tão disputado, os 3 a 2 no placar acabaram virando rodapé diante da discussão sobre o centímetro que separou o Grêmio do empate. Fica a pergunta para você que também viu o vídeo: nesse tipo de lance apertadíssimo, o VAR devia continuar decidindo por milímetros ou é hora de dar um "benefício da dúvida" mínimo para o ataque?



